Todos os filmes: Os perigos de uma história única

Hoje em dia tenho pensado em outro tipo de metas, que vão além do quantitativo

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Eu sou a louca do fim de ano. O Natal é minha paixão e enquanto data comemorativa favorita só compete com o aniversário. Meu aniversário é em junho e eu comemoro o mês inteiro. Se é março, eu digo que junho “já tá logo ali”. Basicamente o primeiro semestre todo é meu aniversário. Quando acaba, já começa o Natal, o que por sua vez ocupa todo o segundo semestre, e não apenas dezembro.

Não é coincidência que minhas ocasiões favoritas do ano são as que iniciam ciclos. Não sou daquelas pessoas que veem na mudança do calendário apenas uma convenção sem grandes efeitos práticos. Pra mim – e isso pode parecer clichê (e é) – novos ciclos abrem novas oportunidades, te permitem repensar escolhas e fazer diferente aquilo que não te agradou no passado.

Gosto de traçar metas. E além das já eternas comer bem, fazer atividade física e economizar, gosto de ter metas pro que leio e pro que assisto. Esse ano eu pretendia ver 100 filmes e até então vi 77. Pretendia ler pelo menos 12 livros e até então li 10. Em outros anos já consegui ver 130 filmes e ler 30 livros (sim, anoto todos). Hoje em dia, no entanto, tenho pensado em outro tipo de metas, que vão além do quantitativo.

Numa aula de inglês recente a professora passou o vídeo “O perigo de uma história única”, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (aquela cujo discurso pode ser ouvido na música de Beyonce). O vídeo veio reforçar uma constatação: diversificar leituras, baseadas em fatores como nacionalidade, gênero e etnia, é um ato político necessário. Lemos os clássicos, lemos escritores consagrados pela mídia, lemos americanos e europeus, mas dificilmente lemos, por exemplo, autores africanos (aqui estou generalizando, sei que muita gente pode fazer diferente).

O ponto de Chimamanda no seu discurso é que enquanto não conhecermos as diferentes culturas e povos pelos olhos e vozes de seus próprios representantes estaremos sujeitos aos vieses, estereótipos e preconceitos daqueles que veem de fora. São os tais perigos da história única do título. Perigos que fizeram, por exemplo, com que parte significativa do mundo entendesse a África como um país e não um continente, ou como um lugar povoado por selvas e animais (o que também ocorre com o Brasil, pois não apenas estereotipamos, também somos – e como somos – estereotipados).

Ouvir o discurso de Chimamanda foi uma das minhas experiências mais significativas e impactantes. E como acredito que ouvi-lo enriquece qualquer pessoa, fica aqui recomendado. Uma das minhas metas para 2017, além de parar de atrasar os textos do Camaçari Mulher (risos), é ampliar o meu olhar sobre o mundo e as diferentes leituras de mundo.

Cliquem nesse link para assistir um vídeo com Chimamanda: https://www.youtube.com/watch?v=EC-bh1YARsc

Deise Luz é colunista do Camaçari Mulher e só queria ver todos os filmes do mundo. Não é crítica e nem estuda cinema. A função que melhor ocupa é a de uma espectadora fiel, dedicada e ansiosa. Para ler mais textos de Deise, clique no nome dela ali em cima 😉

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