Tricotando com a bailarina e coreógrafa Sinha Guimarães

Nascida e criada em Camaçari, ela começou a fazer dança aos sete anos

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(Foto: Thalita Freire)
(Foto: Thalita Freire)

“Você é muito mais que o vento”, diz dona Maria. “Oxe, minha mãe, isso não existe”, retruca a filha que desde cedo foi alertada: você tem algo aí dentro que se movimenta. Dentro de onde, dona Maria? Da alma, do ser, daquilo que transcende.

Nascida e criada em Camaçari, Sinha Guimarães começou a fazer dança aos sete anos porque não parava quieta. A influência da banda É o Tchan!, que dominou as paradas de sucesso nos anos 90 e fez tanta gente seguir as suas coreografias, também colaborou bastante para que aquela menina danada e cheia de energia fosse arrebatada por esse universo encantador.

E é justamente para conhecer melhor esse mundo e celebrar o Dia Internacional da Dança (29 de abril) que o Camaçari Mulher conversa com a artista que enche de orgulho a nossa cidade:

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Quando você decidiu encarar a dança de forma profissional?

Acho que não teve um momento em que eu decidi isso. Foi tudo muito natural. Comecei fazendo aulas de dança contemporânea, depois, clássica, e quando vi já estava no mundo, dançando profissionalmente. Com 15 anos eu já era bailarina da extinta Companhia Pela Dança, aqui de Camaçari. Foi uma experiência maravilhosa e quando a Companhia fechou eu não quis parar, então parti para os estudos: fiz um curso de dança e teatro em Salvador, depois ingressei no curso técnico na FUNCEB (Fundação Cultural do Estado da Bahia) no qual me habilitei tanto para bailarina quanto para coreógrafa. E então fui seguindo, fazendo testes, conquistando trabalhos, como o projeto Memórias, do Balé do TCA, onde tive a oportunidade de aprender com nomes como Vitor Navarro e o saudoso Carlos Moraes, depois dancei no Balé Folclórico da Bahia, enfim, as chances foram surgindo, eu fui abraçando e me entrelaçando cada vez mais, me apaixonando.

Teve algum trabalho que te marcou de maneira especial?

Ah…tive vários, mas tenho um carinho muito grande em ter participado do espetáculo Cabaça durante os anos de 2013 e 2014, sendo que no primeiro ano ganhei o prêmio bailarina revelação pelo AbriU Dança, foi um momento muito marcante.

Quem te inspira na dança?

Uma das bailarinas que me inspira muito é a alemã Pina Bausch, que faleceu em 2009 deixando um legado maravilhoso. Sou apaixonada pelo trabalho dela! Tem também a Companhia Deborah Colker que me encanta, e Ivaldo Bertazzo que eu adoro porque ele fala muito sobre a importância do movimento, a consciência do corpo.

E por falar em inspiração…como surgiu a Companhia Sinha Guimarães?

Em 2011 conquistei um edital, formei um núcleo de pesquisas com amigos que gostavam da minha movimentação, que pensavam na questão do corpo semiótico e se interessavam pela questão dramatúrgica da dança, então aconteceu e vem dando certo! Somos, atualmente, a única companhia de dança contemporânea do município, temos trabalhos belíssimos como Camaçari Canta Bule-Bule, Um Pedaço de Mim e Mesa, que me proporcionou a alegria de ganhar um prêmio como coreógrafa pelo Festival Internacional VIVADANÇA.

Em qual projeto você está trabalhando atualmente?

Menina, minha vida está uma movimentação só: estou concluindo minha licenciatura em Dança pela UFBA e me dedicando com muito carinho ao meu Trabalho de Conclusão de Curso que aborda a dramaturgia na dança voltada à composição coreográfica, uma área pela qual sou apaixonada e, além disso, estou participando do projeto Yanka Rudzka, uma residência pelo VIVADANÇA, num intercâmbio Brasil/Polônia, uma experiência fantástica.

Mas você não vai abandonar Camaçari, vai?

Não, claro que não. Estou sempre na correria, mas sempre por aqui lutando para ajudar a fortalecer a dança em nossa cidade.

Neste 29 de Abril, você acha que o nosso município tem muito a celebrar?

Acho que em Camaçari, uma semente foi plantada e algo já está acontecendo. Temos um Conselho de Dança discutindo políticas públicas para a nossa área, o que é muito importante. E apesar dos avanços, ainda temos que conquistar mais, por exemplo, acho que os editais ainda são muito poucos, precisam aumentar. Mas, neste cenário todo, acho que algo que está se destacando é uma maior sintonia entre os profissionais da área. Crescemos e nos unimos em prol da dança, sabe?! Isso é maravilhoso!

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Esse texto foi escrito por Claudia Magnólia. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Magnólia! Mas não deixe de expressar a sua opinião 😉

E-mail: claudiamagnolia@camacarimulher.com.br

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