Batalha pela vida: camaçariense de sete anos luta contra leucemia

Otimista, Steffany pensa mesmo é em ficar boa e brincar

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Steffany Ingrid Santos Pinheiro
Steffany Ingrid é uma princesa guerreira (foto: Carolina Motta)

A história da pequena camaçariense Steffany Ingrid Pinheiro é um dos antagonismos do destino. No auge dos sete aninhos de idade, a menina com carinha e delicadeza de princesas, dessas que vemos em contos e fábulas, precocemente, precisou incorporar uma super-heroína.

Quem a vê naquele corpinho frágil e jeitinho tímido, não imagina de onde sai tanta determinação e força de vontade – seus poderes mágicos – para enfrentar, certamente, a maior batalha da própria existência: a luta pela vida.
Há exatamente um ano, a garotinha foi diagnosticada com leucemia linfóide aguda de células b, um dos cânceres infantis mais comuns, o que causou uma verdadeira reviravolta na rotina da pequenina e de toda a família. Apesar de a notícia preocupar, sobretudo os pais Clécia e Francismar Pinheiro, além do irmão Herbert, de 15 anos, Steffany se manteve firme e fez questão de se informar a respeito de tudo sobre o problema de saúde que a acomete.

A descoberta – Tudo começou após uma ida à Salvador, quando mãe e filha caminharam bastante. Ao chegarem em casa, Steffany reclamou de cansaço e dores nas pernas, o que a mãe achou normal, devido a jornada. Porém, na manhã seguinte, a menina apresentou diversas manchas pelo corpo, como espécies de hematomas, com evolução do quadro para febre e mal estar.

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Família unida na batalha (foto: Carolina Motta)

Após internamentos em Camaçari, Steffany seguiu para o Hospital Martagão Gesteira, em Salvador, onde foram realizados exames específicos para investigação e conclusão do diagnóstico. “Foi uma mudança drástica nas nossas vidas, pois a gente nunca imagina que vá acontecer com um filho nosso”, declarou Clécia, que suspendeu os trabalhos como artesã para se dedicar, exclusivamente, aos cuidados com a filha.

O tratamento – Durante meses, indo e voltando para a capital baiana, em uma rotina extremamente cansativa e uma longa estadia no hospital especializado em tratamento de câncer infantil, Stefanny agora se encontra em uma fase do tratamento chamada de manutenção.

“Ela passou, e ainda passa, por sessões de quimioterapia, porém, parte dessas medicações ela toma em casa” explica a mãe. “Esses remédios são comprados por nós, o que também gera uma alta despesa, associada às indas e vindas para Salvador e cuidados especiais com a alimentação, por exemplo. É uma dificuldade muito grande, mas continuamos fortes na luta pelo restabelecimento da saúde da nossa menina”.

Outras dificuldades – Depois da liberação médica para que Steffany pudesse voltar para casa, novas adversidades surgiram para acomodar a garotinha na nova realidade. A casa está passando por uma tímida reestruturação, a exemplo da colocação de forro no telhado, pois, pela fragilidade da saúde, Steffany precisa evitar o contato com poeira. Outro agravante é a precária condição de infraestrutura da rua onde mora, no bairro Parque Satélite. O local não tem pavimentação asfáltica e quando chove, são formadas diversas poças d’água, entre outros problemas estruturais.

Solidariedade – Com a mãe e o pai desempregados, a família conta com a solidariedade das pessoas. “Estamos fazendo esses ajustes na casa, graças a algumas campanhas e a ajuda de gente que se sensibilizou pela causa. Foram eventos e rifas, através dos quais angariamos fundos para executarmos algumas melhorias imprescindíveis para proporcionar adequadas condições para Steffany. Ela ainda não está livre de todos os riscos, até agora não precisou de transplante de medula óssea e não há de precisar, pois nós temos muita fé e confiamos que a tendência a partir de agora é uma melhora crescente”, declara Clécia.

A Princesa Guerreira

 SteffanyIngredantesdaleucemiaDurante toda a entrevista, até chegar a sua vez, Steffany andou pela casa e mexeu no celular da mãe, por meio do qual mantém contato, principalmente, com amiguinhas e amiguinhos que conquistou no hospital. E por falar em amizades, esse é o que seria o “calcanhar de Aquiles” da princesa guerreira. Foi o único momento da conversa no qual o olhar vivo e brilhante de Steffany deu lugar às lagrimas, num misto de tristeza e saudade, ao lembrar do pequeno Samuel, de apenas dois aninhos, que não resistiu a complicações causadas por um tumor no abdômen. “Eu dividia o quarto com ele, lá no hospital. A gente brincava, se divertia, mas ele se foi. Eu oro por ele e sei que virou uma estrelinha que brilha no céu”, disse.

Após um momento de introspecção, recuperada da emoção, Steffany falou sobre a experiência que vive. Inteligente e sagaz, revelou saber tudo sobre a doença e se mantém otimista. Perguntada sobre o que mais sentiu falta durante o internamento, foi taxativa em falar acerca da escola.

“Eu adoro estudar, estar com meus amigos. Apesar de ainda não poder brincar exatamente do que gosto, como esconde-esconde e pega-pega, porque não posso me esforçar muito, eu sempre dou um jeitinho de me divertir”

O retorno à escola foi ainda enquanto estava carequinha, como ela mesma se refere. Steffany conta que resolveu cortar os cabelos e depois rapá-los para que não precisasse esperar cair, uma das reações ocasionadas pelas medicações do tratamento.

“Eu tinha os cabelos cumpridos e quando percebi que estavam caindo, pedi à minha mãe que me levasse para cortá-los. Minha intenção era de vender para doar o valor para o Hospital Martagão Gesteira, mas precisamos do dinheiro para pagar o nosso transporte. Mas um dia eu vou fazer a doação que tanto quero”

No começo, a garotinha disse que sentia vergonha de sair à rua e chegou até a sofrer bullying , mas apesar dos transtornos, a menina garante já ter superado a experiência negativa. Sobre o futuro, a pequena guerreira revela que pretender ser médica veterinária. steffanyingredicamacari

“Amo muito os animais e tenho três cadelinhas: Branquinha, Lupita e Pérola. Não posso estar em muito contato agora, mas sempre que posso, fico pertinho delas”

Otimista e, como toda criança, Steffany pensa mesmo é em ficar boa e brincar. “Eu sinto falta de mexer com a terra, ir à praia e de certas brincadeiras que exigem um pouco de mim, como correr. Mas eu tenho melhorado e logo poderei voltar a fazer tudo o que gosto”, finaliza.

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Esse texto foi escrito por Carolina Motta. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana!! Se não gostou, diga: poxa, Carol! Mas não deixe de manifestar a sua opinião.

E-mail: conteudo@camacarimulher.com.br

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