Violência contra a mulher: não se cale!

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Nunca se ouviu tantas notícias sobre namorados e maridos que matam as companheiras. Já parou para pensar como isso é assustador? As pessoas estão achando que o outro é propriedade exclusiva e isso é um retrocesso. Não aceitam que o relacionamento acabou e a velha máxima (equivocada) do “se não for minha, não será de ninguém” está levando cada vez mais mulheres ao túmulo. E não há uma faixa etária de risco ou um perfil específico, são mulheres com anos de relacionamento ou meninas que acabaram de conhecer o primeiro namoradinho.

Violência contra mulher não é uma coisa recente. Quem não se lembra do caso de Itana que aconteceu aqui em Camaçari há mais de 10 anos? Um jovem namorado inconformado com o término do namoro, sequestrou, matou a menina e depois se matou. E sem esforço algum, não é difícil lembrar vários outros casos que a mídia noticiou, como Daniela Peres, Eloá Cristina, Mércia Nakashima e tantas outras “anônimas”. Esse tipo de crime é tão comum, que está banalizado.

Um dos motivos dessa agressividade masculina é cultivada inconscientemente dentro de nossas próprias casas. Não é admissível em pleno século XXI numa mesma família, o menino “pode fazer tudo”, enquanto a menina tem “limites” não impostos ao irmão. Isso tem que acabar. Há muito tempo conquistamos o direito de igualdade e precisamos fazer valer essa conquista. De que adianta a mulher lutar por tanta independência, quando a prisão começa dentro de casa? Aproveitando o gancho da polêmica envolvendo o José Mayer, o mesmo afirma em texto ser fruto de um meio machista e que suas atitudes o envergonharam. Como uma pessoa dita “culta” pode se valer do machismo para justificar uma atitude tão deplorável e batida e rebatida em tudo quanto é mídia? O comportamento agressivo jamais deve ser justificado. O homem é o único culpado pelos seus atos.

Em tempos, nunca houve tanta campanha de conscientização e, mesmo assim, é cada vez maior o número de agressões e crimes passionais. Ao mesmo tempo em que uma legião de mulheres se mobilizam e defendem alguém que sofreu assédio, vemos outras tantas afirmando que “aquela fulana (a vítima) só quer se promover”. É muito comum ver mulheres criticando outras pela forma como se vestem e ainda atribuírem adjetivos pejorativos: “Olha a fulana, parece uma puta. Depois reclama quando é estuprada”. É uma sensação angustiante de estarmos andando para trás.

E mais assustador ainda é o choque das pessoas (principalmente mulheres) quando “descobrem” que uma mulher viaja só, que troca o pneu do próprio carro, que troca a resistência de chuveiro, que vai sozinha para bar, mesmo sendo casada. Esse sentimento de que a mulher casada é propriedade do marido ou que “deve” deixar de ter vontades próprias, ou mesmo só fazer coisas em companhia do digníssimo é apavorador. Essa cultura de apropriação tem que ser erradicada. A mulher é livre para ir e vir, em qualquer lugar, horário ou ocasião. Não existe um manual do relacionamento e cada casal adéqua sua vida de acordo com a necessidade de CADA UM.

Estamos falando de dois seres, que possuem vontades próprias e que têm pensamentos e anseios divergentes. Mas se comprometer (“ficar”, namorar, noivar ou casar) significa abdicar da própria individualidade e viver a vida do outro.

É preciso acabar com esse estigma de que mulher foi feita para casar e cuidar do marido e da casa. E essa cultura infelizmente esta ligada à religião ainda, mas isso é pauta para outro texto. É dar à criança desde cedo o acesso à informação e a opção de ela ser o que quiser ser. A mulher pode escolher casar com um homem, ou com outra mulher, ou não casar, ou morar só, ou ser ou não ser submissa. A decisão é nossa e não deve ser uma vontade fruto do meio. Tem que ser uma escolha. As famílias precisam ampliar esses leques de opção para termos mulheres mais informadas e dispostas a denunciar homens violentos, que usam da força física para ameaçar, humilhar, coagir e coibir. Não podemos nos calar. É raro um homem agredir uma mulher “corajosa”. Ele sabe que ela vai denunciá-lo e isso o limita. Então, sejamos mulheres corajosas, com opinião própria e cientes de todos os nossos direitos.

Esse é um desafio e um grito para a sociedade. Vamos denunciar e expor os agressores. Superem seus medos, lutem, ergam a voz, passem por cima dos preconceitos e façam valer seus direitos como seres humanos. Entendam que violência contra a mulher é todo e qualquer ato que cause dano, dor ou sofrimento físico, psicológico ou sexual. Ameaça, coação, aprisionamento, humilhação, violência doméstica, abuso, crime passional, privação da liberdade, ter relações sexuais não consentidas, socos, empurrões, gritos, insultos, mutilação genital, casamento forçado, casamento precoce, violação e xingamentos, são algumas manifestações de violência.

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Procure ajuda com pessoas de confiança, pois seu silêncio protege o agressor!

Amante de gatos, boas músicas e excelentes companhias e batons vermelhos. Chata por natureza, aprecia sem esforço um bom livro, um vinho ou um filme. Casada e mãe de duas felinas; Neném e Phoebe, acredita que pode dominar o mundo quando usa um batom novo e mantém controlada a Drag que vive dentro dela.

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