Carolina Britto mostra em Portugal “O que é que a baiana tem”

Carolina conseguiu montar um projeto que une culinária, música e cultura baiana

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Fotos: Carlos Coelho

Carmen Miranda retratou perfeitamente na sua música o que é que a melhor baiana de acarajé de Portugal tem. “Tem torso de seda tem (tem), tem brinco de ouro tem (tem)… E tem graça como ninguém…”

Carolina Britto, discípula de Cira, uma das mais famosas baianas de acarajé da Bahia, teve sua vida mudada da noite para o dia e há 13 anos encanta Portugal com sua simpatia, e com os sabores da nossa terra. Assim como a minha história, Carol também não planejou meses ou anos para sair do Brasil, foi assim mesmo, como ela conta, de uma hora para outra, que resolveu mudar sua vida por completo.
A baiana começou a trabalhar assim que chegou em Portugal, na cidade do Porto, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, em um restaurante da cidade, fazendo acarajé, bobó de camarão, moqueca, sarapatel e tudo que nossa culinária tem pra oferecer. O resultado de tanto amor pelo que faz veio logo de imediato. Com o sucesso da sua comida, recebeu o convite para fazer acarajés na residência oficial do embaixador do Brasil, em Lisboa, para a comemoração da Independência do Brasil, e foi a partir deste dia que as portas se abriram para a baiana, que foi contratada por um restaurante de Lisboa, no qual trabalha há 10 anos.

12193401_780399255398422_3971202963573397691_nDepois de anos conciliando a criação da filha pequena, com o trabalho no restaurante, Carol conseguiu realizar seu sonho: lançar um Projeto em que pudesse unir a culinária, com a música e expressões da nossa cultura. O evento é realizado em um dos bairros mais famosos de Lisboa, no Chiado, que parece muito com o nosso Pelourinho e está sendo um verdadeiro sucesso. Portugueses, franceses, ingleses, alemães… todos têm se rendido às maravilhas do “Acarajé da Carol”. Como resultado de esforços contínuos da baiana e sua equipe, a agenda está ficando lotada. Ela vai participar do Rock in Rio Lisboa 2016 e de eventos no sul de Portugal e França. Perguntada sobre os planos para o futuro, ela não esconde que quer ter um espaço só seu onde gente do mundo todo possa provar da culinária baiana e perceber o quanto a nossa cultura é maravilhosa.

Um fato curioso sobre essa baiana guerreira é que ela só consegue vender seus acarajés “toda trabalhada na sua vestimenta de baiana”: acessórios, perfume e sua roupa típica nunca podem faltar. “Sou baiana de acarajé com orgulho, essa é minha profissão e é o que eu amo fazer. Me arrumo toda, me perfumo e vou liiiiiiiiiiiiiinda representar minha Bahia para todos que prestigiam este evento”, conta.

Carol ainda nos revela que se sente muito incomodada pelo preconceito que os brasileiras sofrem. Infelizmente a imagem que se tem é de que a maioria das brasileiras que saem do Brasil chegam aqui para terem uma “vida fácil”.

Carol, eu e milhares de outras mulheres estamos aqui para provar que esse preconceito tem que acabar e que os sonhos alcançados são resultado de muita luta e força. E nada, absolutamente nada, vem fácil ou cai do céu.

Esse texto foi escrito por Janine Brandão, colunista do Camaçari Mulher. Para ler mais textos dessa baiana que traz a pimenta no sangue e o dendê no coração, clique no nome dela ali em cima e se jogue!

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