Croniquinhas da Aline

Croniquinhas da Aline: Eu te amo (?)

Uma amiga estava passando por maus bocados num relacionamento e eu, a psicóloga do momento, escutava com atenção suas queixas frequentes.

– Cê tá pensando que ele diz que me ama? É um ogro! Custa dizer “eu te amo” de vez em quando?
Eu a escutava com atenção, pois era disso que ela precisava naquele momento. Depois de toda a verborragia da garota, entrei com meus dotes do Curso Superior em Psicologia Barata para Amigos Necessitados há tempos concluído. Perguntei-lhe o que ele tinha que a encantava e, depois de um tempinho, pensando, ela me disse como gostava do jeito ogro dele de ser, de como ele vela seu sono quando está de TPM ( Grrrrrr! Sniiiiif! Hahahahaha) e sempre tem um chocolate nessas horas, da forma carinhosa que ele a trata ao telefone. Curiosamente, ela foi falando, os olhinhos foram brilhando e ela esqueceu, inclusive, de que estava reclamando do seu aspirante a Shrek. Dali em diante não precisei dizer mais nada. Ela entendeu que ele a ama, mas do jeito dele.

Exigimos tanto das três palavras mágicas dos filmes, livros , seriados e novelas, que nem percebemos o que nos encanta em alguém. A pessoa deixa a porta aberta para a outra passar? Para na faixa de pedestres para que atravessem? Cede o banco para outa pessoa sentar? Te liga para perguntar como foi seu dia? E aquela balinha que você tanto gosta que apareceu do nada só para lhe arrancar um sorriso? Lava os pratos quando você está cansada (o)? Acorda com um sorriso no rosto e lhe dá AQUELE bom dia com AQUELE sorriso?

Existem mil maneiras de preparar Neston. Existem mil maneiras de dizer EU TE AMO, sem dizer “EU TE AMO”. Cabe a nós, percebermos o amor nos pequenos gestos, nas gentilezas, nos olhares, nos cheiros e nos sabores.

Muito amor nas sutilezas da vida, gente!

Aloha!

Comentários

comments