Croniquinhas da Aline

Croniquinhas da Aline: Enquanto há vida

Vira e mexe fico pensando em como será meu velório. Me pergunto se haverá muita gente, se minha família vai sofrer, quem vai fazer a oração final (eu tenho certeza de que será Magno, um amigo professor que tem as palavras mais lindas que conheço – se ele não partir antes, né?! ), se vão precisar gastar muito dinheiro (lá na frente, acho que pagarei um auxílio funeral). Um amigo meu partiu cedo e seu enterro, ainda que precoce e dolorido, foi de festa! Com samba e poesia, como ele gostava. Achei lindo, digno e, apesar da perda dolorosa, precoce e inesperada, era uma festa de despedida, apenas (naquela pegada Milton Nascimento #qualquerdiaamigoeuvoltoateencontrar, sabe?). Se eu fui ao enterro? Não! Eu MORRIIIIA de medo de cemitérios, mas fui ao velório e não gosto de me lembrar de vê-lo daquele jeito: calado, frio e sem sorriso.

Meu primeiro contato com cemitério foi no enterro de minha avó materna, há alguns anos. A ficha só caiu mesmo quando entrei no bendito, pois eu estava ajudando minha mãe com os trâmites (morrer dá um trabalhão!) e nem dava tempo de sentir dor. No entanto, eu só fui porque me lembrei de um esporro que levei de minha vó Marina por não ter ido ao enterro do bisavô de meus filhos. Jamais me esquecerei de suas palavras: “Por que você não foi? Olhe, ir ao enterro é a última homenagem que se pode fazer a alguém, viu? Tem que prestar solidariedade a quem fica!”. Foi o único sermão que vó me deu até hoje, e agora adulta, eu entendo muito mais o que aquilo queria dizer.

Ah, Aline, você, que falou de amor em textos anteriores, veio falar de morte hoje? Eu não, minha gente! Reparem: quando eu penso na ida, penso no que será deixado! Frequentemente repenso no que ando fazendo, plantando, semeando e quando faço uma bobagem, perdoo a mim mesma, peço perdão a Papai do Céu e, se houver machucado alguém, geralmente me desculpo. Sim. Geralmente. É que existem pessoas que se aproveitam de sua dor e futucam um pouquinho mais para a ferida ficar bem inflamada e, só depooooois, dizer que lhe perdoou (quando o fazem). Desse jeito não ajuda, né? Vigiai, jovens, vigiai! (risos)

É meio mórbido falar de morte, mas precisamos nos concentrar enquanto há vida, né nom? Fazer-se perguntas como “estou sendo útil?”, “estou servindo aos meus amigos apenas para ‘pagar’ alguma dívida que têm comigo ou sem esperar nada em troca?”, “alguém me procura quando está com problemas?”, “estou sendo problema para alguém?”, “só procuro as pessoas quando preciso ou faço isso com frequência?”, pode ser o começo. Sempre há tempo para aquele café, chá ou açaí (olha o povo fitness aí!) com os amigos; aquela ligação, ainda que rápida para o parente distante; aquele encontro anual com os amigos de faculdade, escola, do antigo emprego; aquele “só liguei pra saber como você estava”.
Celebremos a vida com os nossos!

Aloha, amigos!

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