Elas por Ele

Elas por Ele: Nem todo marceneiro é machista

Quando o assunto é Jesus Cristo, geralmente as opiniões são extremas. Alguns defendem sua alcunha de Filho de Deus como verdade absoluta e inquestionável, enquanto outros insistem em exigir evidências científicas e históricas que comprovem sua passagem pelo planeta Terra. Há algo, porém, que nenhum dos dois grupos pode negar: a influência exercida pelo principal protagonista da Bíblia no comportamento da sociedade ao longo dos últimos 2 mil anos. Entre as alterações provocadas por consequência das histórias narradas nos evangelhos está a visão sobre a mulher, sobretudo na cultura ocidental.

Muitas pessoas, ao pensarem na imagem de Jesus Cristo, idealizam um indivíduo que sofreu humilhações, torturas e morte que não merecia. Ao traçarem esse perfil limitado, talvez ignorem seu engajamento na luta por mudanças no comportamento dos seus contemporâneos e sua coragem para questionar e se opor às posturas equivocadas da sociedade daquela época e região.

Não posicionar-se a favor do apedrejamento de uma mulher flagrada em adultério (pressupõe-se que havia um homem com ela, mas apenas a figura feminina foi arrastada pelas ruas) foi, praticamente, um ato de rebeldia contra leis civis sancionadas há séculos (dentro de um contexto histórico específico).

Ao permitir a aproximação e o toque de uma prostituta, em público, Jesus provocou nas testemunhas não apenas um choque, mas também uma reflexão sobre o verdadeiro significado de pureza e honra.

Quando conversou com uma mulher samaritana na beira do Poço de Jacó, Jesus mostrou que não pactuava dos mesmos preconceitos que seus conterrâneos.

A amizade que nutria com as irmãs Marta e Maria também é um indicativo de que o revolucionário nazareno que muitos afirmam adotar como referência de vida era um homem à frente do seu tempo.

Se tem uma coisa que deveríamos aprender com o Cristo das histórias bíblicas é que a mulher deve ser tratada com respeito e que isso independe dela ser prostituta, tecladista, arquiteta, estilista, poliglota, metodista, surfista ou agiota. Me desculpem as feministas radicais, mas na minha opinião, a devida valorização da mulher é um processo gradual que, em um dado momento da história, contou com a grande colaboração de um homem e, ainda hoje, pode contar com a contribuição e o apoio de outros. Repensar as próprias posturas e conceitos comprados prontos é um bom começo. Seja qual for o seu gênero, compartilhe respeito!

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