Questão de Opinião

Um homão da porra

O mundo muda. E com isso, novos ideais se estabelecem, novos padrões vão se ajustando às demandas sociais e estilos de vida. Eu digo isso porque quem, há cinquenta anos atrás, diria que o exemplo de um verdadeiro homão da porra seria um bonitão de olhos azuis que cozinha, cuida dos filhos, é casado com uma feminista (e, mais importante do que isso, é um grande incentivador da visão do mundo de sua esposa), que além de tudo isso, ainda faz crochê? Estamos falando, é claro, de Rodrigo Hilbert.

Desde que estreou em seu programa, Tempero de Família, exibido pelo canal de TV paga GNT, o modelo e ator de 1,90m e 37 anos recém completados, vem nos brindando com seus mais diversos dotes, fazendo com que a gente anseie por uma máquina de Xerox 3D, grande o suficiente para imprimir cópias e cópias desse homem maravilhoso para que todas as mulheres, e não apenas Fernanda Lima, tenham o direito de casar com um maridão tipo A, fácil assim, como se estivesse em prateleiras nos melhores mercados.

Numa conversa com alguns amigos, dentre estes, um homem que trabalha em um ramo tipicamente masculino (automotivo), em dado momento tocou no nome de Rodrigo Hilbert e imediatamente, fazendo graça, falou que tem raiva em assistir o programa dele: “Claro! Além do cara medir quase o dobro de mim, esses dias ele cozinhou uma buchada! E usou um descascador de legumes que ele mesmo fez!”

No último Tempero de Familia que eu assisti, nosso homão da porra simplesmente sacou uma solda, argila e fez um forno à lenha. Um.Forno.À.Lenha, Brasil.

O fato é que no mundo moderno, onde nós mulheres muitas vezes assumimos a postura que antigamente era, exclusivamente, atribuída aos homens, o contrário também tem sido muito bem vindo. Dividir os afazeres domésticos, jantar um prato que seja a especialidade do companheiro e poder cuidar um pouco de si enquanto as crias ficam com o pai, é um deleite. Acabou a era dos machos Alfas que nem tiram o prato da mesa e se a mulher não estiver em casa passam fome e só bebem água. Acordem, lindões! Mulher moderna carece de homem igualmente moderno. As relações pessoais estão passando de nível porque, agora, o termo, companheiro, parceiro, passou a realmente fazer sentido.

Rodrigo se vestiu de Drag Queen no programa Amor e Sexo, apresentado por sua esposa Fernanda Lima (Foto: GShow)

Sabe Rodrigo Hilbert, nosso assunto da vez? Ele, que se vestiu de Drag Queen (e que drag maravilhosa!) no programa da esposa, recusa o título de homão da porra que lhe foi atribuído. Simplesmente porque acredita que o fato de cuidar da casa, dos filhos e da cozinha, não o torna especial. Para ele, é algo que deveria ser obrigação de todos os homens, acrescentando, em entrevista, que “mulheres cozinharam para fora e cuidaram de suas famílias por anos e não foram chamadas de mulherões da porra”. Muito provavelmente, o fato de ter crescido no interior de Santa Catarina com muita referência e presença feminina, afinal morava com sua mãe, avó e tias, seja fator fundamental para essa percepção dele.

Rodrigo é um homão/ paizão/ maridão da porra! (Foto: Purepeople)

Ninguém aqui está cobrando que, a partir de hoje, homens acumulem todas as funções e qualidades do Rodrigo. Afinal, não são todos que se identificam com todas as atividades, bem como muitas mulheres não são fãs de cozinha ou sejam maternais, funções até então desempenhadas pela maioria de nós. O sentido aqui é que barreiras de gênero sejam completamente destruídas, pois, dentro de um lar, há espaço para “todxs” em todas as atividades. Não existe coisa de mulher e coisa de homem. O real intuito aqui é que sejamos seres humanões da porra dentro (e por que não fora?) de nossas casas daqui pra frente.

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