Tricotando: Com vocês, Dayna Lins!!!!

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Foto da capa: Raildo D’Sousa

Ela tem um olhar forte, penetrante. Uma voz marcante, quente, intensa. Um sorriso grande, gigantesco como o seu coração, capaz de preencher todo um universo ao seu redor. Uma mulher que carrega na bagagem as dores e as delícias de ser quem é. Uma metamorfose ambulante, uma MULHER que não passa despercebida pela vida. Dona de um dom divino, a musicalidade.

Com vocês, Dayna Lins!!!!! 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏

Foto: Bruno Macedo

Dayna, conta pra gente um pouquinho de você.

Nasci em Lauro de Freitas, porém, me considero camaçariense. Vivo aqui há mais de 24 anos (tenho 27). Tive uma infância muito dura e passei por diversas dificuldades. Filha de mãe separada que sempre lutou para fazer o melhor por mim e pela minha irmã, precisei amadurecer muito cedo para poder ajudar com o sustento da casa. Fazia de tudo um pouco, vendia lanches, faxinava e, mesmo nos dias em que nos faltava até o alimento, Deus sempre dava uma providência.

Sua história com a música começou de que forma?

Foto: arquivo pessoal

Percebi que tinha o dom da música logo cedo, pois desde criancinha adorava cantar. Mas foi na escola que me descobri, através dos professores e amigos que diziam que a minha voz era bonita. Meu primeiro namorado foi a pessoa que mais me incentivou e se esforçou para realizar meu sonho, que acabou se tornando um sonho dele também. Nos casamos quando eu tinha 16 anos e ele foi meu porto seguro, acreditou no meu potencial e foi meu maior incentivador, me ajudou a encarar todas as dificuldades do ramo musical. Enquanto muitos me criticaram e outros diziam que eu morreria de fome, ele acreditou em mim e me impulsionou a seguir adiante.

Quais foram as principais dificuldades que você enfrentou ou que ainda enfrenta no meio artístico?

Participei de muitos concursos de calouros e cantei em diversos bares à noite, em Camaçari. Como sempre precisava contratar um músico para tocar pra mim, nunca sobrava dinheiro. Muitas vezes, tivemos que voltar andando pra casa, pois não dava pra pagar nem o transporte. Mas a satisfação em cantar e em poder mostrar o que eu amava fazer, sempre foi maior que qualquer percalço. Com o passar do tempo surgiu a ideia de montar uma banda, e com o apoio de alguns músicos e amigos, consegui levar o projeto adiante. Deus colocou um anjo chamado Claudinei Rosa em minha vida e, junto com ele e Rafael Gonzaga, tornamos esse sonho em realidade. O nome Dayna Lins se fortaleceu e conseguimos conquistar espaço para levar o melhor do Samba de Raiz ao público da nossa cidade.

Então você já se sente realizada?

Me sinto realizada por ter chegado onde cheguei, porém ainda não satisfeita, pois sei que posso ir além, sei da minha capacidade e, mesmo os erros cometidos pelo caminho foram com o objetivo de acertar. De uma coisa eu tenho certeza: nunca é tarde enquanto existirem sonhos e objetivos.

Qual é a sua raiz musical?

Fui criada no meio do samba de roda, o samba de terreiro, de pés no chão. Sempre ouvia minha avó cantando os sambas de Raiz e, com isso, nasceu meu amor pelo Samba, a nossa música do recôncavo baiano!

Foto: arquivo pessoal

Eu piso no chão! É de onde vem toda força da terra. Nasci e me criei nos sambas de roda dos povos antigos, nos terreiros e interiores afora. Sei onde essa raiz me leva, a um mundo de bons elogios e também de grandes criticas, mas quer saber? Largo logo meu Samba e respondo com o silêncio do rodar da minha imensa saia de chita, e assim vou girar o mundo levando o que me faz feliz!

Além de cantora você também é compositora. De onde vem sua inspiração?

Sempre ouvi Maria Bethânia, Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Cartola, João Gilberto, dentre outros grandes nomes da MPB. Além desses cantores que amo e admiro, minha inspiração vem de um lugar que é só meu, no meu interior, bem aqui, dentro de mim,

Qual foi o momento de maior emoção que já viveu na sua carreira?

Sempre que íamos à Lavagem de Arembepe, meu ex-marido apontava para o palco principal e dizia: “Um dia você vai cantar ali, naquele palco!”. E foi exatamente ali que cantei para o maior público da minha história, foi uma sensação incrível, indescritível. Quando canto, sinto outro ser renascendo dentro de mim e uma eterna paz interior que me deixa leve e cheia de luz.

Momento de maior emoção da carreira de Dayna Lins Foto: arquivo pessoal

Como está o mercado musical para a mulher em Camaçari?

Existe o lado super positivo de não haver uma diferença entre artistas do sexo masculino ou feminino, no entanto, ainda falta um pouco mais de apoio e maiores investimentos no trabalho dos filhos da terra!

Que mensagem você deixa para mulheres que, assim como você, almejam viver da música?

As dificuldades existem, concorrência e frustrações também! Mas o ideal é buscar sempre novos horizontes. O mundo musical não é fácil e requer muita persistência, mas sejam fortes, tenham fé e, principalmente, acreditem em si mesmas. Sucesso e prosperidade!!!

Foto: Garcez Fotografia

 

Esse texto foi escrito por Elba Coelho. Se gostou, diga: tá legal, tá bacana. Se não gostou, diga: melhore, Elba!

E-mail: elbacoelho@camacarimulher.com.br

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