De menino ou de menina? brinquedo não tem gênero!!!

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Torço para que eles continuem assim, quero ser capaz de dar asas à imaginação deles dois pois sei que nenhum brinquedo ou cor serão capazes de determinar a personalidade ou a sexualidade que eles terão. Por isso, ela vai brincar com carrinho sim e, se quiser, com bonecas também. Para mim, a única coisa que importa é que tenham saúde e que sejam humanos, de corpo, alma e coração, na melhor versão que puderem oferecer.

Outro dia eu vi passando no Encontro com Fátima Bernardes, uma reportagem a respeito da separação de cores para meninos e meninas, e descobri que tudo não passou de uma jogada de marketing. Vocês sabiam que o rosa, por ser mais forte, era adequado aos garotos, e o azul, por ser delicado, às garotas??? Pois é, até o fim do século 19, os pais não se preocupavam com isso. A definição das cores “certas” para cada gênero só surgiu no início do século 20 quando as lojas começaram a sugerir azul para eles e rosa para elas, como forma de agitar as vendas. A grande pena é que isso acabou se tornando uma imposição social que só ganhou forças com o passar do tempo e foi se estendendo das cores a diversos artigos e questões do dia a dia, até mesmo aos brinquedos.

E chega a ser ridículo pensar que vivemos numa sociedade que determina a sexualidade e até mesmo o caráter de uma pessoa mediante as suas preferências, tsc, tsc, tsc. Quando era criança, minha saudosa tia Nice, me deu de presente um lindo carrinho de bombeiros, ele era tão vermelho, tão meu e eu adorava ostentá-lo pra cima e pra baixo. Era o máximo! E cadê que eu virei bombeira? Queria eu ter a bravura desses profissionais. Aliás, eu sempre gostei de brincar de carrinho, sempre gostei de brincar com os meninos – no meu tempo, brincadeira “de menino” sempre era mais legal – esse negócio de brincar de casinha, pegar uma boneca, chamar de filhinha, me colocar na posição de mamãe, fazer comidinha pra filharada e pro papai, nunca foi a minha brincadeira preferida e, graças a Deus, minha mãe nunca impôs que fosse assim.

Hoje, ao observar meu filho brincando com a irmã, me dei conta de que minha filha de 07 meses, não tem NENHUMA boneca, também não fui até a loja comprar um carrinho para ela, mas ao vê-la tão compenetrada com o capitão América e a moto do irmão, fiquei vidrada na sensação de que ela estava feliz por estar brincando com ele, por saber que para ela, pouco importa o sexo que aquele objeto estimula ou representa, por ver ele deixar ela mexer nos carrinhos e bonecos dele sem separação, sem maldade, sem estipular um padrão, sabe? Porque será que a gente perde essa inocência quando se torna adulto? Porque a gente se deixa influenciar pelos padrões impostos pela sociedade? Como mãe, torço para que eles continuem assim, quero ser capaz de dar asas à imaginação deles dois pois sei que nenhum brinquedo ou cor serão capazes de determinar a personalidade ou a sexualidade que eles terão. Por isso, ela vai brincar com carrinho sim e, se quiser, com bonecas também. Para mim, a única coisa que importa é que tenham saúde e que sejam humanos, de corpo, alma e coração, na melhor versão que puderem oferecer.

 

 

 

Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba!

E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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