Consumista, eu?

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Olá! Meu nome é Claudia Magnólia, tenho 30 anos, e sou uma louca por “bijoux” em recuperação. Tenho evitado o primeiro brinco, mas uns dias atrás caí em tentação. O que me consola é que foi por um bom motivo: aniversário da minha irmã, e ela é tão legal, bichinha, e eu não tô lá em condições de comprar um presentão, mas eu precisava comprar ao menos UMA lembrancinha. Saí da loja com QUATRO brincos para ela, três para mim e de quebra um colar cheio dos fricotes, que por sinal enrolou todo, e eu passei dois dias tentando desenrolar e não consegui, e me retei, e piquei no lixo sem usar.

Eu juro que me fiz duas perguntinhas essenciais antes de comprar:

– eu preciso mesmo disso?

– eu preciso mesmo disso, agora?

Não e não. Talvez não me fizessem falta o colar, o brinquinho infantil de melancia e o preto meio comum… mas é que aquele brinco azul era de um azul diferente dos outros brincos azuis que eu já tenho, entende? É um azul meio chique, meio retrô, sei lá, um azul que não é tão azul e ao mesmo tempo é o azul mais lindo que eu já vi. E…enfim, eu amo brinco azul e só tinha ele na loja, então… ele TINHA que ser meu!

Se você também é louca por “bijoux”, vai entender que é quase impossível passar por uma lojinha dessas (e como cada dia tem uma nova em Camaçari, hein?! Será que dá lucro??? Rsrsrs) e não entrar nem que seja para dar só uma olhadinha. Às vezes, tô na rua, e quando sei que tô chegando perto de alguma, meu coração se agita todo já e eu vou repetindo meu mantra: não vou entrar, não vou entrar, NÃO VOU E-N-T-R-A-R… de repente tô dentro! Sei nem como é que acontece isso, mas quando me dou conta, lá estão aquelas coisinhas brilhando pra mim, tudo no precinho, e eu levando aquele pacotinho lindo para casa!

Mas, né?! Eu preciso me controlar! Afinal, para onde vai a humanidade com esse consumo desenfreado? Para onde vai aquele colar maravigold que embolou todo e eu nem cheguei a usar? Pro lixo! Mas, gente, não achei meu dinheiro no lixo…e outra: pra onde vai todo o lixo que produzimos? Minha cabeça chega a dar nó de vez em quando pensando nisso.

Eu acho que somos um bando de consumistas sem noção. Não todos, mas, boa parte de nós. Eu, inclusive, num estágio bem consumista da minha existência, fiquei tão preocupada ao ponto de comprar um livro sobre isso: Mentes consumistas – do consumista à compulsão por compras, da Ana Beatriz Barbosa (não sou fã da autora, nem acho o livro mais bem escrito do mundo, mas, ok! Vamos lá). Óbvio que não é um livro que vai me dar um diagnóstico, e há um tempo atrás, nos papos com o terapeuta (que saudade!), fiquei aliviada em saber que não era uma shopaholic, mas, a verdade é que eu, você, sua vizinha, sua tia, seu primo, seu bofe….todos nós consumimos além do necessário! Agora mesmo, no Dia das Mães, inúmeras serão as propagandas que vão mexer conosco ao ponto de nos sentirmos ingratos se não dermos um super presente para elas. Porque não basta ser um mimo, entende? Tem que ser um presentão, afinal, mãe é mãe né?! Mas veja bem, se mãe fica feliz quando recebe uma flor catada do chão, se em nossas casas geralmente somos educados a apreciar as coisas simples da vida, porque mesmo nos sentimos praticamente na obrigação de presentear – geralmente com big pacotes- nessas datas tão especialmente comercias?

Porque queremos fazer parte do todo!

Lembra quando você pedia algo a sua mãe quando era pequeno e ela dizia não, aí você retrucava: mas todo mundo tem! E ela dizia: você não é todo mundo! Lembra disso? Pois é! Não somos todo mundo, mas queremos ser, queremos ter aquele tênis branco que todo mundo tem porque tá na moda e a blogueira, ops! Digital Influencer que a gente segue, indicou. Aquela viagem que passou na televisão e todo mundo tá indo, se divertindo e fazendo altos stories. Aquela bolsa de unicórnio, o chinelo de plumas…talvez você não se encaixe nessas “tendências”, mas faça uma referência aí com as coisas que você gosta, que eu sei que vai rolar um: realmente, fui “maria vai com as outras” em algum momento. Vai rolar uma confissão do tipo: escondi meus pacotes na mala do carro porque achei que comprei demais, ou “essa roupa é a minha cara! Não é barata, e a qualidade não é das melhores, mas tudo bem, vou parcelar”!

Mas, porque queremos fazer parte desse todo? No livro de Ana Beatriz Barbosa ela diz, basicamente, que é porque queremos nos sentir incluídos, amados e, mais que isso: admirados!

Óbvio, você não é todo mundo e talvez ache besteira isso, mas a maior parte está, sim, em busca dessa aceitação. Ou quer preencher com bens materiais o vazio, a angústia de um momento ruim, até mesmo de uma vida que, em comparação com a dos outros, parece insossa demais. Mas, precisamos nos lembrar: somos muito além do que temos. Muito mais do que fotografamos. Ter menos coisas não nos torna piores do que ninguém. Afogar nossas mágoas ou dores em compras podem nos dar um prazer momentâneo, mas a verdade é que cada parcela do cartão de crédito vai nos lembrar nossa fraqueza.

Que sejamos amados pelo que somos, não pelo que compramos. Que celebremos as nossas diferenças! Que nos conscientizemos de que o meio ambiente está doente, e que precisamos parar de comprar coisas e coisas sem utilidade que se transformarão em montanhas e montanhas de lixo. Que lembremos que as coisas mais simples e lindas da vida, não estão à venda. E que as lojas de bijoux parem de se multiplicar, amém!

“Viemos a este mundo despidos de qualquer bem material e, quando partirmos, levaremos somente a energia de nossa consciência”.

(Ana Beatriz Barbosa)

Beijos, até a próxima!

Esse texto foi escrito por Claudia Magnólia. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Magnólia! Mas não deixe de expressar a sua opinião 😉 E-mail: claudiamagnolia@camacarimulher.com.br

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