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Quando nasce uma mãe: Relato de parto de Grazielle Urbano

Grazielle Urbano

Certamente, uma das melhores maneiras de compreender o verdadeiro milagre que é a vida, é presenciando o momento em que uma criança chega ao mundo. Um facho de luz que brota de repente, e em fração de segundos inunda todo o ambiente, ilumina quem está presente, e por todo aquele instante, transforma o universo em um lugar de paz. Não há como ficar inerte, como não mergulhar profundamente no turbilhão de emoções envolvidas… Não por acaso, este é chamado o momento em que uma mulher dá a luz. Luz para o mundo, luz para a vida, luz para o coração. Tornar-se mãe é produzir um milagre, é ser milagre.

Grazielle e esposo_garcezfotografia E ter a liberdade de escolher a maneira como deseja iluminar o mundo é um direito que deve ser assegurado a toda mamãe. Algumas preferem uma maneira mais indolor, outras desejam sentir o instinto natural no ‘conforto’ de um hospital, já outras preferem deixar a natureza seguir seu percurso, em casa mesmo, com a ajuda de doulas e parteiras (como antigamente), total participação do pai e envolvimento direto da família.

Exatamente assim, através da liberdade de um parto domiciliar humanizado, dentro d’água, no quartinho lilás que já estava todo pronto à sua espera, a radiante princesa Giovanna veio iluminar a Terra e completar a vida dos pais, Emerson e Grazielle no dia 20 de setembro de 2015, às 15h22.

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Durante o tempo em que tentava engravidar, Grazielle, de 22 anos, buscou todas as informações possíveis sobre o tipo de parto que sempre sonhou em ter. “Por indicação de uma amiga que tinha optado pelo parto domiciliar, assisti o filme ‘O Renascimento do Parto’. Foi o ponto primordial para que eu decidisse ter o parto natural e, levando em consideração a realidade obstétrica de nossa cidade, considerei que esta fosse a forma mais respeitosa para que minha filha viesse ao mundo”, relata. Por isso, quando o aumento de apetite, as insistentes dores de cabeça, enjôos e um sono inexplicável confirmaram que o tão sonhado bebê estava à caminho, Grazi não teve dúvidas quanto à escolha do tipo de parto.

Dali por diante, tudo colaborou a favor. A gravidez foi tranqüila, todos os requisitos necessários para o parto domiciliar iam sendo viabilizados e toda a família, inclusive a cadelinha Mel, foi sendo preparada para participar daquele momento.

“Meu esposo me apoiou desde o início e isso me ajudou muito. Como sou natural de São Paulo, a maior parte da minha família está lá, então, para eles, mantive um pouco de segredo, pois não queria que tivessem medo. Mas fiz uma sessão pipoca para meu pai, minha madrasta e meu irmão que vivem aqui em Camaçari, apresentei o filme e contei sobre a minha escolha. Mesmo com um pouco de receio, todos me apoiaram”.

Ao completar 37 semanas de gestação os pródromos começaram a anunciar que a hora estava chegando, e uma semana depois, quando as cólicas começaram a ficar muito intensas, uma forte dor durante a madrugada a fez saber que aquele seria o momento. Ao lado do marido, duas doulas, duas parteiras e da pequena Mel, Grazielle enfrentou bravamente as 12 horas de trabalho de parto. A tarefa não foi nada fácil. As doulas estavam ali para acalmá-la através de massagens e muito carinho, as parteiras a postos, o marido totalmente entregue e complacente, mas o movimento de cada músculo que se preparava para a saída de Giovanna, era um ritmo particular entre mãe e filha. Toda a exaustão do momento silenciou-se quando as duas se viram pela primeira vez.

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“Minha melhor lembrança daquele dia foi o momento em que a minha filha saiu de mim, na água. Eu a tomei em meus braços, ela me agarrou com suas mãozinhas tão pequeninas e sabia que eu era sua mãe”

Satisfeita com o resultado de suas escolhas, Grazi confessa que o único arrependimento é o fato de não ter contratado uma equipe de filmagem e fotografia para registrar melhor esse momento. Mas, para compensar, a mamãe da pequena Giovanna contou em seu canal no YouTube todos os detalhes desse grande dia.

Perguntada sobre qual conselho daria para as mamães de primeira viagem, ela não titubeia: “Informe-se! Informação é tudo. Se seu sonho é parir de maneira natural, corra atrás, procure médicos especializados e leia muito, com certeza você encontrará uma equipe que vai te ajudar. E não tenha dúvidas: mulheres sabem parir e bebês sabem nascer!”.

cmulhermenor

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