Vamos falar da pílula?

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Hoje vamos ter uma conversa com aquelas coisas que precisam ser ditas. Daquelas que em determinado momento precisam acontecer, mas que, infelizmente, ou vêm tarde ou nem chegam com a devida orientação na vida de muitas de nós.

Quando eu tinha 19 anos, marquei a minha primeira grande conversa com uma ginecologista. Até então eram aqueles exames de cotonete, mas aos 19, a conversa ficou séria. E naquele dia fui orientada a tomar pílula anticoncepcional, primeiro pra controlar as cólicas e, segundo, como eficiente método contraceptivo, mas sem muita explicação, sem muitos porquês, sem nenhum “mas…”. É pra tomar e acabou.

Tirando os meses de gestação e os primeiros, logo após estes, por ter tentado seguir com injeção anticoncepcional intramuscular (sem muito sucesso,) tomei pílula por toda a vida. E mesmo naquela primeira conversa séria com a ginecologista, nada me foi dito sobre as mudanças que ela traz ao nosso corpo: os temidos efeitos colaterais que todo medicamento tem. Infelizmente, raras, raríssimas vezes, o leque é aberto e entendemos o que essas doses (muitas vezes altas demais) de hormônios fazem com a gente. Até que há seis meses eu decidi parar totalmente. Primeiro por não estar namorando, ou seja, não ter um parceiro fixo. Pra ser sincera, não dá pra relaxar e não pensar no resto pois ela não nos protege contra as DSTs que estamos suscetíveis mesmo em caso de estarmos comprometidas, casadas, infelizmente. Só que a pílula acomoda um pouco a gente em detrimento da camisinha. Não dá, gente. Além disso, não estava mais me adaptando ao mesmo comprimido de antes da gestação e precisava entender esses sintomas, precisava entender até onde a pílula condicionava o meu ciclo, quando era ela e quando era o meu corpo falando. Ainda existem os fatores de risco amplamente divulgados e atrelados. São pílulas contraceptivas das mais diversas dosagens. Quando eu voltasse na ginecologista pra pedir uma outra, teria de saber exatamente de qual tipo estaria precisando e quais os riscos que estaria assumindo.

E aí, meus amores, eu vi que a gente nada conhece do nosso corpo, a menos que fiquemos “limpas”. E descobri uma coisa: você só se conhece quando experimenta interromper a pílula anticoncepcional por um tempo.

Não foram só flores, muito ao contrário. Voltei a sentir um pouco de cólica, que não vinha com força desde o parto. A TPM, ela me enlouqueceu. E em alguns dias enlouqueceu todo mundo ao meu redor. O fluxo aumentou, as espinhas pontuais viraram sinal de “opa! Coloca o OB na bolsa que à qualquer momento desce!”. A pior parte: enxaqueca, no meu caso acompanhada de dor de ouvido, no dia anterior ao de menstruar e nos dois seguintes a este. A libido do cacete dez dias antes é a melhor parte. A sensibilidade, a mente acesa, a intuição feminina pra tudo. Eu aprendi a sentir cada etapa do meu ciclo. E aqui entra a dica de usar os aplicativos de tabelinha, até pra desvendar os sintomas e saber o que esperar cada dia do mês. Eu, por exemplo, descobri que meu ciclo dura 30 dias, não 21 ou 28. E menstruava junto com duas amigas! Kkkk

Pode ser que o medo de engravidar sem planejamento não te permita parar pra sentir isso. Às vezes até aceitamos os riscos de problemas de saúde, quem dirá. Largar a pílula anticoncepcional é um passo gigantesco. Não houve essa reflexão na hora de começar, você pode achar tardio. Mas acredite, sempre há tempo. Pare, se entenda, escute seu corpo, anote seus sintomas e leve pra sua médica. Ela vai saber qual a dosagem que seu corpo precisa e tolera. Ou até mesmo se este é o método mais indicado pra previnir gravidez.

Nos anos 1960, partir pra pílula era um ato de liberdade, de dizer “pera aí, cabe a mim decidir quando estou pronta pra começar uma família”. Nada compra a evolução que isso concedeu a nós, mulheres. Mas talvez seja o momento de analisar quais são os prós e os contras.

Esse mês voltei a me “ajustar” com ajuda da minha médica e retornei pra pílula, só que uma mais indicada pra mim, respeitando aquilo que quero e preciso dos hormônios. É importante aqui abrir um parêntese pra que vocês não esqueçam de comentar com a de vocês se há qualquer doença no histórico familiar.  Mas não estou totalmente convencida: ainda busco outros métodos para controle hormonal, como os DIUs de progesterona e de cobre. Ainda me incomoda esse uso contínuo de medicamento, não tanto quanto a dor de ouvido e a enxaqueca, mas me incomoda. E aqui abro espaço pra vocês, meninas. Me contem: o que vocês usam, como vocês fazem? Vocês tomam remédio? Se sim, por conta própria ou com orientação médica? Estão satisfeitas com os efeitos colaterais?

A gente se vê tentando ser feliz com TPM mas aceito dicas também. kkkk

Vamos ter essa conversa. Acreditem: nunca é tarde demais pra conhecer melhor nosso corpo! 😉

Camila Mandarino, vinte e tantos anos. Mãe de Mafê, da westie Lily e de quatro peixes, é formada em Publicidade com MBA em Comunicação Corporativa. Como uma boa capricorniana com ascendente em Áries, não perde a oportunidade de falar, escrever e opinar sobre tudo e sobre todos, sabendo que a verdade pode não ser fácil. Mas é libertadora.

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