Quando nasce uma mãe: Relato de parto de Camila Mandarino

A pequena Mafê nasceu num lindo domingo de setembro, ao som de ‘What a Wonderful World’

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bd1a5d04-a109-4daf-af8a-b9072ff2095dQuando nasce um filho, nasce uma mãe”. Não poderia haver expressão melhor para descrever este grande momento na vida de uma mulher. Algumas se preparam para “nascer”, planejam o dia, a hora e até mesmo com quem… outras nascem de supetão, no choque da notícia, sem aviso, sem espera. Mas, independentemente da maneira e do momento, a verdade é que a partir do momento em que descobre que carrega uma vida dentro de si, a mamãe passa a cultivar aquela semente como uma extensão de seu próprio coração.

Medo, insegurança, ansiedade, euforia, tristeza, alegria, inúmeras são as expectativas, incontáveis são os sentimentos comuns e inevitáveis que adubam as emoções de toda e qualquer mãe. E tal como uma árvore que não nasce frondosa da noite para o dia, é no primeiro encontro que suas raízes começam a ganhar forças, é no dia-a-dia que seu tronco se fortalece, e é com o passar do tempo que floresce e dá frutos. O aprendizado é diário, assim como o arrancar de algumas folhas também se faz necessário, até que esteja pronta, madura e firme.

camila mandarino gravidezE foi assim com a jovem Camila Mandarino, de 26 anos. No dia 31 de dezembro de 2014, poucos minutos antes da meia noite, ela pedia a Deus que lhe trouxesse o grande amor de sua vida no ano que estava chegando. Mal sabia ela que a semente do verdadeiro amor já estava plantada em seu ventre.

“Eu nunca planejei ter filhos, não fui daquelas mulheres que já nasceram com esse dom aflorado. Simplesmente aconteceu. E num momento em que eu me achava totalmente despreparada, que estava completamente desiludida e descrente com as pessoas, Maria Fernanda veio para renovar minha fé na humanidade, para dar um sentido pra tudo”.

Quando descobriu que estava grávida, fazia menos de um mês que o relacionamento tinha chegado ao fim. Ela nem acreditava que fosse possível.

“Fiquei em choque quando li POSITIVO, assim, em letras garrafais. Choque é pouco, entrei em desespero! Como eu ia ser mãe antes de ser namorada, noiva, esposa de alguém? Por mais modernas e independentes que sejamos, é um padrão muito difícil de se romper na cabeça da gente, da nossa família e acho que sempre vai haver aquele medo quando o futuro é tão incerto. A sociedade sempre vai nos cobrar um padrão, um modelo de família, e eu não tinha isso para mostrar. Mas, sabe, esse receio só durou a primeira noite. Quando o dia amanheceu, eu já me sentia mãe e não me importava com mais nada. Buscaria ser a melhor que conseguisse”.

E é claro que não foi fácil. Romper com os “padrões” estabelecidos pela sociedade, ir de encontro a seus próprios conceitos em meio ao turbilhão de emoções que lhe envolvia de maneira tão impetuosa, só foi possível mediante ao apoio e carinho que recebeu da família e dos amigos mais próximos.

Com o passar dos meses, as emoções foram se acalmando, os medos deram lugar às boas expectativas e, à medida que “Mafê” ia se desenvolvendo, crescendo bem, e cheia de saúde, Camila ia seguindo o mesmo ritmo, crescendo como pessoa, desenvolvendo um novo papel, escrevendo uma nova, e definitiva, história de amor.

Nascimento de Maria FernandaAntes de parir, pesquisou sobre os tipos de parto, do humanizado à cesariana. “Fui matando meus medos, me informei. Sempre ouvi com humildade quem queria me passar suas experiências (mesmo as mais absurdas!). Mas a verdade é que a gente precisa de coragem para qualquer que seja a opção de parto. É preciso ser muito corajosa para deitar numa mesa de cirurgia, receber uma boa dose de anestesia na coluna e cortar sete camadas de pele”, diz.

Quando chegou à 38ª semana da gestação, ela estava muito nervosa, estressada e cansada em meio à expectativa da chegada do bebê, reforma da casa nova, as mudanças do seu corpo, os problemas profissionais e pessoais, além da ansiedade e melancolia do momento, ao ponto de fechar-se para o mundo e não querer conversar com ninguém porque se sentia pressionada todas as vezes que alguém perguntava “nasce quando?”. Foi aí que sua obstetra, dra. Halina Francisca, “um verdadeiro anjo da guarda”, percebeu que ter uma data específica a deixaria mais tranqüila. “Optamos então por marcar o parto para o dia em que eu completaria 39 semanas de gravidez. E assim foi”.
caio, camila e mafe

Segundo Camila, não houve um motivo especial para Maria Fernanda nascer naquele domingo. Mas foi um dia lindo! Tão lindo que afastou todas as suas inseguranças e medos. Ela confiava que tudo daria certo. Tanto que a equipe médica que a acompanhou disse que nunca viu uma mãe tão tranquila. E nesse mesmo dia, 13/09/2015, às 14h21, Maria Fernanda chegou ao mundo pesando 3,240kg,  distribuídos em 48,5cm de puro amor. Nascia uma árvore, nascia uma flor.

Ao som de ‘What a Wonderful World’, de Louis Armstrong, ansiosamente aguardada pelo dedicado papai Caio e a feliz mamãe Camila, a pequena Mafê chegou. “Não mais acreditando em coincidências, mas sim num plano de Deus e num destino único, essa sempre foi a minha música favorita pois tem uma letra muito especial, que diz assim em determinado trecho”:

Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer
Eles vão aprender muito mais que eu jamais vou saber
E eu penso comigo, que mundo maravilhoso

 

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Daí em diante, o mundo dessas duas lindas mulheres, que estão a desabrochar, ganhou um tom maravilhoso. “Se a gravidez traz momentos difíceis, ser mãe complica tudo mais ainda, isso é fato. Mas mesmo diante de qualquer adversidade, só de haver um sentido para viver, tudo vale a pena. Realmente hoje eu conheço a maravilhosa sensação de se ter um grande amor. E eu não troco isso por nada”.

Camila Mandarino, mãe da linda flor Maria Fernanda ou, simplesmente, Mafê.

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Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba!

E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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