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Eternas Namoradas: há 17 anos, Cristiane e Juciara não abrem mão uma da outra

  • 1 T de amor
  • 1 T de paixão
  • Um pote grande de Respeito
  • Um pote transbordando de Compreensão
  • Romantismo, Abdicação, Honestidade, Tesão, Entrega e Admiração a gosto (pode exagerar à vontade).

Esta bem que poderia ser a receita da cozinheira Cristiane, de 42 anos, para um relacionamento feliz, afinal, são quase 18 anos ao lado da esposa Juciara, de 44, num casamento norteado pelos “ingredientes” citados acima.

A forte ligação entre as duas começou no mesmo dia em que os olhares se cruzaram pela primeira vez, no bairro do Lobato, em Salvador. Cristiane estava indo a um evento quando viu Juciara jogando bola em uma rua próxima e se perguntou: “quem é ela?”. Não sabia, mas ela era a pessoa que, nesse mesmo dia, disse para si mesma: “essa mulher vai ser minha”.

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Juciara (à esq.) e Crisitiane

Não deu outra: sabendo do interesse mútuo, uma amiga em comum fez o papel de cupido e tratou de aproximar as duas. Começava ali uma linda história de amor que, ao contrário dos romances estilo água com açúcar dos cinemas, não foi sempre um mar de rosas. Primeiro porque elas eram (e continuam sendo) muito diferentes. Juciara é mais solar, gosta de agitação, de estar em contato com muita gente. Cristiane já é mais tranquila, prefere ambientes mais quietos. Segundo, porque não é fácil manter uma relação homoafetiva em um país que registra altos índices de discriminação e violência contra os homossexuais. Terceiro, porque nenhuma relação é 100% o tempo inteiro.
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Mas, como nunca faltou amor, compreensão e coragem para as duas, não houve barreira que, juntas, não conseguissem derrubar, e o que é melhor: da maneira leve como sempre encararam a vida. Demorou mais de 15 anos, por exemplo, para o pai de Cristiane enxergar o casamento da filha com naturalidade. Ele, que durante todo esse tempo, preferiu manter certa distância, quando precisou conviver com as duas mais de perto, percebeu quanto amor existia ali. “Meu pai se deu conta de que nós somos um casal normal, que nos amamos, brigamos, fazemos as pazes e estamos juntas para o que der e vier”, conta.

Como todo casal, elas morrem de saudade quando estão longe. Tempos atrás, quando Cristiane precisou mudar-se para São Paulo a trabalho, elas viveram uma fase muito difícil, a mais complicada da relação.

“Fiquei um ano por lá e até surgiu a oportunidade de permanecer. Profissionalmente, seria ótimo, mas eu não consegui mais ficar longe dela e voltei assim que pude. Meu lugar é onde o meu amor está”.

Companheiras, parceiras, amigas, confidentes, namoradas, amantes, as duas, agora, também dividem o título de “mãe” da cachorrinha Pandora, que veio para aumentar a família e tornar mais forte esse laço. Ainda este ano, elas pretendem oficializar a união, num casamento coletivo previsto para acontecer em Camaçari, cidade onde Cristiane cresceu e a qual Juciara aprendeu a gostar, uma vez que é aqui que moram seu sogro e sua sogra, ou como ela carinhosamente os chama: papi e mami.

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Ao ouvir a voz de sua esposa chamando-os assim, aliás, ao ouvir a voz da esposa de qualquer forma, ao observá-la nas situações mais corriqueiras, ao falar sobre ela, Cristiane deixa transparecer o quanto é feliz por tê-la encontrado. Não esconde de ninguém que tem um coração tranquilo por estar com alguém que a ama e a respeita. “A gente vive muito bem, muito feliz. Celebramos cada conquista: nossa casa, nossa “filha”, estamos abrindo um negócio juntas… cuidamos da nossa relação, deixamos bilhetinhos, nos divertimos, mantemos nosso elo com muito carinho. Isso é maravilhoso! Se você está com alguém ao seu lado agora, se pergunte: Existe amor de verdade entre nós? Se a resposta for sim, não desista. Se existir amor, não abra mão, pois nada se compara à felicidade de viver ao lado da pessoa que se ama”, finaliza Cristiane, com os olhos brilhando por Juciara, sua eterna namorada.

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