Dica de filme: Sing Street

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Seria exagero meu dizer que o diretor John Carney inaugurou o próprio gênero, mas que os filmes dele são cheios de personalidade e facilmente identificáveis, ah eles são sim! Do que ele já dirigiu, conheço três: Apenas uma vez (2007), Mesmo se nada der certo (2013) e Sing Street: música e sonho (2016). Todos envolvem amor e música.

Eu gostei um pouco de Apenas uma vez, amei incondicionalmente Mesmo se nada der certo e quando achei que esse homem não poderia fazer nada melhor, veio Sing Street. Não é sem um pouco de constrangimento que admito que vi o filme sorrindo sozinha bobamente. Como boa filha da sociedade dispersa pela tecnologia em que vivemos hoje, quando assisto filmes volta e meia eu interrompo pra olhar o whatsapp, o instagram, o facebook. Mas com Sing Street não conseguia tirar os olhos da tela, exceção da interrupção pra escrever pros amigos no whatsapp QUE ELES TINHAM QUE VER ESSE FILME, assim em caps lock. Louca de empolgação que estava também escrevi algo do tipo kkahkahuwtynosqhuaaljquyek, mas não tem tradução.

Como pra convencer alguém a ver um filme a gente precisa falar do que acontece nele (e parece que eu só lembrei disso agora, na metade do texto), lá vai: Sing Street conta a história de um adolescente chamado Conor que é obrigado, por questões financeiras, a mudar de escola. A nova escola é terrível e os alunos são selvagens (provavelmente a imagem que as pessoas tem em mente quando digo que sou professora. Spoiler: não é assim). Mas aí ele conhece uma garota maravilhosa e quer impressioná-la. Mas ela não tá impressionada. Aí ele diz que tem uma banda. Mas ele não tem. Aí ele ainda diz que vai gravar um clipe e precisa dela. Só que não existe clipe e não existe banda. Mas não seja por isso, ele começa uma.

Ok, você me pergunta, é a típica situação garota conhece garota das comédias românticas, o que tem de especial nisso? E aí eu digo que: esse filme é divertido, tem músicas ótimas (autorais ou não), é engraçado e bem feito pra caramba, e flui e não é entediante, e lembra os filmes de John Hughes com um pouco de Escola de Rock. Mas mais do que isso eu gostei TANTO de Sing Street porque a meu ver é a história de quem consegue mudar a realidade quando a realidade é chata. Conor poderia apenas deprimir-se ou desesperar-se com a nova escola onde as pessoas só querem bater nele, mas por que não começar uma banda? Por que não subverter aquilo que é dado pra gente como realidade? Por que não fazer algo melhor? Por que não inventar? Eu acredito muito nessa mensagem e me identifiquei com ela. E espero que você se identifique também e se divirta vendo o filme. Ou isso ou eu garanto o seu dinheiro de volta.

Deise Luz é colunista do Camaçari Mulher e só queria ver todos os filmes do mundo. Não é crítica e nem estuda cinema. A função que melhor ocupa é a de uma espectadora fiel, dedicada e ansiosa. Para ler mais textos de Deise, clique no nome dela ali em cima 😉

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