ComportamentoMaternidade

Mães falam sobre a nada mole vida de quem escolhe maternar

Falar sobre a parte boa da maternidade é fácil. Mesmo porque, em tempos de redes sociais, a máxima de que uma imagem vale mais do que mil palavras, é super atual. Mas, quem é mãe sabe bem que, se a arte de maternar proporciona muito encanto e magia, também carrega um turbilhão de sentimentos e tarefas difíceis de lidar.

débora bittencourtQue o diga a Relações Públicas Débora Bittencourt, 36. Para ela, a maior dificuldade é conciliar todos os papeis e manter o equilíbrio emocional. “Ser mãe e ao mesmo tempo trabalhar fora, cuidar da rotina da casa, ser estudante, ser filha, ser amiga, ser mulher… e por aí vai! Principalmente, quando o seu filho é pequeno e totalmente dependente de você”, revela.

Passar noites em claro, ter que lidar com um novo corpo, uma nova realidade, saber-se responsável por um ser e ainda sofrer cobranças da sociedade para ser perfeita e fazer tudo correto não é fácil e, quando se é mãe solteira, fica mais complicado ainda. “Tudo isso é potencializado de tal forma que você acha que não vai dar conta e vai pirar! Porque é você sozinha para tudo. Cuidar da criança, das necessidades emocionais dela, da educação doméstica e escolar… é uma responsabilidade que a todo tempo a sociedade está com o dedo apontado para a gente cobrando e não tem noção do quanto nos angustia, nos oprime e não contribui em nada para ter mães e filhos saudáveis. É um empoderamento conquistado pouco a pouco e com muito suor e lágrimas”, desabafa Débora.

E quem pensa que as dificuldades param por aí, está enganado. Afinal, qual mãe nunca acabou esquecendo um pouco (ou muito) de si por estar ocupada demais com os filhos e, ainda que sem querer, teve a autoestima abalada? Qual mãe nunca desejou e sequer conseguiu tomar um banho mais longo por ter alguém batendo à porta querendo atenção toda hora? Ou qual mãe com filhos bem crescidinhos não perdeu noites preocupada se eles estariam seguros longe do “ninho”?

IMG-20160505-WA0021Quem também abre o coração sobre essa nada mole vida é a dona de casa Tereza Cristina, de 59 anos. “Gosto muito de uma mensagem que diz que ser mãe é guardar o choro pra depois, é deixar pra ficar doente outra hora e saber que comer e dormir não pode ser pra já”, revela. “Uma das coisas mais difíceis que eu considero nessa missão é ter que sentar e esperar que os filhos aprendam sozinhos as lições da vida. Já passei por muita coisa e gostaria que através da minha experiência os meus filhos aprendessem e não passassem por momentos de dor, mas ser mãe também é isso: vê-los viver suas próprias histórias, se machucarem, sofrerem, mas crescerem com isso “, comenta.

Mas, ainda que haja um número grande de obstáculos neste universo que está bem longe de ser cor-de-rosa, tanto Tereza quanto Débora não têm dúvidas de que ser mãe é uma experiência transformadora e maravilhosa:

“Ser mãe é coisa de gente grande, de quem tem coragem, por isso tem que ser uma escolha. Amo muito meus filhos e me sinto privilegiada de tê-los ao meu lado em todos os momentos”.

(Tereza Cristina)

“Às vezes penso que Ser mãe é para poucas! E tem que querer muito! É uma possibilidade que nos é dada de conhecer o amor. O amor verdadeiro! O amor puro! Aquele que a gente não sabe explicar e que só vivenciando dia após dia o Ser mãe é possível sentir, seja com um filho do ventre ou do coração. Quando você embarca de verdade nessa grande e eterna aventura do Ser mãe, você passa por uma profunda revisão de valores, conceitos, comportamentos… muita coisa que tinha um alto valor para você deixa de ter e outras questões passam a ser bem mais significativas como o sorriso do seu filho, por exemplo. Outro aspecto importante, é o autoconhecimento que o Ser mãe nos proporciona a ponto de nos revelar uma sabedoria, uma força, uma coragem que desconhecíamos ter, nos transformando em super-heroínas que todos os dias enfrentam grandes e pequenos vilões nas mais diversas dimensões desse universo da maternagem!”

(Débora Bittencourt)

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