Fala, mulherada!Todos os Filmes

Você é feminista?

Oiê! O Camaçari Mulher está de volta e, com isso, a coluna Todos os filmes do mundo também. O retorno deste site querido, que é um espaço de acolhimento para as mulheres de Camaçari, e para todas as mulheres do mundo, foi marcado por uma série de reflexões sobre o ato de recomeçar.

Recomeçar, na vida de uma mulher, é uma atitude que, invariavelmente, envolve caminhos tortuosos, o rompimento de obstáculos e a superação de dificuldades que, nem de longe, são impostas aos homens. Porque, sim, desde muito tempo os homens possuem privilégios. E é preciso ser muito ingênuo (ou mal intencionado, o que é mais frequente) para negar este fato.

Assim, não dá pra não falar de feminismo, movimento este que defende que os caminhos das mulheres não deviam ser tão tortuosos assim. Até porque é graças ao feminismo, enquanto teoria e movimento social, que espaços como o próprio Camaçari Mulher, onde falamos abertamente sobre nossos anseios e expressamos as nossas opiniões, podem hoje existir.

No entanto, se o feminismo nos propiciou tantas conquistas, por que ele ainda é tão massacrado? Se existe uma palavra mal compreendida e deturpada, é justamente esta! Eu, que sou professora de sociologia no ensino médio, já cansei de me deparar com carinhas descrentes e confusas quando afirmo que feminismo não é o oposto do machismo e que o que pregamos não é a inversão da situação de opressão vigente.

Se a incompreensão perante o movimento partisse apenas de adolescentes com muito o que aprender na vida ainda, vá lá. Mas não é bem assim. A incompreensão sobre o feminismo perpassa toda a sociedade, entre adultos e adultas, pessoas anônimas e públicas, políticos, artistas. Muitos deles prestam desserviços à causa ao difundir publicamente noções equivocadas sobre o tema. Anitta já declarou que “não é feminista, mas é pela igualdade”. Juliana Paes disse que gosta de sutiãs e que até é feminista mas “uma feminista de saia, salto alto e batom vermelho”. Meryl Streep rejeitou o rótulo, mas afirmou “que é pelo equilíbrio [entre os gêneros]”.

E como a gente fica diante de todas estas declarações? Bem assim, ó: 🤷

Porque tudo o que estas declarações colocam como oposição ou uma alternativa melhor que o feminismo são justamente o quê? Isso mesmo, FEMINISMO. O mesmo feminismo que, segundo a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (e usada por Beyonce), nada mais é do que a crença “na igualdade social, política e econômica entre os sexos”.

Simples assim. Não precisa ter medo. O feminismo não morde, nem as feministas. O feminismo é pela igualdade (mas sem esquecer dos marcadores sociais de diferença que atuam sobre nós, como raça, sexualidade, classe e o próprio gênero). O feminismo não proíbe sutiã (mesmo sendo tão chato usar). Não proíbe batom vermelho (imagina! Tão lindo). O feminismo é pelo equilíbrio. A menos que você venha nos dizer que equilíbrio é o homem mandar e a mulher ser submissa, porque esse aí é um equilíbrio muito desequilibrado.

Pra não dizer que não falei das flores, ou seja, dos filmes e que estou mais uma vez (como quase sempre, risos) desvirtuando do tema desta coluna, menciono um filme que vi este ano: Não sou um homem fácil, da Netflix. Foi um filme bastante comentado e que dividiu opiniões. Alguns viram nele um retrato equivocado e mais prejudicial do que apoiador do feminismo. Eu, entretanto, gostei. Não achei a maior pérola da sétima arte e nem a última e mais exímia palavra no que tange ao feminismo. Mas traz um debate e um “choque de realidade”, pertinentes.

No filme, após bater a cabeça, um homem acorda numa sociedade invertida, em que as mulheres é que exercem domínio sobre os homens. O espectador desavisado pode se deixar enganar pela ideia de que esta sociedade fictícia seria um universo feminista. Não é. O que o filme apresenta é uma anedota, uma alegoria que serve para alertar sobre a condição absurda em que nós, mulheres, vivemos. Em outras palavras, se uma sociedade de homens submissos às mulheres parecetão injusta, por que então, ME DIGA, é justo para as mulheres viverem sob a dominação masculina? O filme provoca uma sensação de estupefação necessária, inverteu papeis para causar impacto, ressaltando o absurdo do machismo.

No mais, se você ainda tem dúvidas sobre a sua adesão ao movimento, faz este teste aqui rapidinho só pra gente ver uma coisa rapidão

 

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