Perfil

Nay Souza: uma mulher de luta, uma mulher empreendedora

FB_IMG_1460250229165Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, muita história pra contar, de um mundo “não tão distante”… De fato, o trecho dessa canção, pode representar um pouco da trajetória da mulher forte, destemida, corajosa, apaixonada e que tem muito para contar. Esta é Nay Souza, a esposa de Nivaldo, mãe do jovem Rodrigo e do pequeno Bernardo, que sempre encarou a vida como uma oportunidade.

Nay já foi doméstica, babá, dançarina de banda, já vendeu chocolate em escola, ovos de páscoa (fabricados por ela mesma) em lojas e supermercados, blusas customizadas, flores na praça, alimentos e até trabalhou no açougue com o pai na função de magarefe. A lista de atividades não para por aí e hoje, aos 39 anos, quando olha para trás, o sentimento que lhe vem ao coração é de um orgulho imenso por tudo o que viveu.

Para detalhar todas as suas aventuras, seria necessário publicar um livro, ou mesmo um exemplar inteiro para cada capítulo de sua história, a começar pela infância. Quando sua mãe deixou o interior de Serrinha para buscar em Camaçari uma vida melhor, nem imaginava que iria encontFB_IMG_1460251553746rar por aqui o seu grande amor. Ele já tinha sido casado três vezes e era pai de 11 filhos, e apesar de fazerem parte da mesma família, dona Alaíde e seu Antonio só se apaixonaram em terras camaçarienses, onde a família cresceu um pouquinho mais com a chegada de Nay e seus três irmãos, Dinha, Déa e Sinho, como chama carinhosamente. “Somos 15 irmãos, a mais velha tem 67 anos e o mais novo 35. Mas, mesmo sendo de relacionamentos diferentes e idades muito distintas, nos damos muito bem “, salienta. ” Meu pai tinha um carinho e dedicação imensos com cada filho. Não havia distinção e isso só fez com que os laços entre as famílias se fortalecessem”, conta.

Quando os pais se separaram, Nay tinha apenas sete anos de idade e apesar de todo o amor que rodeava a sua vida, as dificuldades não deixavam de existir.

“Com a separação deles, minha infância foi de idas e vindas entre a casa de um e a casa do outro. Lembro que, durante um tempo, moramos em uma granja que meu pai possuía. E como não tínhamos muitas condições financeiras, tanto o meu pai quanto a minha mãe nos ensinaram, desde cedo,
a batalhar para ajudar nas despesas. Sempre inventávamos alguma coisa pra ganhar dinheiro. Herdamos do nosso pai o instinto empreendedor”

Foi assim que, aos nove anos, ela começou a cuidar de crianças e das casas de algumas pessoas. À medida que ia crescendo, ia desempenhando novos papeis até que aos 18 anos, à espera do primeiro filho, decidiu que teria seu próprio negócio. A ideia do empreendimento surgiu após usar mega hair para um trabalho como dançarina.

“Achava incrível e queria saber como funcionava. Como o processo de manutenção do mega não era feito de frente para o espelho, cada vez que eu ia, ficava sentindo o movimento das mãos da cabeleireira e só bastou isso. Quando saí do grupo no qual dançava, tirei o cabelo e resolvi colocar em minha irmã e ficou bom. Aprendi rápido e fui fazer um curso para aperfeiçoar a técnica”

Daí por diante, ela não parou mais. Quando o pai faleceu, Nay recebeu uma pequena herança de R$ 236 e com ela deu início ao seu grande sonho. Com este dinheiro pagou o aluguel do ponto onde abriria seu salão, tomou um empréstimo na mão de sua irmã Tereza para comprar uma cadeira, um lavatório, um secador e duas escovas e começou a atender suas clientes. Nascia, assim, o salão Raça Brasil que, posteriormente, evoluiu para a loja Raça Brasil Cabelos.

Salão e loja Raça Brasil Cabelos

Exatos 19 anos se passaram e ela diz que não se arrepende de nenhuma das decisões que tomou até aqui , por isso mesmo, não mudaria nenhuma vírgula de sua história. “Acho que as dificuldades me preparam para a vida, sabe?! Realizei meu grande sonho e estou onde sempre desejei estar. O reconhecimento por parte das minhas clientes, familiares e pessoas ao meu redor só completam minha satisfação pessoal, por isso não mudaria nada na minha trajetória. Nadinha”, afirma.

ede5223f-cdaf-478b-a858-fedf98b4bef6Feliz com a vida, com suas realizações e conquistas, Nay, que além de cabeleireira ostenta os diplomas de Gestão de Comércio Exterior e Psicologia, garante que não é de fazer planos para o futuro, pois prefere curtir o momento e plantar boas sementes. Perguntada sobre como e onde gostaria de estar daqui a dez anos, ela só tem um desejo: “Quero estar mais tranquila financeiramente, continuar com disposição para trabalhar e ainda estar jovem e bonita (risos), além de ter bastante saúde, ter os meus filhos por perto, com a vida deles organizada, sem dificuldades. Também não quero trabalhar menos, pois acho que quanto mais velho a gente fica, mais trabalho a gente tem que ter, porque se não você envelhece rápido, para muito cedo”.

No início desse ano, ela precisou parar de aplicar mega hair, pois, por conta dos movimentos repetitivos e exaustivos desses quase 20 anos de profissão, Nay desenvolveu a síndrome do túnel do carpo nas duas mãos e, por isso, teve que parar de fazer o que mais gosta. Triste, porém tranquila, ela relata que fez as duas faculdades já pensando nesse momento. Mas não se distanciou totalmente deste universo, pois continua fazendo a alegria das mulheres com a venda de cabelos em sua loja.

“Gosto do que faço, gosto de estar à frente do meu negócio e atender pessoalmente as minhas clientes. Essa é a minha maior motivação”

Certa de que plantou boas sementes, ela compartilha o seu lema de vida, que é também o legado que quer deixar para os filhos: “Nunca deixe ninguém lhe dizer que você não é capaz. Você pode tudo aquilo que quiser!”.

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Nay e sua família

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