Filmes são presentes

Filmes são especiais, carregam consigo histórias e lembranças, como todo presente

por

Recentemente precisei comprar um notebook novo. Muitas visitas a diferentes lojas e uma longa caminhada depois, finalmente encontrei o candidato perfeito. Quando estava quase certa da escolha o vendedor me informou que o modelo não tinha entrada para CD e DVD. “Hoje em dia a maioria das pessoas conecta diretamente na TV”, disse ele. Se eu comprei? Comprei. Afinal, era lindo, e esse é meu critério fundamental na hora de comprar eletrônicos. Mas não sem aquele receio, que inclusive comuniquei ao vendedor, dos meus DVD’s ficarem sabendo e acharem que eu os estava traindo.

Vivemos na era dos filmes online, da Netflix, dos aplicativos. Acho ótimo, acho prático. Não quero bancar a chata saudosista que vê muito mais desvantagens do que vantagens nas mudanças que a Internet nos traz. Se fôssemos todos nostálgicos inflexíveis, estaríamos rebobinando fitas VHS até hoje.

Eu sei que muita gente ainda compra DVD e que as prateleiras das Americanas e livrarias continuam abarrotadas deles. Os colecionadores e cinéfilos, mesmo no futuro, dificilmente abandonarão o hábito, mas dá pena de que cada vez mais, este hábito corra o risco de perder força. Eu mesma, cinéfila, há um bom tempo deixei de dar prioridade à minha lista de “filmes para ter em DVD” e já não me lembro se comprei algum este ano.

Filmes são especiais, são presentes, carregam consigo histórias e lembranças, como todo presente. Nas minhas prateleiras tenho não apenas diferentes DVD’s mas também diferentes recordações. O documentário sobre Machu Pichu que ganhei do meu pai há anos e que devo ter visto uma vez na vida, mas como veio do meu pai, não me desfaço. O filme de Roman Polanski, Lua de Fel, que ganhei do meu primo e que, na verdade, era da minha tia. Ele nem tinha o direito de me presentear, mas eu fingi que não entendi a situação. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e A Delicadeza do Amor, ganhei de Claudia Magnólia, graças a quem estou escrevendo este texto aqui. Da minha mãe vieram vários, de Grease a Bastardos Inglórios. Do meu namorado, o box completo de Friends. Dos que ganhei de mim mesma, outros mais: aquele que reúne Questão de Tempo e Simplesmente Amor (uma ideia brilhante), coleções de Marilyn Monroe e Audrey Hepburn e muito cinema clássico. Como nem tudo são flores, uma ou outra história mal sucedida. Teve aquele caso do filme que comprei às cegas e era tão ruim, mas tão ruim, que tentei doar para uma locadora de filmes, mas o dono negou.

Sei que as tecnologias e diferentes suportes convivem. Exemplo disso são os livros físicos e os digitais. Mas me pergunto se os filmes deixarão de ser presentes. É que eu realmente acho muito especial ganhar de presente o DVD daquele filme que amei e quero ter comigo, ou daquele outro que é super raro e difícil de encontrar, embaladinhos em papel de presente. E isso não se reproduz com um link para um filme online.

Deise Luz é colunista do Camaçari Mulher e só queria ver todos os filmes do mundo. Não é crítica e nem estuda cinema. A função que melhor ocupa é a de uma espectadora fiel, dedicada e ansiosa. Para ler mais textos de Deise, clique no nome dela ali em cima 😉

Comentários

comments

Leia Também