Devolvam nossas comédias românticas!

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Dia desses, num grupo do facebook, comentaram sobre a escassez de comédias românticas na atualidade e eu fiquei tipo “uéééééé, verdade!” Não tinha me dado conta do sumiço deste gênero dos cinemas.

As tão amadas quanto odiadas comédias românticas povoaram as locadoras, Sessões da Tarde e também a sua infância e adolescência, principalmente se você cresceu entre os anos 1990 e 2000. Nestas décadas tratava-se de um gênero extremamente prolífico. E por mais que os haters (normalmente do sexo masculino, né) insistam que os roteiros são todos iguais, a gente sabe que não é bem assim!

Antes bem servidas de um gênero tão abundante, nos vemos agora sem muitas opções. O que fazer quando bate aquela vontade de ver uma boa e velha comédia romântica? A última em que me arrisquei foi O casamento do ano, de 2013, que além de ruim, ainda achei bem racista. Até mesmo os filmes de terror, depois de muitos anos mergulhados na mesmice, têm se saído melhor, protagonizando atualmente um resgate criativo.

A bem da verdade, também se tenta resgatar as comédias românticas, mas, ao que parece, num formato diferente, numa tentativa de acompanhar a evolução dos tempos, a mudança da sociedade e do público consumidor. Podemos amar as comédias românticas do jeito que elas são (assim como Darcy ama Bridget Jones do jeito que ela é <3), mas não dá pra negar que elas traziam bastante estereótipos ao representar mulheres quase sempre perfeitas, cujas vidas se resumiam basicamente à busca pelo homem ideal. Outro problema era a quase inexistente diversidade étnica e estética.

Assim, filmes como os recentes Perfeita é a mãe e Como ser solteira, ambos de 2016, procuram redefinir o gênero, apostando em relacionamentos e personagens menos estereotipados, mais modernos e menos conservadores. Mas posso ser realista? Mesmo sendo feminista e apoiando esse movimento de desconstrução dos ideais de perfeição, a meu ver estes filmes não supriram a lacuna que as comédias do passado deixaram. Faltam boas histórias, faltam bons personagens, faltam ícones do gênero que unam todas as tribos assim como foram Julia Roberts, Kate Hudson, Renée Zellweger. Faltam filmes que nos façam companhia naqueles momentos em que só queremos espairecer, rir, chorar ou não pensar em nada. Queremos, enfim, as nossas comédias românticas de volta!

PS: E enquanto elas não voltam, fica a dica de que ali pertinho, na Netflix, estão algumas das melhores e mais clássicas comédias românticas. Dentre elas, destaco Sintonia de amor (1993), Escrito nas estrelas (2001) e Três mulheres, três amores (1998). E não precisamos ficar só nos clássicos: o novo Bridget Jones (2016), para alívio geral, foi bom! Além disso, se Hollywood não nos dá o que queremos, podemos procurar em outros lugares: como no cinema independente e no cinema de outros países, como França e Argentina, que podem nos dar boas alternativas.

Deise Luz é colunista do Camaçari Mulher e só queria ver todos os filmes do mundo. Não é crítica e nem estuda cinema. A função que melhor ocupa é a de uma espectadora fiel, dedicada e ansiosa. Para ler mais textos de Deise, clique no nome dela ali em cima 😉

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