Camaçarienses vegetarianas relatam suas experiências

Cultura vegetariana proporciona aos seus adeptos uma sensação de paz

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Mylena Souza

“Se os abatedouros tivessem paredes de vidro, o mundo seria vegetariano”. Esta frase, dita em um vídeo pelo cantor Paul McCartney, faz parte do cotidiano da estudante de veterinária, Mylena Souza, que há três anos não consome carnes. A atitude a fez sentir-se bem mais feliz, como as pessoas que tomam essa decisão costumam relatar.

Isso ocorre porque a cultura vegetariana proporciona aos seus adeptos uma sensação de paz e, até mesmo, alívio, uma vez que as pessoas param de consumir, ainda que em parte, produtos oriundos do sofrimento animal. De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira, o vegetarianismo costuma ser classificado da seguinte forma:

Ovolactovegetarianismo: utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação;

Lactovegetarianismo: utiliza leite e laticínios na sua alimentação;

Ovovegetarianismo: utiliza ovos na sua alimentação;

Vegetarianismo estrito: não utiliza nenhum produto de origem animal na sua alimentação.

Marianne Sena
Marianne Sena

Esse regime alimentar, no entanto, ainda é visto por muitos como “modinha” ou “frescura”, como relata a lactovegetariana Marianne Sena, de 22 anos. Apesar de estar muito bem com essa escolha, vez ou outra se vê obrigada a lidar com títulos como o de “enjoada”, “fresca”, e não é raro ouvir que sua alimentação é fraca. “A maioria das pessoas aceita e respeita. E a minoria, solta gracinhas. Mas encaro numa boa, afinal, o importante é estar bem comigo mesma”, diz.

 

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Raíssa Lorrana

Quem também está em paz com as suas decisões é a atriz Raíssa Lorrana, que não come carne desde criança, e pretende seguir assim, ainda que sua mãe insista em colocar uma “carnezinha” no seu prato. “É bem coisa de mãe essa preocupação toda. Ela insiste, mas eu digo não. Passei boa parte da vida desta forma e minha saúde está muito bem, eu estou muito bem, feliz. Então, para quê mudar?”, questiona.

 

Dificuldades x Oportunidades – As pessoas que optam pelo vegetarianismo encontram algumas pedras no caminho. Além das piadinhas e das insistências alheias, ainda precisam pensar duas vezes antes de comer fora de casa, já que não existem tantas opções de restaurantes voltados a esse público. Se bem que, para algumas das entrevistadas do Camaçari Mulher, as dificuldades começaram já no próprio lar, pois tiveram que se virar para preparar as refeições.

“Após minha mãe dizer que ‘não sabia cozinhar essas comidas malucas’, tive que aprimorar minhas habilidades culinárias e adaptá-las à nova realidade. Descobri um novo hobby. Minha especialidade é lasanha de berinjela com tofu”, relata Marianne Sena. “Como única ovolacto da casa, tive que aprender a cozinhar, e, acho que consegui, pois já ouvi que a minha coxinha de jaca é a melhor do mundo (risos)”, conta Mylena Souza, que não descarta a possibilidade de, futuramente, tornar-se vegana (filosofia e estilo de vida que busca excluir todas as formas de exploração e crueldade contra animais na alimentação, vestuário e qualquer outra finalidade).

© llustration Works/Corbis

A quem deseja aderir ao vegetariasnimo, Raíssa, Mylena e Marianne  deixam seus conselhos:

“Acredito que para muitos não seja fácil essa mudança, mas saibam que também não é nenhum bicho de sete cabeças. Basta ter paciência, respeitar seu tempo. Acho legal tentar transformar pratos que você já gosta, para ir se adaptando gradualmente. Inove, pesquise, crie e siga em frente”.

Raíssa Lorrana

“A maioria das pessoas que come carne não faz ideia ou finge não saber o quão horrível é a indústria da carne. Ver vídeos cruéis é ruim? É, mas fortalece. A verdade choca e qualquer pessoa que tenha o mínimo de compaixão por seres vivos, vai se abalar com isso e vai pensar duas vezes antes de consumir”.

Mylena Souza

“Antes de tudo, respeite seus limites, saiba identificar os sinais que o seu corpo dá. No meu caso, fiz a experiência de tirar o leite e meu corpo de imediato respondeu mal. Se tornar vegetariano não acontece da noite para o dia, não é uma modinha. Ser vegetariano te dará prazer, e se isso não está acontecendo, talvez essa não seja sua realidade. Antes de começar a fase de adaptação, procure acompanhamento de um nutricionista, é fundamental. Nada de loucuras!

Marianne Sena

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Esse texto foi escrito por Claudia Magnólia. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Magnólia! Mas não deixe de expressar a sua opinião 😉

E-mail: claudiamagnolia@camacarimulher.com.br

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