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Mulheres de Camaçari superam obstáculos e retomam os estudos depois dos 40

A vida inteira, as pessoas ouvem os pais dizerem que os estudos são uma das coisas mais importantes na vida: “tem que estudar pra ser gente, meu filho”, “os estudos vão te dar uma vida melhor”, “estude, pois a caneta é mais leve que uma pá”… Na maioria das vezes, esses conselhos refletem algo que eles não puderam viver, mas têm consciência de que fazem toda a diferença na vida de alguém, principalmente das mulheres. Durante muito tempo, a mulher não podia ter os estudos como prioridade pois precisava ajudar a mãe nas tarefas de casa, o pai na roça, cuidar dos irmãos mais novos e, dentre tantas outras “prioridades”, poder frequentar a escola para aprender a ler, escrever e fazer as operações matemáticas básicas chegava a ser um sonho, um privilégio de poucas pessoas.

Apesar de todas as facilidades que o passar do tempo trouxe para concluir o ensino médio e ingressar em uma faculdade, inúmeros são os motivos pelos quais, ainda, diversas mulheres não puderam levar este sonho adiante. A necessidade de abandonar os estudos para cuidar dos filhos pequenos, abrir mão dessa realização para que um filho possa conquistá-la, dificuldades financeiras, medo de não conseguir levar essa tarefa adiante, sentir-se velha demais para voltar à sala de aula; parece algo até absurdo, mas esta é a realidade de muita gente, e nada melhor do que exemplos de mulheres que venceram as barreiras impostas pela idade, para incentivar mais e mais mulheres a não desistirem deste grande sonho e, acima de tudo, se conscientizarem do quanto são capazes de ir além. Conheça a história de Mirian Brito e Magna Coelho, duas mulheres que retomaram os estudos depois dos 40 e estão aqui para motivar você a ir em busca de suas realizações.

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Mirian Brito

Hoje, aos 45 anos, e cursando o 7º semestre de Psicologia, Mirian conta que o apoio da família e dos amigos, a compreensão dos filhos e do marido pelos muitos momentos em que se faz ausente, são o principal incentivo para seguir em frente, rumo à realização de um sonho que, por vinte anos, precisou ficar adormecido. Aos 35 anos, ela tentou retomar os estudos cursando a faculdade de Administração, mas, por questões de prioridades financeiras, cursou apenas um semestre e abandonou o curso. Além disso, a necessidade de cuidar dos filhos, muito pequenos à época, também falou mais alto e pesou na decisão. O tempo foi passando e a vontade de ter o seu diploma em mãos, só aumentava. Assim, em março de 2013, Mirian decidiu voltar a estudar. A dificuldade em conciliar os horários entre o trabalho, a faculdade e as tarefas domésticas como mãe e esposa poderiam ter frustrado a decisão, mas, dessa vez, ela decidiu priorizar os estudos ao invés do trabalho. “No início eu tentei trabalhar e estudar mas ficou inviável pois saía às 5h e só retornava depois das 21h e, novamente, os meus filhos ficariam sem a minha presença. Então, dessa vez, eu optei por renunciar ao trabalho e decidi que iria concluir o nível superior, sem que meus filhos fossem penalizados”. Mas, apesar dos impulsos positivos, muitas foram as dificuldades enfrentadas no retorno à sala de aula. Além daqueles que a criticavam dizendo que ela já tinha passado da idade de estudar e que estava errada em sair do trabalho, precisou convencer os colegas de turma mais jovens, de que também era capaz. “No início, tanto eu quanto os colegas de mais idade, tivemos que enfrentar o preconceito por parte dos mais jovens. Sempre era excluída no momento da escolha para trabalhos em equipe”, revela. Mas isso não foi motivo suficiente para fazê-la desistir, e assim, a cada aula ela ia encontrando maneiras de demonstrar a sua determinação, tanto que hoje é uma das líderes da turma e integra a comissão de formatura. Prestes a realizar seu grande sonho, Mirian já faz diversos planos. “Pretendo me especializar na área de família, pela qual sou muito apaixonada. Também quero ajudar diversas mulheres a resgatarem a autoestima e fazê-las conscientes de seu grande valor”. Vencendo diversos limites a cada semestre, ela também deseja servir de inspiração para outras pessoas que, assim como ela, tiveram que retomar os estudos tardiamente, por isso aconselha:

“Todos nós somos capazes de realizar os nossos sonhos, por mais adormecidos que eles estejam. Os nossos limites não estão no outro, e sim, dentro de nós mesmos. Não basta sonhar, é preciso ir ao encontro da realização do sonho e colocar Deus à frente para que Ele te ajude a conquistar. Por isso, não desista. Siga em frente e vença!

Mas, nem sempre, os fatores financeiros ou domésticos são determinantes para adiar ou interromper os estudos, em muitos casos, o fato de já possuir uma estabilidade profissional cria uma zona de conforto de onde a pessoa não vê necessidade de sair.

Magna Coelho

Assim, considerando que ter um diploma em mãos não era fator determinante para que fosse bem sucedida profissionalmente, talvez pela imaturidade da juventude, a contadora Magna Coelho, de 50 anos, adiou os planos de concluir os estudos e ingressar em uma faculdade. No entanto, apesar da longa experiência na área, chegou um momento em que o mercado de trabalho começou a exigir especificidades do nível superior e, para manter-se no emprego, ela decidiu retomar os estudos de onde havia parado e ingressou na faculdade de Ciências Contábeis aos 44 anos de idade. “Quando voltei aos estudos minhas irmãs mais novas já estavam graduadas e aquilo também serviu de estímulo para mim. Assim como elas, eu também seria capaz de conseguir”, conta. Fazendo parte de uma turma onde a maioria das pessoas estava na faixa etária acima dos 40 anos, Magna conta que não sofreu nenhum tipo de preconceito durante os quatro anos de curso. O apoio da família, do ex-marido e da filha já adolescente, também foram estimulantes. Para ela, mesmo as pequenas dificuldades que enfrentou, serviam de estímulo para seguir adiante. Os inúmeros dias sacrificando o intervalo do almoço para se dedicar aos estudos, as horas de sono perdidas, as ausências em eventos da família, tudo isso valeu a pena. E como já atuava na área há alguns anos, a graduação foi mais um complemento para aperfeiçoar aquele universo com o qual já estava habituada. Ela ainda faz questão de frisar que, no momento em que encarou o desafio de retornar à sala de aula, não teve a idade como um obstáculo, muito pelo contrário, a experiência que carregava na bagagem serviu para lhe ajudar na compreensão dos assuntos e realização das tarefas. Convicta de que a principal lição absorvida ao concluir os estudos foi a possibilidade de poder concorrer com outros profissionais da área de maneira igualitária, ela se diz feliz e realizada. “Não me arrependo das escolhas que fiz, acho que tudo aconteceu no momento em que tinha que acontecer. Trabalho com o que gosto e esta é a maior recompensa, ser feliz com o que faço”, frisa. E, para aqueles que ainda veem a idade como uma barreira para a busca dessa conquista, ela estimula:

“Nunca é tarde para estudar. Você pode ter 30, 40, 50 anos ou mais, o importante é que dentro de você exista a vontade, pois é ela que nos impulsiona a querer, vencer e conseguir. Então, não existe um tempo determinado, o que determina o momento é a vontade, o desejo de vencer e realizar o sonho. Se você tem isso, não existem limites, não existem barreiras que não possa ultrapassar!”

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