Comportamento

Por igualdade de direitos, movimento feminista avança em Camaçari

Jaqueline Andrade é historiadora
Jaqueline Andrade é historiadora

O movimento feminista tem arrebatado mulheres de todo o mundo em prol da conquista de direitos para a categoria. Ganhando cada vez mais força e agregando mais adeptas, sobretudo pela mudança do cenário social, no qual a mulher se reconhece e afirma sua importância nos espaços, seja enquanto profissional, agente político e/ou social, no Brasil, é notório o surgimento de diversos grupos que lutam pelas causas. Em Camaçari, a situação não é diferente. Mulheres de todas as idades têm se organizado nas lutas que contemplam o universo feminino e que lhes foram historicamente negadas.

Gradativamente, os grupos feministas vêm ganhando visibilidade e desconstruindo o preconceito de que o movimento se trata de “coisa de mulherzinha”, desmistificando a desqualificação atribuída às mulheres que buscam incessantemente pelo reconhecimento e afirmação, incluindo questões de gênero, saúde, educação, sexualidade e liberdade com o próprio corpo, conforme explica a historiadora e feminista de Camaçari, Jaqueline Andrade.

“Para começar, é imprescindível que as pessoas entendam que feminismo e machismo são antagônicos. O feminismo parte do princípio da construção da igualdade. De termos os nossos direitos assegurados, sem sermos vistas como objeto, enxergadas como um ser pensante e capaz. Que nós, mulheres, tenhamos direitos não só políticos, mas também sociais. Já o machismo é opressor, é violento e tenta derrubar, embargar todos os mecanismos que as mulheres usam para alavancar”

Sobre Camaçari, Andrade afirma que o município é um dos protagonistas das cidades baianas e brasileiras, por acreditar que o movimento feminista passou a dialogar melhor com o governo nos últimos anos, avançando nas políticas públicas. “Em Camaçari temos importantes ferramentas como a Delegacia Especial em Atendimento à Mulher, temos o Centro Yolanda Pires, mas ainda é preciso mais. É necessário discutirmos o feminismo nas escolas, ampliarmos os debates, fortalecermos os grupos que existem, criarmos novos e, principalmente, ocuparmos os espaços, inclusive na política, pois precisamos de mulheres representando os nossos interesses e necessidades”, afirmou.

 

coletivo flor de mandacaru
Coletivo Flor de Mandacaru existe há quase dois anos

 

Raquel
Raquel Alves enxerga avanços nas causas feministas em Camaçari

Uma das fundadoras do Coletivo Flor de Mandacaru (grupo criado há quase dois anos, com o intuito de debater pautas acerca do feminismo no espaço acadêmico), a estudante de Direito da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Raquel Alves, compartilha do posicionamento da historiadora no que se refere ao avanço do movimento feminista na cidade. Segundo a graduanda, para que o fortalecimento da causa continue gradativo, é fundamental que as mulheres compreendam a importância de cada uma na luta.

“Precisamos ampliar o diálogo com mulheres de todas as esferas. Trocamos experiências com outros grupos e discutimos a necessidade da sororidade e do empoderamento, e estamos conseguindo. As mulheres de Camaçari tem acompanhado os debates em nível nacional e promovido ações no município. Todo esse trabalho contribui, efetivamente, para a desconstrução da sociedade machista na qual vivemos. Estamos nos organizando para ampliarmos os debates nas escolas, nos bairros, por acreditarmos que o levantamento das pautas ajudem no combate ao sexismo, misoginia, opressão de gênero, violência e patriarcado, para que possamos viver, homens e mulheres, com respeito e direitos equivalentes”, concluiu.

 

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