Comportamento

Camaçarienses contam como superaram traumas e voltaram a sorrir

Uma frase que se costuma ouvir bastante, sobretudo dos jovens, é: “tenho a vida toda pela frente”. Mas a verdade é que não há como ter certeza disso. Num instante, se está aqui, num outro, tudo pode acontecer e mudar o rumo da história. No entanto, grande parte das pessoas acredita que os acidentes só acontecem com os outros, mas quem já passou por traumas, garante: a vida é mesmo muito frágil. Por isso, é preciso valorizar cada instante….

Traumas-acidentes-camaçari-mulher-helena-Evelly (1)Em Camaçari, o medo e a insegurança de transitar pela cidade, principalmente à noite, já fazem parte da rotina dos moradores. Vítima de um sequestro relâmpago, a instrumentadora cirúrgica, Helena Xavier, de 50 anos, viveu momentos de terror nas mãos dos sequestradores. Natural de Paulo Afonso, Helena mudou-se para o município depois que seu esposo recebeu uma proposta de trabalho. Tudo parecia perfeito, até o dia 29 de junho de 2013.

“Tinha apenas seis meses em Camaçari e estava preparando uma festinha de aniversário para meu neto. Ao buscar o bolo, fui surpreendida por dois bandidos que me abordaram e mandaram eu ir para o banco de trás do meu carro. Nesse momento, eu só sabia pedir a Deus para que ele me tirasse daquela situação, enquanto os sequestradores gritavam e pediam para eu me calar. Ao saber que estávamos sendo perseguidos pela polícia, eles se desesperaram e acabamos colidindo em outro carro. O acidente foi terrível. O rapaz do outro veículo e um dos bandidos morreram na hora. Eu fui levada às pressas para o hospital, inconsciente, com o lado esquerdo do rosto dilacerado, além de fraturas no fêmur, braço e dedos. Hoje, depois de quase três anos, aprendi a lidar com algumas consequências, como dores crônicas. Mas, apesar de tudo, ficou um grande aprendizado.Posso afirmar que descobri um novo sentido pra viver e entendi que a nossa recuperação tanto física quando mental, depende de nós. Os médicos vão ajudar, as pessoas podem te dar forças, mas você só se recupera quando entende e tem fé que aquela situação será apenas uma fase ruim da sua vida e que você está disposta a sair dela”, relata.

Traumas-acidentes-camaçari-mulher-helena-Evelly (2)
Helena com seu esposo e neto

Ciente de toda ajuda que recebeu durante sua recuperação, a instrumentadora destaca o neto Conrado e seu esposo, como os maiores apoiadores.“Fui muito abençoada por Deus, pois ainda tive a sorte de contar com todo amor e dedicação do meu netinho que, na época, tinha menos de dois anos, porém, até hoje me surpreendo com ele, como conseguiu ser tão compreensivo, sendo tão novinho”, conta. Helena fala que o importante é ter consciência da sua força, nunca desistir de si mesma e da felicidade. “Não deixo de me cuidar. Vou ao salão, faço minhas unhas, cuido do meu cabelo, passeio, viajo… voltei a dirigir, me divirto com meu marido. Assim, fica mais fácil encarar o medo e seguir em frente”, conclui.

Traumas-acidentes-camaçari-mulher-helena-Evelly (6)A estudante Evelly Porfírio, de apenas 17 anos, também tem conseguido dar a volta por cima após ser vítima de um acidente em 2014.

“Era dia das crianças, tudo parecia normal, estava feliz com meu namorado e seguíamos de moto para a minha casa, quando fomos surpreendidos por um carro que, conduzido por um motorista embriagado trafegando na contra-mão, nos atingiu em cheio. Com a força da batida, fomos arremessados para longe, eu caí de bruços, tive uma fratura exposta na perna e diversas escoriações. Em choque, não entendia nada e não tinha ideia da gravidade dos ferimentos. As pessoas paravam, olhavam para nós dois com expressões assustadas, e aquilo me deixava mais nervosa. Além de não saber o que tinha acontecido comigo, percebi que tinham muitas pessoas ao redor de Matheus (meu namorado) e isso me deixava ainda mais desesperada.  Somente no hospital, percebi a gravidade da situação. Passei mais de um ano na cadeira de rodas, cheguei a pensar que não poderia mais andar. Quando consegui mexer meus dedos novamente, fiquei mais otimista, porém, além da cadeira de rodas, ainda tive que aprender a conviver com os fixadores (aparelhos com pinos metálicos fixados para estabilizar o osso), o que era extremamente desconfortante e me impedia de fazer muitas coisas. Mas o que me abalou mais foi saber que o meu namorado perderia parte de uma perna. Não foi fácil… contudo, era dele que vinha o maior apoio para minha recuperação. Com o passar dos meses e, também, com o apoio do meu pai, das minhas duas irmãs e amigos, fui voltando a sorrir para a vida”, relata.

Traumas-acidentes-camaçari-mulher-helena-Evelly (4)
Matheus e Evelly

Apaixonada pela vida, a estudante acredita que tudo depende da própria força de vontade e, por mais difícil que seja a situação, desistir não é a melhor opção. “Hoje em dia, quando eu paro pra refletir, percebo como fui e sou abençoada por Deus, pelo fato dele ter preservado minha vida, e ter permitido que eu voltasse a andar e fazer coisas que eu nem imaginava há um ano atrás. Minha maior lição foi aprender a dar valor às pequenas coisas, à presença das pessoas que eu amo, e tudo isso é incrível mesmo depois de tanto sofrimento e dor. Hoje, o acidente é apenas uma lembrança que às vezes dói, mas, ao mesmo tempo, me encho de alegria quando percebo como é gratificante saber que superei tudo isso, e que voltei a ser feliz!” finaliza Evelly.

cmulhermenor

Comentários

comments