Deise Luz indica 5 filmes para recuperar a fé na humanidade

“São tempos difíceis para os sonhadores”

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Não está fácil pra ninguém. Quando se liga a TV, quando se ouve o rádio, quando se acessa a internet ou se checa as redes sociais, lá estão elas: as notícias ruins. Na rua, na fila do banco, nas esquinas, em todos os cantos, lá estão a corrupção, a falta de educação, a violência, o medo, a ganância, a desigualdade. Claro que existem, também, notícias boas e gestos louváveis, mas, há de se convir: “São tempos difíceis para os sonhadores”, como dizia uma personagem do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”.

Deise Luz é fascinada por cinema
Deise Luz é fascinada por cinema

Pensando no poder que a arte tem de nos fazer esquecer, ao menos por alguns instantes, as dores do mundo, o Camaçari Mulher pediu para a professora de sociologia do Colégio Mascarenhas, Deise Luz, de 27 anos, indicar alguns filmes capazes de nos fazer acreditar em dias melhores. Deise, que mantém no instagram a conta @todososfilmes, desempenhou a tarefa com maestria. “Que bom que ainda temos na magia do cinema um antídoto que nos faz rir, chorar, nos emocionar e, em muitos casos, despertar aquela fé na humanidade que volta e meia acaba adormecida”, comemora.

Receita-se contra a desesperança:
Intocáveis1. Intocáveis (Intouchables, Eric Toledano e Olivier Nakache, 2011): A associação inesperada entre Philippe (Françoise Cluzet), um milionário tetraplégico que precisa de cuidados especiais, e Driss (Omar Sy), um senegalês que vive na França e não tem qualquer preparo para a função, é o ponto forte do filme. Difícil não se deixar conquistar pela química e extremo carisma dos atores ou se sentir tocado pela história. O filme nos mostra que senso de humor nunca é demais e também o poder que a amizade tem de superar as diferenças sociais. Duvido você não terminar o filme “feeling good”, como canta Nina Simone numa das canções que compõem a trilha sonora.
2. Questão de Tempo (About Time, Richard Curtis, 2013): Quer passar duas horas da sua vida suspirando com uma história de amor singela e engraçada?Questão de Tempo Assista “Questão de Tempo”. O filme conta a história de um rapaz que herda o dom da família de viajar no tempo e decide usá-lo para conquistar a mulher que ama. Já vimos essa história antes? Já sim. Mas duvido que com a leveza e o humor deste filme. Filmes escapistas, daqueles em que você fica esperando um grande conflito e ele não vem, ou daqueles em que o grande conflito nem é tão grande assim, são necessários de vez em quando. O personagem de Domhnall Gleeson é, provavelmente, o melhor e mais charmoso mocinho de comédia romântica em tempos.
Chef3. Chef (Chef, Jon Favreau, 2015): Este é para mim o feel good movie dos feel good movies. Se eu chamei “Questão de Tempo” de filme leve, em que os conflitos não são grandes conflitos, “Chef” faz o primeiro parecer um drama super denso. Jon Favreau interpreta um chefe de cozinha que se cansa dos limites impostos pelo dono do restaurante onde trabalha e decide conquistar sua liberdade criativa vendendo sua própria comida num trailer. “Chef” foi o filme que mais influenciou meu estado de espírito e me fez feliz nos últimos tempos, e estou sempre indicando-o a outras pessoas pra que elas fiquem felizes também. Bônus: muitos closes de queijo derretido e comidas gostosas!
4. O Sol é Para Todos (To Kill a Mockinbird, Robert Mulligan, 1963): Este filme inspirado no clássico da literatura conta a jornada de Atticus Finch, O Sol é para Todosadvogado que, no Alabama dos anos 1930, numa região fortemente racista, ousa defender Tom Robinson, um homem negro que é acusado de estupro. Apesar do tema sério, a história é contada a partir da perspectiva dos filhos de Atticus, Scout e Jem, o que é de uma delicadeza apaixonante. Um filme que nos lembra de como a desigualdade social só envenena as relações humanas e do quanto é importante nos mantermos firmes em nosso ideais. Uma das minhas passagens favoritas do livro que inspirou o filme é dita por Scout ao irmão: “Olha, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: gente”.
O que nós fizemos no nosso feriado5. O Que Nós Fizemos no Nosso Feriado (What We Did In Our Holiday, Andy Hamilton, Guy Jenkins, 2014): Mais um filme que se realiza pelo olhar de crianças, “O Que Nós Fizemos no Nosso Feriado” se torna especial por nos lembrar de como o olhar infantil sobre a vida precisa ser valorizado. A história começa com a tentativa de Doug e Abi de esconder que estão se divorciando durante uma reunião familiar, mas o melhor fica por conta da relação de afetividade e sintonia entre os filhos do casal e o seu avô, visto pelos demais parentes como excêntrico e maluquinho. Sensível, delicado, leve e engraçado, é o tipo de filme que nos ensina várias lições.

cmulhermenor

Esse texto foi escrito por Claudia Magnólia. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Magnólia! Mas não deixe de expressar a sua opinião 😉

E-mail: claudiamagnolia@camacarimulher.com.br

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