O que aprendi sendo Mãe de Segunda Viagem

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Ser mãe pela primeira vez é bom, mas de segunda É BEM MELHOR!!!! Principalmente porque a gente já passou por aquela fase de pânico e já sabe como agir em cada situação. Eu poderia afirmar que perdi, praticamente, todos os medos ao me tornar mãe de segunda viagem.

A maioria das mamães de primeira têm medo de T-U-D-O e isso acaba prejudicando o relacionamento com o bebê. É medo da luz, do som, do vento, do sol, da chuva, nossa!!! Quando fui mãe pela primeira vez, se pudesse, teria construído uma redoma de vidro onde ficaria com meu filhote até ele virar adulto (a loka!). E à medida que o tempo foi passando e eu me tornando mais segura no papel “mãe”, eu decidi que precisava viver tudo aquilo de novo, para fazer tudo, completamente, diferente.

Dos trezentos zilhões e oitocentos e cinquenta mil medos que tive (e perdi) posso listar 05 daqueles que mais assustam e que interferem, diretamente, na adaptação do bebê ao mundo aqui fora.

01 – Barulho:

Gente, é sério! Pode continuar falando no seu tom de voz normal, pode deixar o povo pisar no chão dentro de casa. Isso não vai prejudicar a audição do bebê e muito menos o sono dele. É óbvio que você não vai colocar o som no último volume dentro de casa, muito menos expor a criança a sons estridentes pois estes, podem sim, deixá-la assustada. Me refiro ao barulho corriqueiro do dia a dia. Quando fui mãe pela primeira vez, na minha casa até a respiração tinha volume controlado para não “acordar o bebê”. Levei 04 meses para sair de casa me sentindo “segura” e isso só me isolou do mundo, contribuindo para que a gente deixasse de viver muita coisa gostosa juntos. Até meu sorriso era comedido. Hoje, o meu filho de 06 anos, tem total sensibilidade a barulho, detesta um monte de gente falando ao redor dele ao mesmo tempo, dá logo uma “dor de cabeça”, enquanto a sapeca de 11 meses não aguenta ouvir um bate-lata láaaaaaaa do outro lado da rua que já começa a se balançar e se espevitar para ver o que é.

02 – Doenças x viroses:

É claro que eu ainda sofro e fico preocupada quando um dos dois fica dodói, aff! O coração fica pequenininho, choro junto, perco a noite, mas já sei bem distinguir quando há real necessidade de correr pra emergência. Na primeira semana de vida do meu filho, fui parar no hospital umas três ou quatro vezes, só porque o bichinho não estava “evacuando” (fazendo cocô), o que é super normal mas a gente não acredita quando o médico fala. Muito menos quando a nossa mãe fala… E falando em barriga…

03 – Cólicas:

As temidas cólicas são um terror, maltratam, fazem o bebê chorar sem parar, você coloca paninho quente, barriga com barriga, dá o remedinho que o médico receitou, massageia daqui e dali, só falta colocar a criança de cabeça pra baixo e… Nada! É aquele berreiro desesperado, você se preocupa, chora junto, acha que não está sendo uma boa mãe, apesar de não ter tomado uma mísera gota de refrigerante durante a gestação pra evitar as benditas, e é aquela agonia… que só passa depois de um ou dois meses, porquê Brasil??? Porque a criança está se adaptando à vida aqui fora, porque o intestino dela é frágil e está amadurecendo, porque você tá nervosa demais e não consegue passar tranquilidade para o bebê. Daí, quando vem o segundo baby, já sabendo que isso tudo pode ocorrer, a gente se prepara psicologicamente, tão bem, mas tão bem, que a criança praticamente nem sente, e se sente, a gente quase não percebe, pois já sabe como agir, e está em paz para ajudar o bebê a passar por mais essa etapa de uma maneira super tranquila. (Eu venci a cólica!!!! Yes!!!!)

04- Amor demais pra um e menos para o outro:

 

A gente passa a vida insinuando que a nossa mãe tem um filho preferido, e até mesmo se achando incapaz de amar dois filhos tão diferentes de igual maneira, mas gente, quando eu olho pra um e olho pra outra, a sensação é a mesma, o sentimento é igualzinho… penso que a diferença, na verdade, está naquilo que cada um deles fará, no futuro, com o amor que lhes dou. Torço para que me amem igual e que me queiram bem, porque tudo o que bate dentro do meu coração é para eles, igualzinho.

05- Medo de não dar conta do recado

Por fim, talvez o maior medo de todas as mães, que é o de não ser uma boa mãe.. quem nunca? A junção de todos os medos, receios, preocupações e angústias que permeiam o universo da mãe de primeira viagem levam a esse principal temor. Será que a gente dá conta? Será que a gente nasceu mesmo pra isso? Não é à toa que muitas mulheres sofrem de depressão pós-parto e não é fricote não minha gente. É que ter filho é muito bom, mas também é ruim, porque são inúmeras mudanças, infinitas descobertas, e por mais que você tenha a ajuda do pai, da avó, das titias e babás, tudo ali depende de você. E além do esforço para ser uma boa mãe tem a luta diária para convencer a si mesma em não deixar de ser mulher. A gente se olha no espelho e não se reconhece, e até se culpa por pensar em qualquer tipo de vaidade.

 

 

No meu caso, a oportunidade de ser mãe pela segunda vez, me fez encarar a maternidade com mais maturidade, mais relax, mais à vontade em mim mesma, em cada fase, desde a descoberta até agora. Mas, pera, não tá tudo perfeito não. Não sou a mamãe perfeita, e é bem provável que nunca seja, mas nesse momento, em que consigo escrever ao mesmo tempo em que amamento minha pequena, sem precisar me sentar na poltrona da amamentação, baixar a luz e colocar uma musiquinha beeem suave pedindo a todos que parem de respirar, quando olho para trás e recordo as altas aventuras que ela já viveu em apenas onze meses de vida, quando vejo o quão saudável, sabida e forte ela é, porque eu colaborei para isso, percebo que tô super confortável nesse meu papel e vejo o quanto teria sido ainda melhor se tivesse sido mãe de segunda antes de ser mãe de primeira… viagem!

Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba! E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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