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Mulheres de Camaçari: Márcia Figueiredo e o reencontro consigo mesma

Márcia sempre foi uma mulher alegre, cheia de amigos. Aquela pessoa com a qual todo mundo podia contar. Ela tinha brilho, tinha aquela luz natural de quem nasceu para ser estrela, para fazer a diferença, tornar o mundo melhor.

Um dia, Márcia se olhou no espelho e não se reconheceu mais. Quem era aquela mulher na qual havia se tornado? Onde estavam seus sonhos? O que havia feito da própria vida? Quase entrou em desespero. Não conseguia enxergar a força daquela menina que começou a trabalhar aos 16 anos. Aquela cuja a mãe nem ensinou os afazeres domésticos para que ela nunca esquecesse de que seu destino era conquistar o mundo. Em que lugar aquela Márcia havia se escondido?

Estava, na verdade, “presa” a uma união na qual não se sentia feliz, valorizada, vendo sua autoestima ser minada dia após dia. “Mulher casada tem que cuidar dos filhos e do marido”, ouvia. E de Márcia? Quem cuidava? Nem ela mesma. Muito acima do peso, com a saúde emocional abalada, sua única força vinha dos filhos Heitor (7) e Guilherme (4).

Quando, finalmente, teve coragem de encarar o caos no qual se encontrava, percebeu que tinha duas opções: aceitar que seu destino era continuar “vivendo de aparências”, mas infeliz; ou, tomar as rédeas da própria vida, virar o jogo e resgatar a Márcia forte, alegre e confiante de sempre, capaz de ressignificar a própria história.

Recomeço

Com toda a sua dignidade na bagagem, mudou-se para um quarto e sala com os filhos. O dinheiro só era suficiente para dois meses de aluguel. Acreditou. Antes do terceiro mês vencer, já havia conseguido um emprego. Aos poucos, resgatou as amizades que havia deixado de lado, voltou a se amar, se cuidar, se reconhecer e ainda descobriu que era muito mais forte do que imaginava.

Essa descoberta deu-se a cada batalha vencida (e olha que não foram poucas), quando Márcia se olhava no espelho emocionada com a mulher que estava se tornando. Uma mulher independente, mais presente na vida dos amigos e da família, uma profissional dedicada e uma mãe ainda mais preocupada com a qualidade de presença que dá aos filhos, maiores razões do seu sorriso.

Em Reconstrução

A Márcia de hoje é mais amorosa e paciente consigo mesma, nessas tantas lutas que ainda tem que enfrentar. Voltar a usar um biquíni, passar um batom vermelho sem culpa ou preconceitos, ainda são coisas que, aos olhos dos outros, podem parecer pequenas mas que, para ela, serão uma grande vitória. E ela não tem pressa. Segue o próprio ritmo enquanto protege a sua paz. Essa paz de estar bem consigo e suas escolhas, paz de seguir em frente, orgulhosa da mulher que ousou se tornar.

“Nunca é tarde para você se reencontrar e recomeçar. Vale muito a pena lutar para se libertar e ser realmente quem você é. Não o que a sociedade lhe impôs a ser, mas quem realmente você quer ser. É uma luta difícil porque não é externa, não é palpável… é interna. Mas quando você consegue ‘matar’ esses monstros dentro de você, nada mais lhe derruba”.

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