Café com Cheirosa: Meu cabelo, minhas regras

O poder e a força do cabelo para a mulher negra

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powerÉ manas, a saga da luta das mulheres negras continua…

Se fizermos um recorte do final da escravidão oficial no Brasil até os dias atuais, estaremos diante de um legado histórico de diversas violências, que se para a mulher já foi e é extremamente difícil, para a mulher negra é marcado pela dupla discriminação.

Tivemos negado o acesso aos meios de escolarização, ao mercado de trabalho, o direito ao voto e uma série de outros direitos e garantias fundamentais.

Cruzamos o século XX com a “faca atravessada nos dentes”, lutando, ocupando espaço, nos fazendo ouvir e respeitar. E estamos aqui, ainda na luta diária por respeito, espaço e cidadania.

Hoje temos além dessas, outras demandas importantes: Identidade, empoderamento, aceitação. Estamos lutando por liberdade de sermos exatamente o que quisermos ser. E essa luta passa também pela estética.

Hoje, já temos linhas de produtos cosméticos voltados especificamente para a mulher negra, produtos de cabelos que dão conta de tratar a textura do cabelo afro, sem o estigma da obrigatoriedade do alisamento.

E por falar neles, Ahhhhhhhh os cabelos! Esses são um capítulo à parte. Para a mulher negra, cabelo é símbolo de poder e de força. E estamos podendo: Somos negras, loiras, ruivas, lisas, cacheadas, black power, platinadas, com mega hairfull lace, dreads, tranças…

Aceitamos por anos e anos a imposição de beleza branca e lisa, o que minou por muito tempo nossa estima. Aceitamos que teríamos que nos “embranquecer” pra sermos belas. Contudo, o processo de construção de autoestima e de aceitação nos deu o poder de decidirmos como queremos ser, inclusive lisas.

Estamos nos sentindo lindas. Somos lindas!

Mas esse ainda não é um processo simples e descomplicado. Ainda dói na carne, na pele, nos pelos. O empoderamento da mulher negra encontra resistência todos os dias. Essa é uma luta e construção diária. Não é incomum surgirem relatos de pessoas que foram discriminadas por conta do cabelo. Ainda hoje, crianças são as que mais sofrem com esse tipo de abordagem. O cabelo é usado para agredir, humilhar e diminuir. Por isso empoderar é tão importante. É preciso oferecer referências. Ver mulheres negras ocupando espaço de destaque nas empresas, nas mídias, nos concursos, nas profissões historicamente ocupadas por homens e mulheres brancas, dá aos pequeninos o poder que nós não tivemos, mas que estamos lutando para oferecê-los.

Hoje somos mais fortes. Hoje somos mais lindas. Hoje somos mais poderosas. E esse é um caminho sem volta. Podem até tentar, mas agora já descobrimos que somos lindas e poderosas. Ninguém, nunca mais, tira isso da gente.

Nunca mais! 😉

Esse texto foi escrito por Angela Cheirosa, colunista do Camaçari Mulher. Para ler mais textos desta mulher negra, professora, mãe, bailarina ( e todas aquelas outras coisas que precisamos ser todos os dias), clique no nome dela ali em cima e delicie-se 😉

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