Joana é minha filha. Deus quis e sou muito grata por isso

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Tudo começou quando uma amiga, que também era mãe adotiva, trouxe para o Brasil um casal (Elke e Roland) para tentar a adoção. Infelizmente, ela não teve êxito. Ficamos muito tristes, mas decidi me empenhar para conseguir uma criança para ela. Falei com várias pessoas, o tempo passou… até que, finalmente, encontramos.

No dia 23 de dezembro de 1999, telefonaram para minha casa informando que a criança havia nascido e que era uma menina. Eu e Osmar (então meu marido) fomos ao hospital ver a criança. Para minha surpresa, nunca vi olhos tão meus. Apaixonei-me, eu e a mãe biológica imediatamente tivemos a certeza de que nossas vidas não haviam se cruzado por acaso. A mãe me entregou a criança e, feliz, dizia: “ela é a mãe adotiva!”.

Ainda no hospital ligamos para Elke informando que havia nascido uma garota em ótimo estado de saúde e que a mãe queria fazer a adoção. Ela, porém, estava sem condições de vir ao Brasil, mas iria falar com o esposo e só então nos daria uma resposta. Era antevéspera do Natal, eu e Osmar já estávamos com as bagagens prontas para viajar. A mãe não havia levado nenhum objeto pessoal ou para o bebê. Fomos ao supermercado, compramos uns itens, levamos a mãe e a criança para nossa casa. A mãe biológica, porém, ficou constrangida e pediu para ir embora, talvez com medo de se apegar. A levamos para casa e fomos para a casa da minha mãe, todos queriam que adotássemos “a menina”. Meu coração estava cheio de alegria.

Porém, tudo dependia da ligação de Elke. Na verdade, tudo dependia do destino.

Joana e a bisavó, Joaninha

Para nossa surpresa, no dia seguinte, ela ligou informando que não tinha como vir. Aí sim veio a certeza, cheia de incerteza: é minha! O pai, ainda muito cético, perguntou: “tem certeza?”. Era um presente de Natal! Um presente de Deus. Osmar foi para São Paulo e eu fiquei para cuidar da minha filha. No primeiro dia útil fomos ao cartório registrar Joana Otero, filha de Sheila. Com a volta de Osmar, procuramos o Juizado de menores e iniciamos o processo de adoção, que foi concluído com sucesso oito meses depois.

O amor é difícil de explicar, é um sentimento abstrato. Porém, quando alguém diz “amo meu filho”, é um amor diferente de tudo, é um amor de mãe, e eu sou mãe integral. Quando Juju veio para mim, foi como uma luz na escuridão, ela passou a ser parte de mim. É isto: um filho é uma parte de nós. É uma parte vital, é uma metade de nós.

Ser mãe é desistir de sermos nós, é dividir a si mesmo e cuidar da outra metade para a metade superar a gente. Ser mãe é doação sem esperar nada em troca e esperar tudo, é dar a vida. É soprar o melhor de si. E em cada sorriso do filho (sua metade) sentir-se realizado, em cada tristeza do filho (sua metade), sentir um nó na garganta, e só pensar em socorrer. Mesmo que estejamos prejudicando. Por que nossa metade é o todo de nós. É isto que sinto por meu bebê Juju. E um dia quero dizer a ela. Espero que ela entenda e que seja feliz por isto. Por ser minha metade e parte de mim, sua mãe, mesmo que por força do destino, adotiva.

Adotar significa tomar, escolher, seguir, admitir como filho ou filha, conferindo ao adotado os direitos legais. Tomar conta de uma criança e tratá-la como sua. Tecnicamente, a expressão “adotar” não tem nenhuma relação com o que escrevi, não conferi à minha Juju só os direitos legais ou a tomei como minha. É muito mais que isto. E não há palavras para justificar o amor à sua metade, à sua parte. Só Deus sabe. Ele, que é o grande Pai adotivo. Algumas pessoas dizem: Deus vai te abençoar por sua ação. Acho tudo bobagem.

Deus me abençoou no dia em que nasci metade de minha mãe, que é cúmplice da minha trajetória. E Juju veio para me dividir: eu sou cúmplice da minha filha e parte dela. Eu sou a mãe de Joana antes dela ser um embrião, eu sou a mãe de Joana antes de tudo. Ela veio para ser minha metade e continuar a história de minha mãe e minha avó Joaninha. Somos uma história de amor abençoado para todo o sempre. Sou sua mãe desde a gestação, o parto, e a vida toda. Nossos laços e cordão umbilical foram atados pelo criador antes de tudo. Como num conto de fadas com um final cheio de amor.

Joana, a mãe, e a avó, Tia Bia

 

Texto de autoria de Acy Ferreira de Freitas

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