As tragédias nos lembram nossa humanidade. Mas e depois?

Continuamos confiando num amanhã completamente incerto…

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Não somos ingênuos. Nós sabemos que a vida é breve e imprevisível. Num instante estamos aqui e no outro, podemos não estar. Nós sabemos disso. Mesmo assim, temos nossas besteiras. Nossos calundus.

Brigamos demais. Andamos apressados demais. Adiamos aquele abraço no nosso melhor amigo. Pensamos: amanhã eu vou. E amanhã não vamos porque apareceu algo mais urgente. Dormimos brigados com o nosso amor porque invocamos com o jeito como ele atendeu o telefone e, sei lá, por pura birra, não damos o braço a torcer, não conversamos sobre o assunto. Ah… amanhã de manhã estaremos mais calmos. Amanhã resolveremos.

Quando aconteceu o incêndio na Farmácia Pague Menos, poucos dias atrás, nossa cidade chorou. Enquanto não sabíamos quem eram as vítimas, agradecíamos por não estarmos lá no momento do acidente, e até quem não acredita em Deus deve ter rezado para que nenhum parente, amigo ou conhecido estivesse. Muitos de nós, embora consternados, respiramos aliviados, mas, muita gente está chorando até hoje e ainda vai chorar por muito tempo.

Não bastasse isso, fomos acordados com a notícia da queda do avião da Chapecoense. Mais de 70 mortos. Poucos sobreviventes. Um país inteiro de luto. Outros tantos países lamentando o ocorrido. Pessoas de todos os cantos se mobilizando para ajudar a reerguer o Chape. Muita gente conversando sobre a brevidade da vida, escrevendo textão no facebook, se dando conta daquilo que sabe desde que nasceu: a vida é um sopro. Passa tão depressa. Temos que aproveitar mais. Amar mais. Discutir menos. Temos que ter mais coragem para viver nossos sonhos. Nos preocupar menos com o que os outros vão pensar. Beijar demoradamente. Admirar as pequenas coisas. Cuidar de quem a gente ama. Comer brigadeiro sem culpa. Ficar horas no telefone com nossas amigas. Brincar. Dar voz e vez à criança que mora dentro de nós. Lembrar, a nós mesmos, nossa humanidade.

Mas não podemos deixar para pensar nisso (e colocar em prática) apenas quando essas tragédias acontecem, apenas quando perdemos alguém querido. Apenas quando as adversidades nos obrigam a refletir sobre a fragilidade da vida. E depois? Vamos esquecer e voltar a conduzir as nossas vidas no piloto automático? A verdade é que temos que colocar em prática todos os dias. É clichê. Milhões de pessoas já falaram e escreveram sobre isso. Mas, mesmo assim, continuamos achando que nunca vai ser conosco. Continuamos confiando num amanhã completamente incerto. Mas e se o amanhã não existir? Quantos arrependimentos vamos ter pelas palavras que não dissemos ou os abraços que deixamos de dar?

Ame hoje. Resolva suas picuinhas hoje. Seja a melhor versão de você hoje. Se declare hoje porque, se este exato momento é o que, de concreto, nós possuímos, então, faça valer a pena.

Beijos! Até o próximo texto!

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Esse texto foi escrito por Claudia Magnólia. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Magnólia! Mas não deixe de expressar a sua opinião 😉

E-mail: claudiamagnolia@camacarimulher.com.br

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