Tricotando com a empoderada Carla Lumena

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Ela levanta a bandeira da mulher como protagonista da própria vida e não tem papas na língua: fala o que “der na telha”, sem medo de ser julgada, sem medo de ser feliz! Carla Lumena da Costa Araújo ou, simplesmente, Lumena, faz das suas redes sociais um palco de lutas pela igualdade de direitos. E como a gente não aguenta ver uma mulher retada assim, nós a convidamos para bater um papo sobre feminismo, sororidade e liberdade. Puxe a cadeira, pegue o café e venha tricotar conosco:

Vamos começar matando logo uma curiosidade: de onde surgiu a expressão #eusouocapeta que você tanto usa em suas redes sociais?

Mulher… volta e meia me perguntam isso, mandam mensagem in box, é um caso sério! Mas é muito simples! Repare… “Eu sou o capeta” surgiu quando eu trabalhei numa obra enorme, mais de 17 mil pessoas envolvidas. Minha função era de analista de qualidade e eu ia pra campo, subia em máquina, fazia o necessário para garantir que o trabalho fosse realizado corretamente. Eu tinha uma amiga que era soldadora e outra eletricista, andávamos juntas e, enfim, acabaram nos apelidando dessa forma carinhosa (apesar do nome assustar) porque não tínhamos medo, sabe?! Encarávamos os desafios com profissionalismo, bom humor, gentileza. E eu sou assim na vida, aí o apelido pegou. Adoooooooro!

Ah…pensamos que fosse porque você vira “o capeta” quando alguém fala mal das mulheres perto de você…

(Gargalhadas) Tambééém!! Nesse sentido, eu fico retada com um monte de coisas! Por exemplo, não temos que tolerar assobios grotescos na rua, não devemos permitir que nos julguem pela roupa que vestimos… não quero que coloquem para debaixo do tapete o fato de que milhares de mulheres são violentadas todos os dias. E vou além, desculpa, mas tenho que colocar o dedo na ferida: tô cansada de ver mulheres machistas, algumas até criando filhos machistas. Acho que temos que ter em mente SEMPRE a sororidade: uma mulher deve sempre ajudar outras mulheres.

Super concordamos com você, mas temos que refletir sobre o quanto esse caminho ainda é difícil…ser mulher é massa, mas é difícil pra caramba nessa sociedade machista…

Claro! A gente cresceu ouvindo o quê? Que mulheres não podem ser amigas, que mulher não pode ser fácil, que mulher não pode isso, não pode aquilo… então, tenho plena consciência de que desconstruir esses estigmas é complicado. Mas temos que insistir! O caminho não é fácil, nós atravessamos grandes perigos, mas o primeiro passo é a gente se amar, se olhar no espelho e dizer: sou linda pra caralho, ainda que descabelada, sem maquiagem, sou linda. Não tenho o corpo daquela mulher da revista, mas sou tão linda quanto! O caminho é esse: se amar profundamente com seus defeitos e suas qualidades. Se liberte!

Por falar em liberdade, você também não tem medo de falar abertamente sobre sexo. Já te julgaram por isso?

Sim, já. Eu pago um preço por ser quem eu sou, sabe? Mas vou continuar pagando porque não quero passar despercebida pela miha própria vida! Quero viver tudo o que tenho direito. E se tenho vontade de falar sobre sexo, vou fazer isso ainda que, infelizmente, a sexualidade feminina seja tabu. Quando se fala de masturbação, sexo anal, sexo oral, desejo da mulher… tudo vira polêmica, o que é uma grande bobagem! Sexo é algo muito natural e precisa, de fato, ser tratado com a naturalidade que lhe cabe.

Agora vamos pegar o gancho da naturalidade e perguntar se essa veia feminista surgiu naturalmente na sua vida…

Sim, foi surgindo aos poucos, à medida em que fui tomando consciência do meu poder enquanto mulher. Sou feminista porque não quero mais viver num mundo em que mulheres são mortas pelo simples fato de serem mulheres, mortas por seus maridos, companheiros opressores. Sou feminista porque não quero mais viver num mundo em que mulheres não podem andar com a roupa que querem sem serem julgadas por isso, num mundo em que eu tenha que andar sozinha com receio de ser atacada, ou entrar num táxi, num uber e ficar na dúvida se chegarei ao meu destino com tranquilidade. Me pergunto como é que as pessoas ainda não conseguem entender o feminismo. Ser feminista não é querer ser melhor que os homens, é querer igualdade.

Que conselho você deixa para as mulheres que ainda não se deram conta do poder que possuem?

Sempre digo que nós não precisamos de ninguém para atingir o nirvana, a felicidade… o amor é a chave de tudo, sobretudo, o amor próprio. Não é uma questão de arrogância, é uma questão de pertencimento. Eu pertenço a mim, eu posso ser o que eu quiser, independentemente do que me fizeram acreditar até hoje. Portanto, leia, informe-se, empodere-se. Saiba, mulher, que você é senhora do seu destino, e capitã da sua alma. O mundo é seu, agarre-o nos braços e seja feliz do jeito que quiser ser. Você merece!

 

Esse texto foi escrito por Claudia Magnólia. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Magnólia! Mas não deixe de expressar a sua opinião 😉 E-mail: claudiamagnolia@camacarimulher.com.br

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