Romantização da maternidade: Esqueça isso!

Ser mãe é a coisa mais maravilhosa que pode acontecer, garanto! Mas também não vamos dizer que tudo são flores

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Demorei bastante pra escrever esse texto porque a complexidade desse assunto só não supera a importância de ser tratado abertamente, sem meias palavras.

Acompanhei diversos fights nas redes sociais, li opiniões diversas e tentei entender mais do que eu sinto e do que as mulheres/mães passam quando o assunto é maternidade romântica.
Então, pra começar, lá vai um desabafo: Tem horas que ser mãe é phoda!

Calma! Não se sinta culpada por estar concordando comigo. Ser mãe é a coisa mais maravilhosa que pode acontecer na vida de uma mulher, garanto! Mas também não vamos ser hipócritas de dizer que tudo são flores, que aquele sorrisinho lindo da sua cria apaga tudo. Não!

Então vamos colocar as coisas nos seus devidos lugares: Adoramos ser mães e não estamos arrependidas disso. Ok? Ok! Mas, minha gente, precisamos entender que a maternidade romântica é mais um fruto do mais puro machismo, que coloca a mulher no lugar de procriadora e única e exclusiva responsável por sua cria. A mãe exemplar, que nunca reclama de nada, está resignada, assume sozinha as responsabilidades e tarefas diárias de criação, que abre mão da própria vida para exercer tal função, que coloca o ser mulher, seus anseios profissionais e toda individualidade em segundo plano, para ser aquilo que nos é destinado desde que o mundo é mundo.

Pois bem, vamos falar de nós. Amiga, tem horas que bate um desespero, né? Que cansaço é esse? Por que as noites dormidas não são tão longas quanto as passadas em claro? Por que as melhores oportunidades de emprego, viagens, intercâmbios, não apareceram antes? Por que seu corpo te abandonou com tanta rapidez? Já que inventaram fogão autolimpante, por que não inventaram “autounhafeita”, “autodepilaçãoemdia”, “autocabelolavadohidratadoescovado”? Hein, gente?

E depois, passada essa fase, por que é que as pessoas insistem em nos fazer sentir culpadas por retomarmos as nossas vidas? O mito de que a boa mãe é aquela que está 24 horas por dia com seu filho, ainda habita no imaginário das pessoas. Tenho convicção da necessidade de estar presente, não em quantidade de tempo mas, sim, em qualidade, porque às vezes, a mulher passa o dia inteiro com os filhos e a última coisa que ela é, é mãe. Esta assume o papel de cozinheira, lavadeira, motorista, office girl, arrumadeira, e mais uma gama de atividades que podem tranquilamente ser exercidas por qualquer outra pessoa, menos o papel de mãe.

Daí a gente respira fundo e começa a entender como se dá a relação dos filhos com os pais. Eles passam o dia inteiro fora, mas quando estão juntos, são apenas pais e filhos, exercendo plenamente seus papeis. Porque, repito, não é quantidade de tempo juntos, é a qualidade do que é feito enquanto estão juntos.

Então amiga, exerça seu sagrado direito de se sentir exausta, de ter dúvidas, de externar seus sentimentos sem se sentir culpada, de sentar no vaso sanitário (quando tiver tempo) e simplesmente chorar, sem se preocupar com o julgamento dos outros. Eu te entendo!

Claro, respeitamos e honramos todas as mulheres que resolveram ser mães em tempo integral. A reflexão é que há diversas formas de ser mãe, diversas formas de ser mulher, diversas formas de criar os filhos. Sem culpa, sem julgamento.

nada-esta-sob-controle

Sororidade!

P.S: Só reforçando que mesmo diante disso tudo, amamos nossos tesouros tesourinhos e são o que de melhor fomos capazes de fazer na vida! <3 <3 <3

Esse texto foi escrito por Angela Cheirosa, colunista do Camaçari Mulher. Para ler mais textos desta mulher negra, professora, mãe, bailarina ( e todas aquelas outras coisas que precisamos ser todos os dias), clique no nome dela ali em cima e delicie-se 😉

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