Conheça camaçarienses apaixonadas por tatuagens

Mulheres seguras e decididas marcam na pele seus sentimentos e o que mais quiserem

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É difícil acreditar que a tatuagem ainda gere polêmica e seja motivo de preconceito. E quando se trata de mulheres, então, não falta quem olhe torto e associe tatuagem com vulgaridade. Mas, mulheres confiantes, seguras e decididas não estão nem aí para isso. Marcam na pele seus sentimentos, seus momentos, e o que mais quiserem. E pode ser desde um simples coraçãozinho para lembrar daquele motivo especial, uma fênix tomando as costas para recordar que ela, assim como o pássaro, passou por algo difícil e ressurgiu das cinzas, podem ser inúmeros desenhos fechando o braço (ou o corpo) todo, com diversos motivos, e pode ser aquela imagem que não tem um significado específico mas que você achou linda e não deixa de ser especial porque você sempre quis fazer e pronto!

E inúmeras são as perguntas que você pode ouvir por aí, coisas do tipo: “sabia que isso é pra sempre?”, “como vai fazer pra arrumar emprego?”, “e quando você envelhecer?”, “o que seus pais acharam disso?”, “o que seus filhos irão pensar?”, “precisava ser desse tamanho todo?”, “e isso?”, “e aquilo?”, etc. Dá vontade até de formular um monte de respostas possíveis para cada comentário maldoso desse, mas o melhor é aproveitar o resultado de seus rabiscos conquistados, muitas vezes, a duras penas, depois de horas a fio sob a mira daquela agulhinha encantada. Isso sim vale a pena, como garantem nossas entrevistadas.

1511285_657371701030119_1148542793850360307_nA jornalista Ivani Gonçalves, 33 anos, sempre curtiu tatuagens, mas em respeito à vontade dos pais, só fez a primeira quando já não morava com eles. Foi aí que, junto com mais cinco amigas, decidiu fazer uma estrela para eternizar a amizade. “Lembro que o dia foi muito divertido e foi um momento que marcou nossas vidas”, recorda. A segunda, foi um presente de aniversário que uma “amiga/irmã” lhe deu. Elas queriam um símbolo que tivesse uma ligação com irmandade e descobriram que as joaninhas falam de sorte, amor, fertilidade e proteção, e decidiram fazer o mesmo desenho juntas. Já a terceira, com significado mais que especial, trata-se de uma promessa, feita enquanto seu pai se tratava de um câncer na garganta. “No dia da cirurgia para retirada do nódulo eu estava orando com o terço na mão e disse que se ele se curasse eu iria tatuar um terço, e assim o fiz”, conta. Apesar de nunca ter sofrido preconceito por conta das tatoos, localizadas em lugares discretos, Ivani garante que este não seria um problema. “Afinal, o corpo é meu e nele quem manda sou eu”.

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Outra que era apaixonada por tatoos desde pequenina, é a também jornalista Emile Lira, de 23 anos. Aos 19, a admiradora da arte na pele pôs fim à espera. Após assistir o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, ela decidiu tatuar o rosto da personagem no ombro esquerdo. “Me enxerguei na personagem e sempre que assisto acho que tenho muito dela. Considero um guia para a vida”, revela. Em seguida, a paixão por audiovisuais resultou em uma película com capas de filmes de Pedro Almodóvar na panturrilha. Representando o amor que sente por cachorros, ela tatuou a pata da sua cadela Kika.

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Para eternizar o amor e homenagear a mãe, falecida em 2013, um coração alado com seu nome, Paixão, marca seu ombro direito. Nas costas, uma junção da representação da luta das mulheres e dos negros, por serem bandeiras de luta e de vida. A última (por enquanto), é a frase ‘A música pulsa’, simplificando todas as tatuagens que gostaria de fazer em homenagem às bandas que admira. E mesmo transitando em ambientes de liberdade de expressão, Emile não escapou do preconceito. No entanto, ignorando olhares tortos e comentários que criticam desde o tamanho à quantidade das tatuagens, mesmo que de maneiras sutis, ela segue comprovando que as tatoos não interferem em sua competência profissional e são, sim, motivo de muito orgulho, que ela não faz questão alguma de esconder.

13570223_10205142345397757_587977800_oHá quem pense que fazer tatuagem é “pecado”, mas será que isso é verdade? A missionária evangélica Thay Marinho, 32 anos, esclarece que tatuagem tem a ver com identidade e não com religião. “As minhas tatuagens significam minha identidade. São pedaços da minha alma que brotaram para fora, elas falam por mim”. Apesar de ter crescido sob ensinamentos que atestavam a tatuagem como um pecado e que quem fazia não ia para o céu, ela decidiu buscar na própria Bíblia os argumentos necessários para convencer-se de que a paixão pela arte não era algo errado. “Muitos se utilizam, erroneamente, de um texto do livro de Levítico para defender a ideia de que é ilícito fazer tatuagem, mas minha intimidade com Deus não mudou, em nenhum momento, por conta das tatuagens que fiz, e o principal, Ele, também não mudou comigo por conta disso. Tenho a certeza de que o que me santifica é a palavra e não os dogmas denominacionais. E é isso que importa”, conta. Para Thay, que também é designer de moda e empresária, tatuagem não tem nada a ver com modinha, trata-se de algo sério e que deve ter significados especiais para não gerar arrependimentos. Por isso, cada um dos seis desenhos que já fez até hoje, foram bem pensados. E mesmo sofrendo uma série de preconceitos ao longo de todos esses anos, tanto por parte de “irmãos na fé”, quanto por pessoas de outras religiões, ela garante que aprendeu a lidar com cada situação dessa de maneira bem tranquila e segue firme em seu propósito com Deus e com o ministério que Ele colocou em seu coração. “O importante é você saber quem você é em Deus, afinal, uma árvore é conhecida pelos frutos que dá. Quando você se aceita, sem perceber, faz com que os outros te aceitem também”.

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E quem disse que a paixão pelos rabiscos fica só na pele das tatuadas? Existem inúmeras tatuadoras conceituadas, bastante requisitadas e muito feras no que fazem espalhadas pelo mundo a fora. Aqui mesmo em Camaçari, esbanjando talento em cada desenho que aplica há quatro anos, a ex-manicure Rafaela Pinheiro, 23 anos, já perdeu as contas de quantas pessoas já tatuou. Ela, que tem mais de dez tatoos espelhadas pelo corpo e sempre auxiliou o marido, que também é tatuador, decidiu ingressar na carreira a pedido das próprias clientes do marido que diziam se sentir mais à vontade em fazer determinados tipos de tatuagens se fosse com ela. Daí por diante Rafaela não parou mais. Atendendo a diversas pessoas diariamente em Camaçari, Dias d’Ávila e Mata de São João, ela conta que caligrafias, frases e borboletas, são os desenhos mais procurados pelas mulheres e revela sua paixão pelas tatoos. “Sou apaixonada e assim como uma roupa, sempre sinto a necessidade de uma tatuagem nova. Meus amigos já me chamam de álbum de figurinhas (risos)”, afirma.

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Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba! E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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