Eu acredito fielmente no poder de um batom

Maquiagem é poder dar vida às milhares de mulheres existentes dentro da gente

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batons-colecaoPor mais fútil que pareça falar sobre maquiagem, eu defendo que a arte de se maquiar vai muito além da futilidade e da insegurança. Maquiagem é vida e, para alguns, uma necessidade. É inacreditável que em plenos 2016 há quem resmungue que mulher maquiada é fútil, vulgar, insegura, artificial e outros adjetivos desqualificantes. Mais lamentável ainda é quando o comentário parte de outra mulher.

Lembro que eu era pequena e minha mãe não saía de casa sem o batom Neon Maravilha da Avon, um fúcsia cintilante (a embalagem era verde, cheia de frisos horizontais) e eu sonhava com o dia que eu também pudesse usar um batom. A verdade é que a adolescência chegou e com ela foi embora todo e qualquer vestígio de vaidade. Adepta do estilo rock and roll, adorava vestir preto e quando raramente me arriscava nos pincéis, era para usar nos lábios qualquer coisa que fosse vermelho e só. Às vezes, usava um lápis preto fazendo o contorno da boca… Socorro! Quem inventou essa moda? Ainda bem que a gente evolui.

“Mas maquiagem transforma a mulher em outra pessoa”. Transforma sim. Não há crime algum em acordar de manhã, se olhar no espelho e achar que vai melhorar a aparência pálida matinal ao colocar um blush. Não há problema algum se a mulher quiser pesar a mão na make e parecer “femme fatale” num jantar especial com o boy magia. Não é pecado a gente dar aqueles retoques imperceptíveis com corretivo e rímel, do tipo “eu nasci assim”. Como também não é nenhuma aberração a gente conviver com a pele linda, leve e solta. Somos livres para fazer nossas escolhas e ser quem queremos ser, com ou sem maquiagem. Se a maquiagem apodera e dá confiança, porque não usar desses artifícios? Maquiagem é isso. É poder dar vida às milhares de mulheres existentes dentro da gente.

Há quem não saia de casa sem maquiagem, há quem só use de vez em quando. É esse o encanto de se maquiar. A gente decide quando e como quiser. Eu parto da máxima que na maquiagem pode tudo, desde que você esteja confortável com ela e se sinta linda e segura.

Se eu erro ou exagero? Claro! Mas quem nunca errou? Um exemplo clássico é sair de casa parecendo ter tomado um “tapa na cara”, ou com um lápis borrado. Errar faz parte do processo de aprendizagem. E nada me dá mais prazer do que sentar na frente da minha bancada e poder usar e abusar das cores até cansar. Quem disse que maquiagem também não é brincadeira?

Se eu me acho feia sem maquiagem? Claro que não, mas a maquiagem me deixa muito melhor, certamente. E como falado lá no inicio, é uma pena que nem todas as mulheres evoluíram o suficiente para entender esse mundo tão fascinante. A maquiagem não deve ser uma condição e sim uma escolha. Maquiagem não é escravidão, muito pelo contrário: maquiagem é libertação. E nós, mulheres, vamos acabar com esse discurso mesquinho e ultrapassado de que somos fúteis, artificiais e vazias porque “nos escondemos atrás de um reboco”.

Eu ainda afirmo que não há nada melhor no mundo para curar um coração partido do que um brigadeiro e um batom! E tire a prova: só um batom novo fará você acreditar que pode sair por aí e dominar o mundo.

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elaine-lima

Esse texto é de autoria de Elaine Lima,  amante de gatos, boas músicas e excelentes companhias e batons vermelhos. Chata por natureza, aprecia sem esforço um bom livro, um vinho ou um filme. Casada e mãe de duas felinas Neném e Phoebe, acredita que pode dominar o mundo quando usa um batom novo e mantém controlada a Drag que vive dentro dela.

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