Eterno enquanto dure…

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Vou contar uma história pra vocês. Uma historinha toda hipotética. Apenas mais uma (fábula) de amor.

Imaginem que um dia, despropositadamente, uma garota conhece um cara em um bar. Assim, sem superprodução, sem planejamento, entregando a vida ao acaso. E daquele dia em diante, a vida dessa garota nunca mais foi a mesma porque ele se tornou mais que um cara sentado numa mesa de um bar que pediu seu telefone: ele, pouco tempo depois, se tornou o amor da sua vida.

Imaginem que os dias seguintes àquele foram os incríveis dias de uma pessoa que, até ali, nunca tinha vivido tanta cumplicidade, carinho e alegria. Até ali, nada tinha sido tão intenso. E dias assim não são facilmente esquecidos, vocês sabem. Não esquecemos a voz, o olhar, muito menos o cheiro. Esse, a gente sente só de pensar. Mas felizes para sempre são méritos exclusivos de filmes e livros. Mesmo que hipotética, nossa história tem contornos reais. Se nosso filme/livro ficcional tivesse acabado ali, com um jovem casal apaixonado traçando planos e seguindo juntos, ok. Mas, como um dia vem depois do outro, a vida continuou, o casal se separou. Como tantos outros, distância, trabalho, objetivos, desencontros. A gente se depara com coisas assim todos os dias. Era amor, era forte, mas a vida não se alimenta só disso, não é mesmo?

Coisa de alguns meses, poderia-se dizer. Mas depois dessa história de amor, a garota do bar nunca mais foi a mesma, eu falei a vocês. Se hoje ela encara a vida, se não tem medo, ilusões ou se não confunde mais carência com paixão, é porque sabe que o grande amor, aquele que leva tudo consigo, que pára o mundo e torna difícil até o ato de respirar, ele existe. Já veio e já foi, é verdade. Mas sem desmerecer todo o resto, quem sentiu amor assim não se abala ao sentir algo menor.

Pode não parecer, mas é caso passado, definitivamente enterrado… só que jamais esquecido. O intuito de contar a vocês essa historinha não é voltar no tempo. É passar um recado: vivam!

Vivam, independente do que aconteça. Começamos com data para separar desde o primeiro dia. E se eu tivesse dito “não, não vou viver isso porque sei que não tem como dar certo”? Se eu tivesse feito isso, não conheceria esse sentimento. Dos momentos a gente desfruta e com eles a gente aprende. Sabe aquele outro texto que escrevi falando de ser solteira e da forma em que isso seja escolha, não efeito colateral? Se hoje eu sou convicta, tenho tanto autoconhecimento, valorizo minha companhia, é porque a fábula do grande amor me mostrou que coisas assim acontecem. A gente merece que aconteçam. E não é porque acabou que não foi bom. Não é porque acabou que não foi final feliz. Não é porque acabou que não foi de verdade, com força. Amores fortes assim merecem o nosso tempo, mesmo que não sejam eternos. Vivam cada detalhe. E nunca se lamentem se chegou ao fim, não diminuam seus sentimentos. Foi eterno enquanto durou.

Enquanto durou.

Depois, virão outras boas histórias, outros bons finais felizes. O meu veio uns quatro meses depois desse em forma de descobrir Maria Fernanda. Outro amor, nada a ver com o primeiro. Sublime, diferente. Nós amamos de diferentes formas diferentes pessoas. Essa história, como eu disse, é totalmente hipotética. Mas imaginemos por um instante que tenha sido real, que eu realmente tenha conhecido um cara num bar que ainda frequento em um 14 de junho desses. Muitos podem se perguntar ou me perguntar: por que acabou? Porque aceitar que acabou? Porque sim. Tão importante quanto reconhecer a existência é a importância de reconhecer quando chega ao fim. E a vida segue, tudo muda, mas é libertador porque foi sentido à flor da pele, porque foi vivido e porque foi dito.

B

Simplesmente vivam esses grandes amores. É uma vida só que temos e ela tem a bela humildade de adquirir fragmentos da vida de pessoas que passam pela nossa, que é o que vai moldando quem somos, quem nos tornamos.

Enfim… era essa a lição. Mesmo que tudo isso não passe de uma história hipotética, ok?

Camila Mandarino, vinte e tantos anos. Mãe de Mafê, da westie Lily e de quatro peixes, é formada em Publicidade com MBA em Comunicação Corporativa. Como uma boa capricorniana com ascendente em Áries, não perde a oportunidade de falar, escrever e opinar sobre tudo e sobre todos, sabendo que a verdade pode não ser fácil. Mas é libertadora.

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