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Baianas que inspiram: conheça Elisama Santos

O mundo está cada vez mais cruel, a vida está cada vez mais difícil, é um perrengue atrás do outro, os dias voam, tudo passa tão depressa e com tanta intensidade que a gente parece viver em meio a um verdadeiro caos. Se ser gente já é complicado, imagina ser mãe… claro, porque mãe não é um ser humano comum né? A gente tem que ser milhões em uma só, exercer essa tarefa super puxada e preparar os novos seres que vão habitar e cuidar deste planeta. E é por essas e outras que, quanto mais motivos bons nós tivermos para continuar lutando, melhor. E quando esse motivo vem em forma de mulher, é melhor ainda. Por isso, é com muita honra e admiração que lhes apresento Elisama Santos, uma baiana arretada! Autora dos livros “Tudo Eu! Confissões de uma mãe sincera” e “ReOlhar, acolhendo quem somos e os filhos que temos”, a mãe de Miguel e Helena vem inspirando milhares e milhares de mulheres e mães pela Bahia e pelo Brasil:

Elisama e família

Conta pra gente, quem é Elisama Santos?

Coisa difícil é se definir, né? Sou muitas. Escritora, mãe de dois, palestrante, consultora em educação não violenta… Semeadora da autocompaixão e empatia, sobretudo na vivência materna.

De onde você vem? Como foi a sua infância?

Nasci em Feira de Santana, cresci com meus pais e irmã. Meus pais se separaram quando tinha 14 anos, mas segui tendo uma boa relação com ambos. Tenho pais amorosos e dedicados, mas que tinham pouco – ou nenhum – conhecimento sobre o desenvolvimento emocional, nem ferramentas para lidar com os desafios do educar sem uso de palmadas e castigos.

O que te motivou a falar/escrever sobre a Educação Não Violenta?

Acho que educar com respeito e empatia pode mudar o mundo. A inteligência emocional é a chave para o sucesso profissional e pessoal, para uma vida alinhada com a melhor versão de nós mesmos. Nós, tradicionalmente, não educamos com foco no desenvolvimento emocional, no fortalecimento da autoestima, da autonomia e da autodisciplina. Esse foco na obediência pura e simples precisa mudar.

Quais são os efeitos que você deseja surtir nas pessoas que têm acesso aos teus conteúdos?

Meu sonho é que a gente desperte. Uma sociedade mais consciente das próprias ações, sentimentos e necessidades. A gente vive num torpor coletivo, acorda, trabalha, dorme e não pensa um instante em como estamos, em como nos sentimos, em como nos cuidamos. Uma vida no automático, pura e simplesmente. Quero que a gente comece a entender que temos escolhas, que somos responsáveis pelo que sentimos e por como vivemos. E como educamos.

Em, Tudo Eu! Seu livro de estreia, de maneira leve, direta, emocionada e divertida, você aborda desde a glamorização da descoberta da gravidez, até a hora do parto. Um livro imperdível para todas as mulheres que são mães e para aquelas que ainda querem ser. No seu segundo livro, ReOlhar, com o que é que as mamães se deparam?

O ReOlhar é um livro muito especial que nasceu de uma inspiração linda e mágica. Fiz uma meditação em uma noite, na manhã seguinte estava com os títulos de todos os capítulos prontos em minha cabeça. Ele foi dividido em duas partes, uma de autocuidado e outra de cuidado com a relação com os filhos. Eu acredito que, para cuidar de alguém precisamos cuidar de nós mesmos. Quanto mais felizes e conscientes somos, quanto mais acolhemos nossa complexidade, mais capazes somos de acolher a complexidade do outro, sobretudo dos nossos filhos.

Nos dias atuais, quando deveria ser mais fácil criar e educar nossos filhos, essas tarefas estão cada vez mais difíceis. Encontramos pais sem controle algum sobre os filhos; machismo em alta; liberdade, igualdade e respeito se tornaram os “artigos mais caros da vitrine”, quando deveriam ser extraordinariamente gratuitos, dentre inúmeras outras coisas. Qual a sua opinião sobre isso? Por que chegamos a esse ponto?

Acho que a ideia de controle que veio do patriciado é o primeiro e grande equívoco da educação tradicional. Controle não conecta. Não cria vínculo duradouro e verdadeiro, não desperta a consciência e a responsabilidade. Somos educados pra fugir da dor (surras, palmadas, castigo e humilhações) e para buscarmos a recompensa. Precisamos educar para além dessa dicotomia. Quanto ao Machismo, é algo ainda muito enraizado na nossa sociedade e que vamos desconstruindo. Tenho muita fé no movimento que estamos fazendo. Vejo muita gente buscando uma educação empática e igualitária, trilhada no autoconhecimento. Estamos mudando esse cenário.

Quais são os principais erros que uma mãe deve evitar cometer na educação de seus filhos?

O principal erro é a gente não pensar antes de agir. Fazer tudo no automático, porque sempre foi assim e acabou. Nos questionarmos é o maior presente que podemos dar para as crianças. Filhos são iguais a nós, não em experiência, mas em dignidade. Educar com horizontalidade faz uma diferença imensa na vida.

A mídia, os comerciais de margarina, a mãe da Peppa Pig e mesmo alguns livros infantis mostram a maternidade como um momento tão sublime, tão fácil, tão feliz… Mas quem é mãe sabe que maternar é tarefa SUPER DIFÍCIL, um verdadeiro trem bala que vai do paraíso ao caos em fração de segundos. Qual é a verdade de tudo isso?

A verdade é que a gente é a melhor mãe que pode ser. Não existe maternidade perfeita, não existe experiência no mundo que seja só amor e felicidade. Nada é só bom. A maternidade é uma relação entre humanos, em que uma humana cuida de um serumaninho. Sem super, sem endeusamentos. A gente chora, se assusta e às vezes se arrepende. Não conheço nenhuma mãe que nunca sentiu vontade de sair correndo sem olhar pra trás. A mãe perfeita é uma falácia. Existe a mãe possível. E tudo bem.

O Dia das Mães se aproxima, junto com ele, chuvas de declarações de amor, presentinhos, etc… O que a Elisama, que tem inspirado milhares de mães por aí, tem a dizer para aqueles que são filhos?

Sua mãe é gente como você. Ela também cansa, sente fome, sono, sede, medo. Essa história de doação como algo gratuito e indolor é utopia. Valorize, acolha, respeite. Olhe nos olhos, tente entender o que ela sente. E isso não é só no domingo, é pra vida toda.

Para terminar, defina/descreva em uma frase, a expressão: “Educação não violenta, acolhimento e empatia”

Uma relação de aprendizado, igualdade e inteireza.

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