homeTricotando

Tricotando com a baiana de acarajé Katita Santana

1-13738356_1237222696312058_8205738191513561151_o

Passar por Arembepe e não se render às delícias preparadas pela simpática baiana Ana Maria Santana, mais conhecida como Katita do Acarajé, é quase impossível (chega a ser um pecado!). Apontada, infinitas vezes, como a melhor baiana de acarajé do estado (quiçá do Brasil!), a responsável pelo melhor acarajé da Bahia, tem como marca registrada a simpatia, agilidade e gentileza com que atende a clientela. Vivendo há mais de quatro décadas em solo camaçariense, foi aqui que ela fincou suas raízes, viu seus filhos e netos crescerem e encontrou o grande amor de sua vida.

No Tricotando de hoje, o Camaçari Mulher conversa com essa mulher guerreira, dona de um sorriso largo, iluminado pela serenidade no olhar cor de mel de quem tem convicção de que nasceu para ser baiana de acarajé.

pink-306516_960_720-300x260
O que te trouxe para Camaçari? E há quanto tempo vive aqui?

Minha mãe sempre vendeu acarajé por aqui, mas tinha dificuldades de vir pra cá porque morávamos em Itapuã. Como eu e meu irmão gêmeo ainda éramos muito pequenos, ela optou por vir morar aqui a fim de facilitar a logística, e aqui estamos nós, camaçarienses de coração há 46 anos.

Katita e sua mãe

Nos conte um pouco da sua infância…

Ao contrário de muitas crianças da minha época, minha infância foi permeada por muitas lutas. Com apenas oito anos de idade, eu já ajudava minha mãe no preparo do acarajé, aos 13, para ajudar nas despesas da casa, já vendia acarajé em Barra de Jacuípe, no Vale Landirana, conhecido hoje em dia como Planeta Água. Aos 16, me tornei mãe, logo depois, com 18, tive outro filho, mas o relacionamento não deu certo, então foi tudo muito difícil, porém, graças a Deus e a minha mãe, consegui criar meus dois filhos sem a ajuda do pai deles. Aos 22 anos, encontrei Emerson, com quem tive mais dois filhos. Certo tempo depois, ele veio trabalhar comigo e nossa sintonia é tanta que ele até já ganhou o apelido de Katito (risos).

Você sempre está vestida com toda a indumentária de uma baiana. Existe algum motivo especial para isso?

Não existe um motivo específico, apenas sigo a tradição de que baiana de acarajé tem que se vestir como baiana.

O seu acarajé é conhecido como um dos melhores da Bahia. Como você se sente ao saber disso?

Ah, sou imensamente agradecida a Deus por este reconhecimento e, claro, à minha mãe que foi quem me ensinou tudo o que sei. Se não fosse por ela, eu não teria chegado até aqui. Ela é peça fundamental na minha vida, meu maior exemplo.

Seus quitutes têm algum ingrediente especial?

Utilizamos nosso próprio tempero, mantemos o material fresco, do dia, e bastante higienizado, mas o que torna nosso produto ainda mais especial é o fato de que trabalhamos com muito amor e respeito aos nossos clientes.

Se pudesse, mudaria algo em sua trajetória?

Como disse no início, minha infância não foi fácil e enfrentei muitas lutas para chegar até aqui, mas tudo o que vivi, fez de mim a pessoa que sou hoje. É claro que, profissionalmente falando, gostaria que algumas coisas fossem mais fáceis, como as melhorias na infraestrutura de que ainda preciso. Mas, no que diz respeito à minha trajetória de vida, não consigo me imaginar sem meus filhos Antônio Francisco, Jeovan, Edvaldo e Maria Clara, sem meus netos e noras e, claro, sem meu Katito. Essas pessoas fazem parte de tudo aquilo que eu sou, então, se fosse preciso, viveria tudo novamente só para tê-los comigo. E tudo valeu a pena para chegar até aqui, ser reconhecida pelo meu bom trabalho e ter todo esse carinho das pessoas que passam pelo meu quiosque e amam o que faço.

Katita e uma parte de sua família

cmulhermenor

Comentários

comments