Consultora de Estilo alerta: as revistas estão enganadas!

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Em casa, no consultório do dentista, no restaurante, na rua, por onde quer que a gente passe, pra onde quer que a gente olhe, elas estão lá, aquelas mulheres magérrimas, estampando anúncios e revistas, outdoor, busdoor, sempre de biquínis ou de lingerie, com vestidos deslumbrantes que mais parecem luvas de tão bem encaixados em seus corpos sempre ‘magros e esculturais’. Quando não é isso, são as modelos plus size exibindo suas belas curvas, sempre, também, com looks que lhes caem bem. Aí a gente olha no espelho, se vê ali no meio termo, nem magra nem plus, e bate aquela bad, abre o guarda-roupa, deduz que nada encaixa com nada e pronto, tamo na bad de novo. Oh, e agora? Quem poderá nos ajudar??? Convocada pelo Camaçari Mulher para provar pra gente que as revistas estão enganadas, a super consultora de imagem e estilo, Francine Fernanda, esclarece que mulheres “comuns” e, tipo assim, mais cheinhas (assim como esta que vos escreve) também podem ficar charmosas, elegantes e na moda!!!

Com a palavra, Fran!!!!!

Apesar de os tempos serem outros, ainda existe um “padrão” estipulado pela mídia que diz que mulher bonita é mulher magra e hoje, além de magra, você tem que ser fitness, com músculos e muito whey. Acho isso muito triste, segregador, e não ajuda no processo de fortalecimento da nossa autoestima. Quando começaram a surgir as blogueiras com seus looks do dia, e carinhas familiares de amigas que poderíamos ter; pensei ser um refresco de novidades e empoderamento de mulheres comuns, mas o que aconteceu foi que todas começaram a ficar iguais, mais loiras, mais magras e usando marcas e modelagens que nós, mulheres comuns, não temos acesso facilmente. Então, é isso que tento trazer para as minhas clientes; mostrar o que elas têm de especial e bonito, e que deve ser muito valorizado, que elas podem se sentir bem com as roupas que já têm, e que podem sim, comprar aquilo que acharem bonito, afinal, independente de sermos gordas ou magras, todas nós, temos biótipos diferentes e cada pessoa é única. Portanto…

Desapegue das numerações

Há um “buraco negro” das marcas, onde a maioria de nós, mulheres, pode se encontrar sempre ou em algum momento da vida, que é o de: não consigo comprar roupas – roupas em loja “plus size” ficam folgadas, e roupas em lojas comuns que usam a numeração de maneira mais estreita, ficam apertadas – O que tenho a dizer é: calma! A culpa não é sua. O Brasil não tem uma numeração padrão de roupas, tanto que se você experimenta calças do tamanho que você julga ser o seu, ex.: 44 ou 46 e até 48, você encontra peças que não passam no quadril e peças que ficam folgadas. Não se prenda a números, o que vale não é a numeração, você precisa focar em como ficou a sua silhueta e como isso te deixa feliz, confiante e valorizada. Use o caimento a seu favor mais do que números, uma dica é: vá em lojas de departamento onde o processo de escolha e compra é autossuficiente (ou seja você compra sem auxílio de vendedor) e experimente diferentes tamanhos e tipos de peça, se olhe ali sem cobrança de números e tamanhos, comece a entender e descobrir o que fica bom em você e em qual silhueta você se gosta mais: as mais justas, com decotes e fendas; as mais estruturadas que não mostrem muito o corpo; as que marcam bem a cintura. Se dê um momento de consultoria e de amor próprio, descubra seus pontos fortes e as partes do seu corpo e visual que você acha bacana, lindo. Anote e tire foto das peças que você gostou – veja se já não tem peças parecidas em casa e reproduza o visual com as peças que já tem, ah! Leve em consideração que os espelhos destas lojas podem não ser os melhores e mais valorizadores.

Misture suas peças

As revistas proíbem estampas para quem tem quadril largo. Mas se dividirmos a atenção com cor e brilho na parte de cima (colar e blusa), como fizemos com a cliente da foto, provamos o contrário.

As revistas, com algumas exceções, geralmente colocam os editoriais para moda plus size com as modelos usando roupas para ocasiões sempre especiais (vestidos em silhueta A, rodados), deixando de lado o dia a dia de quem trabalha com roupas menos glamurizadas, como jeans e camisa de alfaiataria ou um terninho, por exemplo. Para nós, mulheres atarefadas, com uma rotina por vezes insana e, acima do peso (que é relativo, às vezes só queremos perder uma barriguinha e não nossas curvas todas), a recomendação é: procure misturar suas peças. Se o calor permitir use uma terceira peça (casaquetos, coletes ou camisas abertas) ou abuse dos acessórios que tragam destaque para o seu rosto e, se você gostar – um belo e poderoso batom! Quando estiver em um dia se sentindo meio mal, mais feia (estes dias acontecem com todo mundo, o que não pode é fazer disso uma rotina), use a roupa que te faz se sentir bonita. Tente experimentar combinações diferentes das que está acostumada a usar (na consultoria faço isso, entro armário da cliente e tiro dali, combinações que ela não faria, ou não está habituada), misture cores, chame atenção para aquela parte do seu corpo que você mais gosta e que descobriu ser bem bacana, e não compre mais por impulso, porque uma peça serviu – a peça servir ou ficar boa em você são coisas bem diferentes.

Abandone o que não lhe faz bem

E uma última dica – retire do guarda-roupa as peças que não te deixam feliz ao se vestir (ou trazem algum sentimento incomodativo), não precisa descartar, se você não se sentir preparada para isso, mas guarde ou coloque em um lugar que não fique à sua vista o tempo todo, isso te faz ter mais possibilidade de combinar looks diferentes com as peças que você gosta e que ajudam a levantar sua autoestima.

Outras Dicas:

Tendências são passageiras, e é melhor você não investir tanto dinheiro nelas, mas a minha dica é – independente da tendência tenha em mente que:

Cores mais vibrantes e quentes, peças com textura diferente e formas mais quadradas (ex. vermelho vivo, laranja, amarelo, metalizados, e brilhos, cetim…) chamam mais atenção no visual e devem ser usadas na parte do seu corpo que você mais gosta e se sente segura.

Cores mais opacas e frias, peças mais lisas e que moldem o corpo mas não marquem (ex. cor palha, azul, roxo, verde mais fechados, seda, viscose, linho) suavizam e camuflam mais, quando usadas em conjunto com outras peças que chamem mais atenção, vale usar estas peças em partes do seu corpo que te deixam menos confortável e segura.

Ex: 1 – Listras, são sempre polêmicas, e as revistas adoram dizer que alargam mais o visual, nada alarga, o que ela faz, se ela for de tamanho médio ou fino e com espaçamento muito padronizado é destacar a parte do corpo que se tem mais volume. Mas não precisa deixar de usar listra – use padronagens diferentes desta, como listras mais juntas, ou de tamanhos diferentes dentro da peça – e ainda se gostar desta listra mais tradicional, e se sentir insegura para colocar, use um colar mais longo, use um lenço ou um colete (que é tendência) – todos estes truques deixam uma linha diagonal no centro do corpo e passam a sensação de “afinamento”.

2 – Veludo é tendência, e pode ser explorada, através de gargantilhas, sapatos e saias por exemplo. Se você é gordinha, e acha que o veludo não é pra você, saia fora deste pensamento, pode usar sim, pegue a regra da parte do seu corpo que você mais gosta e use o veludo de uma maneira que valorize muito esta parte! São as pernas – use shortinhos ou saias. É o colo – use blusinhas, coletes, casquinhos com decotes bacanas e diferentes. É seu rosto, use a tendência com os acessórios (chockers), brincos…

Use tudo o que te deixe feliz, preste atenção, mais do que em números, cores ou estampas: no caimento que esta roupa deixa em você. Ex: tudo que aperta demais ou abre demais e não te deixa confortável (ao se movimentar) e nem segura o tempo todo, não serve (não cai bem), e te impede de arrasar! Use a parte do seu corpo que você mais gosta e a valorize ao máximo.

Espero ter ajudado, mas se mesmo com essas dicas você ainda não se sente segura para ousar e montar os mais variados looks adequados para o seu gosto e corpo, um outro caminho é buscar a consultoria de um profissional. Hoje em dia é possível fazer isso até virtualmente.

Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba!

E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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