O poder do perdão: conheça a história de Dona Maria e inspire-se!

Muito mais que um sentimento, o perdão é um somatório de sentimentos e ações capazes de transformar toda uma história ou até mesmo curar doenças físicas

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Alguns machucados, a depender da gravidade, podem levar bastante tempo para cicatrizar, principalmente, quando ocorrem na alma ou no coração. Para estes, na maioria das vezes, o único remédio eficaz é um dos mais difíceis de “tomar”: o perdão. Muito mais que um sentimento, o perdão é uma atitude que requer esforço, sinceridade, serenidade, vontade, resiliência, humildade, entrega, honestidade, um somatório de sentimentos e ações capazes de transformar toda uma história ou até mesmo curar doenças físicas, como já admitem pesquisadores, médicos e cientistas.

Religiosos atestam que o perdão, além de absolver e libertar aquele que errou, tem efeito ainda maior na vida daquele que é capaz de perdoar a quem lhe machucou. Os benefícios, além de espirituais, atingem o corpo físico também, curam doenças, “abrem caminhos”, fazem a pessoa mais feliz, rejuvenescem ou fazem “nascer de novo”, como atestam diversos líderes espirituais em seus sermões.

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Facilmente, as grandes tragédias e maldades que tanto assolam a humanidade, podem ser atribuídas à incapacidade de perdoar, de compreender que o outro pode errar e conseguir conviver com isso. E torna-se ainda mais difícil quando a parte que ofende não se arrepende ou persiste no erro. Mas, porque uma atitude tão bonita e com efeitos tão poderosos pode ser tão difícil? “Talvez seja porque perdoar é passar por cima de si mesmo, colocar o dedo bem em cima da dor e decidir que vai conviver com ela sem retribuir ao outro na mesma medida”, é o que explica a aposentada Maria Silva Coelho, 79 anos, ao contar um pouco de sua história.

536911_405180586276141_1717565324_nAos 23 anos de idade, quando se casou com Seu Edimundo, ela nem imaginava toda a história que estava por vir. Dona Maria conta que o marido sempre foi muito assediado pelas mulheres, mas, como a maioria das esposas de sua época, sempre soube lidar com aquele tipo de situação. “Eram coisas passageiras ou mesmo sem fundamento, nada acima ou maior do que o que tínhamos construído juntos”, recorda. No entanto, quando decidiram deixar a pacata Mairi, no interior da Bahia, em busca de um futuro melhor para os cinco filhos, em Camaçari, nove anos bastaram para fazer desmoronar a estabilidade no relacionamento do casal. “Meu esposo se envolveu com outra mulher e não foi um simples caso passageiro, ele decidiu viver com ela. Nossos três filhos mais velhos já tinham suas vidas adiantadas, já estavam casados e não moravam mais conosco. Mas tínhamos duas filhas pequenas e com elas enfrentei diversas dificuldades. Ele nos abandonou por completo, até fome nós passamos… fiquei emocionalmente doente, depressiva, perdi o rumo, tinha muita raiva, diversas vezes pensei até em dar um fim à minha vida, saía andando pela cidade sem vontade de voltar pra casa… não estava preparada para aquilo, não sabia lidar com aquela situação, e foi aí que através de uma amiga, passei a freqüentar uma igreja e vi minha vida mudar. Meus sentimentos se transformaram. Mas compreender aquilo tudo não foi algo que aconteceu da noite para o dia, afinal, o simples ato de frequentar uma igreja não nos torna melhores do que ninguém, muito menos invencíveis. As dificuldades continuam existindo, o que muda é a nossa maneira de lidar com elas. E, aos poucos, o perdão foi se calcificando dentro de mim. Certo tempo depois, ele adoeceu e o “novo relacionamento” deixou de dar certo, ele precisava de muitos cuidados e mesmo contra a vontade de alguns filhos e familiares, decidi que a missão de cuidar dele era minha. Nem ele mesmo acreditou na minha atitude. E assim foi, cuidei dele até o último dia de sua vida. Estive ao seu lado em cada instante, cuidando, zelando e se pudesse, teria feito muito mais. Não me arrependo, faria tudo de novo. O que aprendi e quero deixar como exemplo para meus filhos e netos é que o perdão é libertador, principalmente, para quem o dá. Ele nunca me pediu perdão ou desculpas por tudo o que tinha feito, mas eu decidi perdoá-lo mesmo assim, e a maior beneficiada fui eu”, relata com a serenidade de quem possui uma alma cheia de paz.
Certa de que perdoar foi a melhor decisão que tomou, dona Maria ainda acrescenta: “Perdoar não significa apagar da memória, mas conseguir lembrar sem sentir a dor, sem mágoa, sem querer revidar e conseguir ter compaixão, viver e conviver com aquela pessoa que lhe machucou. É difícil, mas não é impossível, basta querer”.

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Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba!

E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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