Coluna Todos os filmes – Ir ao cinema: missão possível

A gente só aprende a cuidar e valorizar as coisas – sejam serviços ou bens – quando temos contato com elas

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Há cinco anos escrevi no Cinemosaico, um site querido onde escrevia ao lado de pessoas muito bacanas, um texto meio raivoso chamado “Ir ao cinema: missão impossível”, que começava assim:

“Conversas em voz alta, barulho de pipoca, o telefone celular que toca, a lata de refrigerante que é aberta, os comentários feitos a cada ação – por mais irrelevante que seja – dos personagens do filme. Contra todo esse acervo de sons e movimentos os ’shhhhh’ dos que esperam ter algum sossego numa sala de cinema parecem mesmo ser inúteis. Vários cinéfilos já escreveram em seus blogs sobre a tarefa difícil – quase impossível – na qual o antes muito simples ato de ver um filme vem se transformando”.

Em 2011 não tínhamos cinema em Camaçari, o antigo Colossal já havia morrido (que Deus o tenha) e o único recurso era se deslocar para Salvador, como tínhamos que fazer até pouquíssimos dias atrás. Como todos sabem, tudo mudou com a inauguração, no Shopping Boulevard, de uma unidade do Cinemark. Agora temos cinema sim, temos cinema pra caramba, e assistir filmes na telona, em nossa própria cidade, voltou a ser uma missão possível. Mas, assim, possível é, né, só não dá pra garantir que será fácil.

Logo na primeira semana de estreia, ouvi – e sei que muita gente ouviu – relatos sobre o mau comportamento dos frequentadores durante as sessões. “Conversas em voz alta, o celular que toca, os comentários feitos a cada ação dos personagens, etc, etc. E, além disso, PASMEM, crianças pequenas presentes nas sessões do nem um pouquinho, mas nem um bocadinho mesmo, mas nem sequer por um momento infantil, Invocação do Mal 2. Pois é. Alô, administração do Cinemark Camaçari, que tal fazer com que as classificações dos filmes sejam respeitadas? Obrigada!.

A minha primeira experiência por lá foi levando a minha sobrinha pra assistir Procurando Dory. E fora uma conversinha aqui e outra ali, achei tudo muito bem. Não sei se dei sorte naquele dia ou se, de uns tempos pra cá, fui flexibilizando mesmo aquela postura cinéfila autoritária de “cinema é lugar sagrado, sai daqui”. Agora que sou professora, mais do que nunca, dou muito valor ao poder da educação para transformar atitudes. Ouvi gente dizendo que não adianta ter cinema e coisas do tipo na nossa cidade porque as pessoas não sabem valorizar. Bom, dizer isso, na minha visão, é a mesma coisa que dizer que uma biblioteca escolar não deve emprestar seus livros porque os estudantes não saberão cuidar. A gente só aprende a cuidar e valorizar as coisas – sejam serviços ou bens – quando temos contato com elas.

Deise Luz é colunista do Camaçari Mulher e só queria ver todos os filmes do mundo. Não é crítica e nem estuda cinema. A função que melhor ocupa é a de uma espectadora fiel, dedicada e ansiosa. Para ler mais textos de Deise, clique no nome dela ali em cima 😉

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