Seguindo carreira solo

Por solteira, entendam autoconhecimento, curtir meu momento e nunca, nunca mesmo, ter tanta consciência de amor próprio

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Durante toda minha vida consciente, eu tive medo de solidão. Qualquer pessoa que me perguntasse meu maior medo, ouviria categoricamente: solidão. Falo assim, no passado, porque hoje já não é. Afinal, depois de tantas coisas que aprendi, e sabendo de tantas outras que eu tenho pra viver, entendo que só sofre de solidão quem não ama estar consigo mesmo.

A grande sacada dessa parada é descobrir, verdadeiramente, o que você gosta em si mesmo, o que espera de você sem, em momento algum, depositar a sua felicidade em qualquer pessoa que não seja aquela que encara diante de um espelho.

Nunca estive tão solteira. Por solteira, não entendam balada, noite perdida, pessoas avulsas na minha vida. Isso é algo totalmente independente de estado civil. Faz parte das fases naturais de um processo de amadurecimento ou reflexo delas.

Por solteira, entendam que nunca estive tão satisfeita em amar essa carreira solo, entendam autoconhecimento, curtir meu momento e nunca, nunca mesmo, ter tanta consciência de amor próprio. É ir sozinha no cinema sábado à tarde, passar um fim de semana em um lugar que queira sem esperar que alguém te acompanhe, seja pra isso ou pra almoçar, tomar um café ou uma cerveja. Percebemos o real efeito colateral disso: fará toda a diferença no dia em que se queira estar com alguém porque essa pessoa realmente vai merecer estar ao nosso lado.

Vivemos numa geração onde as pessoas, às vezes, querem apenas disputar qual o ego mais alto, entram numa espécie de relação unilateral, sem sentimento algum (muito menos com a disposição de se construir um sentimento) e sem respeito. Não falo de fidelidade, não é só isso… Fidelidade é a pontinha do iceberg que chamamos RESPEITO. É algo muito maior que envolve, sobretudo, um puta cuidado com a individualidade e com o sentimento do outro, pra que a parceria funcione.

Esses dias estava relendo algumas coisas que escrevi há alguns anos e me deparei com uma frase que ainda me representa: não importa como seja ou com quem seja seu relacionamento. Importa apenas que você saiba o que é ter um relacionamento. E será que sabemos? O que sabemos sobre o que queremos? Eu hoje sei somente que quero ser sempre gentil com as pessoas, tomar uma taça de vinho e ler alguns capítulos do livro que está na cabeceira da minha cama.

Apenas sei que quero me mimar, fazer jantar e café da manhã especial pra mim mesma e sem necessidade de super produção: o pijama mais confortável basta.

Quero ter permanentemente a sensação que tenho hoje: se for pra ter um cara bacana e que some, ótimo! Estou aqui disposta a viver isso. Se não for pra ter, ótimo também! O meu mundo é maior, e pra entrar nele é preciso entender como gira o carrossel. Não é fácil, mesmo que não seja impossível. A gente flerta, conversa, ou não… Vive, sonha, conhece e encontra almas gêmeas perecíveis ao instante seguinte (ou não), mas tudo isso sem expectativas. Porque se rolar de gostar de alguém vai ser pelo que essa pessoa é, e não por tabela de algum medo de solidão.

Camila Mandarino, vinte e tantos anos. Mãe de Mafê, da westie Lily e de quatro peixes, é formada em Publicidade com MBA em Comunicação Corporativa. Como uma boa capricorniana com ascendente em Áries, não perde a oportunidade de falar, escrever e opinar sobre tudo e sobre todos, sabendo que a verdade pode não ser fácil. Mas é libertadora.

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