Café com Cheirosa: Fiz as contas: Tudo puta!!!!!!!

Se formos viver preocupadas com o que as pessoas pensam e falam de nós, não teremos vida

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Um gênero e um rótulo

Outro dia, depois de uma aula super animada de dança do ventre, tiramos fotos, fizemos vídeos e lá vamos nós colocar tudinho nas redes sociais.

Para nosso espanto, dentre os comentários elogiosos, o parente de uma aluna decreta:

tudoputa
Minha gente! Foi o mesmo que tocar fogo nos meus olhos. Pense numa mulher brava! Me ajeitei toda na cadeira, preparei todo o meu repertório de desaforos, esfreguei os dedos uns nos outros para prepará-los para o que estava por vir e: O covarde apagou o post!

Mas eu queria vingança! (Falou a escorpiana)

Fui lá no Facebook dele… Me bloqueou!

Descobri que era irmão de uma aluna. Mandei recado tão desaforado, mas tão desaforado, que até hoje ele corre de mim.

Passada a raiva (acredito que mais por não ter revidado do que pela ofensa propriamente dita) eu dou muitas risadas e volta e meia conto esse caso pras pessoas.

Mas uma coisa é certa: Mulher feliz é puta!

Circula um texto pela internet com o título “Tudo puta” que é certeiro nessa reflexão. O machismo é tão encruado nas falas, nas práticas a nas vivências, que puta é o sobrenome de toda mulher.

Não importa o que fazemos, como vivemos, nossas individualidades, necessidades, direitos. Nada disso conta: Tudo puta!

Sorriu demais? Puta!

Trabalha fora? Puta!

Faz faculdade? Puta!

Gosta de namorar? Puta!

Roupa curta? Puta!

Evangélica? Gospelputa!

Dança? Puta!

Separou? Puta!

Foi assediada? Puta!

Engravidou? Puta!

Bebe? Puta!

Tem amigos? Puta!

Adolescente? Piriputa!

Criança? Projeto de puta!

Idosa? Puta velha!

Enfim, não temos saída. Somos putas pelo simples fato de termos nascido mulheres. Então gata, aceite sua “puticidade” e vá ser feliz, porque se formos viver preocupadas com o que as pessoas pensam e falam de nós, não teremos vida e, ainda assim, seremos todas putas encubadas 😀

Ahhh, e pra terminar, eu sei que fomos criadas sob o manto do machismo e estamos no caminho diário de nos curar dele. Praticamos, sem nem perceber, está em nós também. Mas vamos ser solidárias umas com as outras e ao invés de engrossar a fila dos que nos julgam, vamos nos defender, nos proteger.

Sororidade!

Esse texto foi escrito por Angela Cheirosa, colunista do Camaçari Mulher. Para ler mais textos desta mulher negra, professora, mãe, bailarina ( e todas aquelas outras coisas que precisamos ser todos os dias), clique no nome dela ali em cima e delicie-se 😉

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