Filmes com mulheres fortes

Muitos dos filmes que existem por aí mal dão destaque, complexidade ou sequer personalidade às suas personagens femininas

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Já que este é o primeiro texto que publico nesta coluna, acho que ainda é válido prolongar o clima de apresentação: além do que já foi dito, que me chamo Deise e amo cinema (e que é tipo o essencial sobre mim), também sou feminista. E, além de ser feminista, sou ainda uma pessoa muito empolgada. Isso significa que se de início eu já estava animadíssima por integrar o Camaçari Mulher (afinal, conhecendo Claudia Magnólia, isso aqui só poderia ser coisa boa), a empolgação só foi crescendo conforme eu ia conhecendo o conteúdo do site e suas pautas marcadas pelo incentivo ao protagonismo e empoderamento feminino. Assim, é uma grande satisfação integrar esse espaço e eu estou dando pulinhos de empolgação enquanto escrevo isso (não nego, nem confirmo que essa informação pode ser literal).

Daí, baseada nisso, pensei que estaria afinada com o conteúdo do site se começasse a minha coluna falando de filmes com mulheres fortes (fortes como as mulheres que têm feito e aparecido aqui no Camaçari Mulher). Escolhi este título porque “filmes com mulheres fortes” é o nome de uma categoria que costumava aparecer na Netflix. E se pensarmos que muitos dos filmes que existem por aí mal dão destaque, complexidade ou sequer personalidade às suas personagens mulheres, colocando-as como adereços à vida masculina ou fazendo-as incapazes de falar de qualquer outro assunto além do assunto ‘homens’, é bom saber que há um esforço no sentido de facilitar o acesso às produções que vão numa direção oposta. A seguir, algumas indicações. Espero que gostem!

 


1. Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice, Joe Wright, 2005):

orgulhoiepreconceitoNão tinha muito jeito de eu não citar a adaptação pro cinema do meu livro favorito da minha escritora favorita. Jane Austen foi uma mulher definitivamente à frente de seu tempo, o que se percebe pela postura de suas heroínas, dentre as quais se destaca Elizabeth Bennet. Lizzy é uma personagem, que apesar de sua pouca idade e da época em que vive (final do século XVIII), está sempre dispensando olhares e comentários afiadíssimos e críticos à sociedade, desafiando costumes e padrões de comportamentos, e lutando para fazer suas próprias escolhas. Na adaptação de 2005, que capricha em ambientação, roteiro, direção e elenco, Keira Knightley captura bem o “espírito” desafiador, inteligente e atrevido da personagem.

2. A Um Passo do Estrelato (20 Feet From Stardom, Morgan Neville, 2013)irresistible

Muito se fala das grandes cantoras, cantores e bandas que fizeram história na música, entregando hits e influenciando culturalmente diversas gerações. Mas pouco se fala nos artistas que estiveram nos bastidores, como as vocalistas de apoio. A Um Passo do Estrelato, documentário ganhador de um Oscar, nos mostra um mundo de injustiças com estas vocalistas que muitas vezes nada deviam, em termos de talento, aos artistas para os quais trabalharam, mas acabaram não chegando ao estrelato ou, o que é pior, tendo seu crédito negado e até mesmo suas vozes usurpadas pela indústria fonográfica. Vale a pena assistir e conhecer as vidas dessas mulheres e também as histórias por trás dos vocais de apoio de músicas como Gimme Shelter, dos Rolling Stones.

brooklin3. Brooklyn (Brooklyn, Jonh Crowley, 2015)

Brooklyn conta a história de Eileen (Saoirse Ronan), uma garota irlandesa que se muda para os Estados Unidos nos anos 1950. O que o filme nos promete em seu trailer que Eileen se verá dividida entre dois amores, um nos EUA e outro na Irlanda. Esse conflito romântico da trama eu achei subaproveitado. Mas não tem problema, porque a meu ver o romance não é a alma do filme, mas sim um pano de fundo, metáfora pra divisão de Eileen entre sua terra natal e sua nova casa. O melhor do filme é acompanhar a transformação da personagem de menina tímida e deslocada para mulher segura. E isso é tocante. Uma jornada que é contada da forma mais delicada e bonita possível.

Deise Luz é colunista do Camaçari Mulher e só queria ver todos os filmes do mundo. Não é crítica e nem estuda cinema. A função que melhor ocupa é a de uma espectadora fiel, dedicada e ansiosa. Para ler mais textos de Deise, clique no nome dela ali em cima 😉

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