Filhos pelo mundo: mães de Camaçari contam como fazem para amenizar a saudade

Nem sempre é fácil lidar com a saudade dos filhos que vivem longe, pior ainda, quando eles decidem viver fora do país

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Pedir para uma mãe falar sobre a doce tarefa da maternidade, é coisa simples. Ouvi-la dizer o quanto se delicia em ser a super-heroína do filhote, de como se sente bem em saber que ele depende dela para organizar sua vida e que ela é, praticamente, o ar que ele respira, não requer nenhum esforço. Os olhinhos brilham e o orgulho de ser “A” mamãe, exala por cada poro.

Difícil mesmo, extremamente difícil, é fazer esta mesma mãe perceber que aquele filho que precisava tanto da sua proteção e do seu aconchego, está querendo voar sozinho, com suas próprias asas. O baque é grande, afinal, fazê-la perceber que o filho cresceu pode ser muito dolorido. O mundo começa a parecer grande demais, o instinto protetor fica aos berros querendo esconder a cria debaixo das asas. A verdade é que toda mãe deseja que o filho seja dono do seu próprio destino. Mas, ao mesmo tempo, ela quer que isso aconteça, de preferência, juntinho dela, por isso, nem sempre é fácil lidar com a saudade dos filhos que vivem longe, pior ainda, quando eles decidem viver fora do país. O que será que elas sentem? Como fazem para lidar com essa saudade? É o que respondem nossas entrevistadas.

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Neuza Clementino

A professora Neuza Clementino, 57 anos, é daquelas mães que criam os filhos para o mundo, que alimentam seus sonhos e não podam suas asas. Por isso, quando os filhos Natália e Arlan, passaram uma temporada fora do país, o orgulho da mamãe coruja era tanto que quase não havia lugar para a saudade e preocupação. “Natália foi para a Irlanda estudar e Arlan passou seis meses no Japão, a trabalho. Eu fiquei muito feliz por eles. Minha filha sempre teve esse desejo, batalhou muito por isso e conseguiu com seus próprios esforços. Ver meu filho avançando profissionalmente só me enchia de orgulho. Então, me senti realizada! Afinal, essas conquistas não deixam de ser resultado da criação que sempre lhes dei, preparando-os para o mundo, ensinado-lhes a voar com suas próprias asas e a encararem a vida com autonomia e independência”, relata. Para amenizar a saudade no período em que os filhos estavam fora, Neuza contou com dois grandes aliados: WhatsApp e Skype. “A gente se falava todos os dias, ou melhor, toda hora, através desses recursos tecnológicos. Nem dava tempo sentir saudades (risos). O melhor de tudo, foi ver o quanto essa experiência valeu a pena e transformou meus filhos em pessoas mais amadurecidas e bem mais seguras do que queriam para a vida”, conta a mamãe babona e cheia de orgulho.

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Arlan durante temporada no japão e Natália na Irlanda

 

Patricia Soares

E quando o filho ainda adolescente (e que para você é tão pequenino ainda) decide explorar outra cultura, completamente sozinho, com a cara e a coragem, e a bagagem cheia de sonhos? Quando o caçula José Cassiano, de apenas 16 anos, decidiu passar um ano fazendo intercâmbio na Alemanha, país onde nasceram verdadeiros gênios, a administradora Patrícia Soares, 42 anos, chegou a pensar que morreria de tanta saudade, no entanto, a “santa” tecnologia também deu uma mãozinha e, graças a ela, nem sentiu o tempo passar. “A gente se falava quase todos os dias, através do WhatsApp e Face Time. Era como se ele estivesse em casa ou logo ali, pertinho. Foi uma saudade bem suportável, graças a Deus. Independentemente dos temores que a gente sente, é importante saber que criamos os filhos para o mundo, por isso, não me arrependo de ter incentivado o sonho do meu filho. Tenho a certeza de que foi uma experiência incrível, inesquecível e que muito acrescentou em sua vida. E, certamente, ele não vai parar por aí, por isso, sempre poderá contar comigo, com o meu apoio”, aponta.

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José Cassiano na Alemanha

“Existe um texto, cujo autor eu desconheço, que diz que a gente só sabe que criou um filho da maneira como se deve criar, quando a gente (mãe/pai) se torna desnecessário na vida dele. Esse ‘desnecessário’ é no sentido de que o filho precisa aprender a se virar sozinho, ser independente, alguém capaz de tomar decisões, buscar seus próprios caminhos. Ou seja, precisa viver e criar sua própria história. É esta a nossa missão, como pais. Mas quando o filho não consegue isso, e fica preso aos pais, é porque nós, como educadores, não soubemos desempenhar nosso papel”. É o que pensa a escritora e professora de Literatura, Adriana Luz. Mãe de três filhos, Amanda, de 27 anos, Mateus, de 24, e Isadora de sete, viu seus filhos mais velhos começaram a escrever suas próprias histórias, quando decidiram fazer intercâmbio para estudar. Amanda passou quase dois anos nos EUA e Mateus passou um ano no Canadá. Hoje em dia, a jovem jornalista reside em São Paulo e Mateus, recém-formado em Medicina, faz residência no Paraná. Continuam distantes, mas o orgulho dessa mãe incentivadora é tão grande quanto os quilômetros que os separam. “Por mais que eu sinta saudade dos meus filhos, eu sinto o maior orgulho em ver os dois trilhando seus próprios caminhos, buscando realizar seus sonhos. Eu não seria uma mãe satisfeita se meus filhos não tivessem conseguido essa independência. Nós nos falamos quase que diariamente, por telefone, por mensagens, pela internet e, sempre que possível, nos vemos pessoalmente. A Isadora mora comigo, mas quero fazer por ela o mesmo que fiz pelos mais velhos: ajudá-la a se tornar um ser independente”, conclui.

Adriana Luz (ao centro) com os filhos mateus, Amanada e Isadora

Pois é mamães, um dia o filhote vai crescer, bater asas e voar, mas você nunca perderá a sua importância na vida dele, além disso, ele também vai sentir falta de tudo, até mesmo daquilo de que reclamava quando morava com você. A saudade, a ansiedade e a tristeza, são coisas com as quais você e ele terão de lidar. Por isso, se atualize em relação aos aplicativos tecnológicos que estão aí para diminuir a distância e sempre tenha em mente que essa experiência, com certeza, fará dele uma pessoa ainda melhor, mais madura e mais feliz.

pequeno

Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba!

E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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