Maternidade real: não está sendo fácil!

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Você quer ser mãe? Mesmo? De verdade? Então senta aí que eu quero conversar com você. Me sinto na obrigação de lhe falar algumas coisas e, ao mesmo tempo, já lhe agradeço por ouvir meu desabafo… afinal, não se engane, maternidade, por vezes, é se sentir solitária mesmo cercada de gente e de ajuda. Mas, calma: embora nem tudo sejam flores, tudo vale a pena.

Repare: a gente cresce com ideia bem distorcida da realidade quando o assunto é ser mãe. Primeiramente #foratemer (ai, desculpa, foi mais forte do que eu!!hihi)…bem, primeiro que, para a maioria das pessoas, se você é mulher, então, nasceu pra ser mãe. Esqueça isso: a gente nasce para ser o que quiser. Se não quiser ser mãe, ok, beleza, tá tudo certo. Segundo que, uma das frases que a gente ouve muito é que ser mãe é padecer no paraíso. Desculpa colega, não existe paraíso. O que existe é muita ralação, muito suor e muitas lágrimas, de dor e de alegria, de desespero e angústia, culpa, um turbilhão de sentimentos que, graças a Deus, graças a Deus mesmo um milhão de vezes, encontram nesse amor incomensurável um alento para os momentos mais difíceis.

Dia desses, no supermercado, me senti julgada, mais uma vez, pela nossa cruel sociedade no quesito maternidade. Meu filho, que tem um ano e sete meses, estava no momento birra dele. É uma coisa linda, só que não: chora, se curva, se joga no chão, bate na cabeça, grita, berra, pinta o sete. Eu, aprendiz de mãe paciente que sou, ignoro, falo baixo, enfim, sigo todas as orientações da pediatra. Uma senhora passa por mim, me olha com desprezo, olha meu guri com cara de “se fosse meu filho, isso não acontecia”, e dá as costas. Juro por Deus que sou calma, que não tenho esse negócio de vingancinha, mas que me deu vontade de correr atrás dela, dar umas duas sacudidas e cantar pra ela isso aqui, deu:

Faz mais de dois anos que eu não sei o que é dormir uma noite inteira. Eu tenho dores de coluna que às vezes são terríveis. Tenho vontade de sair, ir numa pizzaria, num restaurante, sabe?! Mas quando penso que vou ter que ficar correndo atrás dessa coisa linda e cheia de energia o tempo todo, prefiro fazer algo em casa mesmo e tá tudo certo, porque aqui a gente corre sem preocupação!

Morro de vontade de viajar, mas, pera, deixa o bebê crescer mais um pouquinho e poder aproveitar a viagem também! Mas o pior mesmo é ver seu filho chorar e você tentar, de todas as maneiras, saber o que ele está sentindo, e não conseguir. É fazer de tudo para acalmá-lo e se sentir impotente. É não ceder aos dengos e caprichos, mas ficar com o coração na mão por causa disso. É vê-lo fazendo birra e se perguntar no que você está errando. É perceber que ele ficou com febre e se perguntar se é porque você deixou ele tomar banho de mangueira mesmo com o tempo nublado só porque era tudo o que ele mais queria. É você passar o dia todo pensando nele, mas de repente se dar conta que não mandou uma mensagem pra quem está cuidando (muito bem) dele pra saber se tá tudo bem e se perguntar que tipo de mãe você é. Porque tudo o que você gostaria era ser a melhor pessoa para a pessoa que você mais ama no mundo.

Mas quando se fala em maternidade, perfeição passa bem longe. Não tem nada a ver com comercial de margarina. Tem a ver com muita abdicação e muita raça. Com uma responsabilidade enorme. Tem a ver com um amor imenso e um medo muito grande também: o que acontece com meu filho se eu lhe faltar? Tem a ver com lidar com julgamentos, pressões, preconceitos, solidão. É difícil, sabe?! Muito difícil! Eu acho que se crescêssemos sabendo disso, lidaríamos melhor com essa culpa imensa que arrebata a maior parte das mães.

Então, meu conselho é: se você quer entrar nesse mundo, informe-se! Desromantize (existe essa palavra?) essa ideia utópica e ultrapassada de que ser mãe é padecer no paraíso, leia tudo o que puder sobre parto, puerpério, depressão pós-parto, cuidados com recém-nascidos, bebês, fases do crescimento… converse com outras mães, ouça suas experiências, tenha certeza de que quer gerar, parir, nutrir… ser mãe é uma escolha que deve ser feita de forma muito consciente. Se depois de analisar tudo isso, você ainda optar pela maternidade, então prepare-se para o maior clichê do mundo, que é esse amor mais forte e arrebatador do universo, o amor que vai te fazer sorrir e chorar, se sentir poderosa e ao mesmo tempo insegura, o amor que vai te transformar na melhor versão de você!

Ufa! É isso!

Beijos e até o próximo desabafo 😉

Esse texto foi escrito por Claudia Magnólia. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Magnólia! Mas não deixe de expressar a sua opinião 😉 E-mail: claudiamagnolia@camacarimulher.com.br

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