Todos os filmes: O cinema vai à escola

Indicar filmes para adolescentes é sempre um desafio

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Como professora acho que cumpro o meu dever cívico indicando aqui alguns filmes que se encaixem em contextos educacionais. É comum aos professores – e muitas vezes eu estive nesta situação – a busca por títulos adequados aos conteúdos que a gente trabalha (e que ao mesmo tempo não induzam a turma ao sono coletivo).

É bem verdade que a rotina da sala de aula nem sempre nos permite passar filmes. Descontados os 30 minutos que em média levamos para arrumar o datashow, esperar ele sacanear a gente e não ligar de jeito nenhum, depois ligar a caixa de som e descobrir que estamos com o cabo de áudio errado, lá se vai uma boa parcela do escasso tempo que temos. Ainda assim, os filmes são sempre uma boa estratégia, e uma boa solução pode ser solicitar que os estudantes os vejam em casa. Eu já realizei um projeto em que meus alunos, depois de verem os filmes, fizeram belas apresentações associando o que assistiram a temas de nossa disciplina (a saber, a sociologia).

Repertório Coletivo

A seleção do repertório é importante, e ao mesmo tempo em que queremos uma linguagem próxima a eles, também não podemos deixar de apresentá-los a certas obras por medo de que os desagradem. Educar é alargar horizontes e apresentar o novo, mesmo que (e sempre vai) passe pelo desconforto.

Indicar filmes para adolescentes é sempre um desafio. Inclua aí o choque de ouvir que “é muito velho” aquele filme que na sua cabeça foi lançado ontem (1997 foi ontem sim). Mas é importante, inclusive, estimular e aceitar as sugestões que eles tem pra dar. Às vezes a gente nem imagina – e fica sabendo por eles – que aquela trilogia que está arrastando todos os adolescentes pros cinemas motiva bons debates sociais.

Alguns dos filmes com que usei com bons resultados ou que ainda pretendo usar são:

 

Não vou me estender sobre as sinopses e suas possibilidades de abordagem para que este texto não se torne gigantesco, mas só para citar alguns exemplos: 

A Onda

um professor realiza um experimento arriscado para explicar os mecanismos do poder e do fascismo aos estudantes. Aqui é possível pensar sobre relações de poder, regimes políticos e autoritarismo;

Terra Fria

vemos a luta de uma mulher por dignidade e respeito no ambiente de trabalho.

Narradores de Javé

nos faz pensar sobre no protagonismo social, na importância da preservação da memória coletiva, na cultura popular e na força da oralidade;

Machuca

através da amizade entre dois garotos de classes sociais opostas, nos chama atenção para as ideologias de classe, os movimentos sociais e a participação política.

Cinema e Transformação

A partir de filmes como estes (mas de muitos outros mais) dá pra falar de gênero, sexualidade, desigualdade, política, trabalho, Estado, família, cultura e tantos outros temas. E isso não só na sociologia, mas nas ciências humanas como um todo. E também para qualquer educador que pretenda estimular em seus alunos a reflexão sobre a sociedade.

Deise Luz é colunista do Camaçari Mulher e só queria ver todos os filmes do mundo. Não é crítica e nem estuda cinema. A função que melhor ocupa é a de uma espectadora fiel, dedicada e ansiosa. Para ler mais textos de Deise, clique no nome dela ali em cima 😉

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