Elas por ele: Decifra-me ou devoro-te

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Erramos quando rotulamos as pessoas. Afirmo isso não apenas porque rotular as pessoas é errado. O que quero dizer é que este não é um método eficiente para definir ou descrever um ser humano com todas as suas singularidades infinitas. Todo rótulo carrega na própria essência uma margem de erro enorme. O conteúdo de uma embalagem não é exatamente igual ao da outra ou corresponde em cada medida com a carga de preconceitos que geralmente o rótulo sugere.

É incômodo como isso parece não importar. Pois, mesmo assim, saímos por aí marcando as pessoas com nossos carimbos invisíveis antes mesmo de conhecê-las. Basta termos uma única informação sobre o indivíduo e já nos achamos capazes de dissecar seu caráter.

Geralmente, adotamos um de dois extremos. Se é um atleta, talvez o apontemos como um exemplo de cidadão que ocupa o seu tempo com uma atitude saudável ou, quem sabe, instintivamente, concluamos que ele não seja um apreciador de literatura e que suas notas no ensino médio não eram boas. Se é morador de um bairro, que aparece frequentemente no noticiário policial, deve ser parente de traficante ou uma vítima de opressão digna de solidariedade. Se é um ateu, podem olhá-lo como um ser de mente aberta e ideias ousadas ou como um intolerante perseguidor. Se é um religioso, seria um provável alienado que nunca se diverte ou alguém em quem se possa confiar. É preciso entender que, em todos os casos, o cidadão em questão pode não ser nem uma coisa nem outra.

O mundo seria um lugar bem melhor se nos déssemos ao trabalho de conhecer as pessoas ao invés de julgá-las com base em características que, por si só, são incapazes de determinar a totalidade do que são. Isso também se aplica aos rótulos comumente atribuídos tendo como referência o gênero. Mulheres e homens são, ao mesmo tempo, muito diferentes e muito semelhantes. Embora tenham dificuldade de compreender um ao outro, na maioria das vezes elas e eles querem exatamente a mesma coisa. Até mesmo algumas características anatômicas podem ser colocadas em xeque, bem como a força física, muitas vezes citada como um consenso de que é maior nos homens. Mas não cabe nos dedos a quantidade de mulheres que me superam no supino reto, por exemplo.

Da mesma forma, é um equívoco rotular alguém como insensível e indigno de confiança só por se tratar de um homem. Deve-se, no mínimo, esperar que o indivíduo manifeste alguma atitude babaca antes de classifica-lo dessa forma. Assim, evita-se que uma injustiça seja cometida contra as boas almas do gênero masculino (não é lenda, existem mesmo). Inocente até que se prove o contrário, sustenta o princípio jurídico.

Vamos deixar os rótulos para os produtos disponibilizados nas gôndolas das casas de varejo, embora nem nesse caso eles sejam sempre totalmente verdadeiros. Todo ser humano é uma caixinha de surpresas e é nessa odisseia pelo desconhecido que mora a diversão (ou não).

Esse texto foi escrito pelo colunista do Camaçari Mulher, Wesley Sobrinho, único homem no meio dessas feras. Para ler mais textos desse jornalista que também é poeta e que também é um cara belo, recatado e do lar, clique naquele nome rosa ali em cima 😉

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